Uma boia de salvação que é também a nossa cruz

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A era digital faz o tema de capa deste mês. E a verdade é que dificilmente viveremos fora dela.

No dia 4 de outubro, um “apagão” de sete horas no Facebook, Instagram, Messenger e Whatsapp, ia deixando o mundo louco.

Uma “loucura” que resultou um prejuízo de cinco mil milhões de euros ao fundador Mark Zuckerberg. Foram “apenas” sete horas de interrupção que serviram para percebermos o quanto já estamos dependentes desta digitalização.

E quando falo em dependência, não me refiro a uma ligação ao puro entretenimento, mas sim à falta que estas ferramentas nos fazem mesmo em termos profissionais, de trabalharmos marcas, de fidelizarmos clientes, de fecharmos negócio. 

E se, por um lado, estas ferramentas que nos permitem resolver quase tudo à distância de um clique são a nossa boia de salvação, por outro, são a nossa cruz.

Porque estamos constantemente ligados, mesmo quando estamos em família, porque já não há desculpas, porque os mails são sempre para ser vistos e respondidos, enfim… porque também perdemos qualidade de vida. 

Mas há aqui outro fator importante a ter em conta nesta era digital: as nossas crianças e jovens. É assustador o tempo que muitos deles passam de olhos postos nas redes sociais; ou a fazer coreografias para o Tik Tok; ou a jogar em frente ao computador com as portas dos quartos fechadas, enquanto a vida corre lá fora. 

Somos nós, pais, que temos de assumir o papel de vigilantes e “policiar” os chamados “tempos de ecrã”. Hoje, educar é também estabelecer limites para a relação que os nossos filhos mantêm com os dispositivos eletrónicos, sob pena de os transformarmos em seres humanos criados numa bolha virtual e incapazes de viverem e conviverem em sociedade. 

Há que mantê-los offline por bons e saudáveis períodos do dia. Há que levá-los para a rua. Há que sentá-los à mesa, conversar, brincar, ver um filme, enfim, estar em família e com amigos.

E, numa altura em que os influencers proliferam pelas redes, e que tudo fazem por mais likes, é essencial fazer-lhe entender que nas redes sociais nem tudo o que parece é.

Que nunca caiam na tentação de compararem as suas vidas ou a sua aparência ao que é publicado no mundo virtual, onde só aparece o lado bonito e cor-de-rosa da vida das pessoas. 

É importante estar atento nesta altura de transição digital, em que estamos todos a aprender ao mesmo tempo e onde as consequências ainda estão para vir. 

Para já, há que tirar proveito de tudo o que de bom a digitalização nos traz. São milhares as vantagens que podemos tirar de todas as tecnologias que têm surgido. Vamos abraçá-las com entusiasmo, mas não esqueçamos que a era digital é esta boia de salvação, mas também uma cruz que exige alguma responsabilização e sensatez. 

POR: NUNO LOPES NUNES DIRETOR