Um novo regresso à escola

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Depois de terminado o segundo confinamento, o regresso às aulas presencias depois das férias da Páscoa obrigou a novas rotinas e a novas adaptações. Tantas entre tantas e em tão pouco tempo. Deixamos-lhe algumas dicas úteis de como ajudar os miúdos neste período de transição. 

 

Na maioria dos lares, foi com satisfação que se recebeu a notícia do fim do ensino à distância. Os mais pequenos ansiavam pelo regresso à escola, muito pelo contacto que voltariam a ter com os colegas, mas a verdade é que, mais uma vez, viram as suas rotinas alteradas.

Para que este terceiro período corra da melhor forma, partilhamos alguns conselhos que podem fazer a diferença e libertar os seus filhos de algumas angústias, pressões ou ansiedades, ao mesmo tempo que lhes transfere alguma autonomia e sentido de responsabilidade. 

Manhãs serenas 

Esta é uma regra de ouro e que, na altura do ensino à distância, contava com alguma margem de folga por não haver tanta logística a ter em conta para sair de casa.

De volta às aulas presenciais, o cenário muda e há que contar com o tempo necessário para se fazerem todas as tarefas imprescindíveis pela manhã, sem parecer que o mundo vai acabar ou que a casa está a pegar fogo.

Começar o dia em stress não é bom para ninguém. Assim, acorde com a antecedência necessária para terem tempo de se vestir, tomar o pequeno-almoço e tomar banho ou preparar a mochila, caso não o tenham feito de véspera.

Atenção, não se esqueça do tempo que leva da deslocação até à escola e de uma eventual dor de barriga do seu filho, ou algum imprevisto que possa surgir. Ter uma manhã sem pressas (e sem gritos) é meio caminho andado para que o seu filho chegue mais seguro e tranquilo à escola. 

Expetativas reais

Mesmo que lá no fundo todos anseiem que o seu filho seja o melhor aluno da escola, há que ter em atenção a forma como as expetativas são transmitidas.

Há que haver um equilíbrio. Por um lado, não lhe exija mais do que aquilo que ele consegue.

Motive-o a dar o melhor que tem, mas não coloque a fasquia demasiado elevada, pois, segundo especialistas, pode surtir o efeito contrário, ou seja, a criança pode desmotivar ao perceber que nunca vai conseguir chegar lá e opta por baixar os braços e desistir, desleixando-se nos estudos.

Por outro lado, não deixe que o seu filho se veja como um “incapaz”, que nunca vai conseguir deixar de ser o pior aluno da sala e que não sabe estudar. Estude com ele, elogie um exercício bem conseguido ou uma nota positiva, mesmo que não seja muito alta. 

Roupa organizada

Em tempos de confinamento, a roupa das crianças deixou de ser uma preocupação primordial. Usavam peças mais casuais, calças rotas nos joelhos ou um pouco mais sujas de terra se não houvesse outras, as camisolas repetiam-se um bocadinho… Pois é, a escola voltou e as roupas completas, lavadas e engomadas também, incluindo os fatos de treino postos a jeito para os dias de Educação Física. Assim, há que regressar à rotina de uma boa organização do roupeiro e da cómoda para que nada falhe neste regresso à escola. 

De volta às marmitas

Habituámo-nos durante o confinamento a preparar refeições que davam para toda a família e que eram comidas na hora por todos.

Esta foi outra realidade que mudou, pois com o regresso à escola voltaram também os almoços e as merendas para comer a meio da manhã ou à tarde.

Assim, há que marcar com antecedência os almoços na cantina da escola ou organizar os almoços para levarem na mochila. É preciso ainda assegurar mantimentos para os lanches, como pacotes de sumos ou leite, iogurtes, peças de fruta, bolachas, ou outros snacks

Material escolar

Sente-se com o seu filho e faça uma “vistoria” à mochila no sentido de, em conjunto, fazerem um balanço do que é preciso renovar ao nível do material escolar.

É importante que a criança se sinta motivada também neste aspeto, tendo, por exemplo, esferográficas coloridas ou marcadores fluorescentes que ajudem na organização dos apontamentos para o estudo. Por vezes, uma borracha nova ou um afia colorido podem fazer a diferença!

Apontamentos “arrumadinhos”

Quer opte por um dossiê com separadores, ou por cadernos, é importante que os apontamentos de cada matéria estejam bem organizados.

Ajude e ensine o seu filho a fazê-lo, mostrando-lhe como pode separar os temas com cores, sublinhados ou pontos. Cadernos ou dossiês “arrumadinhos”, ajudam a cérebros “arrumadinhos”. 

A hora do estudo

A pandemia e o ensino à distância vieram desregular um pouco os horários dos nossos filhos. É importante que estabeleça com ele um período do dia dedicado ao estudo e à realização dos trabalhos de casa. Perceber que há tempo para brincar e para estudar é importante para a vida que terá no futuro. 

Autonomia e responsabilização

A autonomia deverá começar a ser trabalhada desde muito cedo.

Deixe que o seu filho faça os trabalhos de casa sozinho. Se tiver alguma dúvida, diga-lhe que procure a resposta no manual ou no caderno de apontamentos.

A partir de determinada idade, pode dizer-lhe que faça uma pesquisa na Internet, caso tenha essa possibilidade em casa. Fazer os trabalhos por ele está fora de questão, assim como abrir a página do livro onde a resposta se encontra. Deixe-o procurar, investigar, ler, pensar. No caso das crianças mais pequenas, explique por outras palavras o que o exercício pede e dê-lhes tempo para pensar.

A par da autonomia, o sentido de responsabilidade tem de começar também a ser trabalhado. Principalmente para as crianças ali a partir dos sete, oito anos, já não faz sentido que sejam os pais a perguntar todos os dias se tem trabalhos para fazer, ou quando é que vai ter testes.

Eles próprios devem começar a ter essa responsabilidade e, por iniciativa própria, fazer os TPC assim que chegam a casa. Para os mais distraídos, imprima ou faça um calendário onde a criança possa ir anotando os trabalhos e os testes que tem para fazer. 

Crianças felizes

Meio caminho para alunos de sucesso faz-se a partir de crianças felizes.

Esforce-se por proporcionar um bom ambiente familiar e por estabelecer com o seu filho uma relação carinhosa e de proximidade que lhes permita partilhar tudo o que se passa nas suas vidas. Uma relação de confiança e de amor que conseguirá vencer todas as barreiras que surgirem pela frente.