Trabalhos de verão 

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A mesada ou a semanada – ou mesmo a falta de uma e outra – começam a não chegar para os planos que se têm com os amigos ou para as férias. Três meses sem aulas dão para arregaçar as mangas e dar os primeiros passos no mercado de trabalho, nos chamados “trabalhos de verão”.

Chegou a hora de “bulir”!

João Vieira tem 20 anos e desde os seus 16 aproveita as férias de verão para trabalhar durante alguns dias para conseguir ganhar algum dinheiro para fazer o que gosta sem ter de estar a pedir aos pais.

“Eles já me ajudam em tudo e a determinada altura eu queria sair com os meus amigos ou ir a jantar de aniversários e começava a sentir-me mal por estar sempre a pedir-lhes dinheiro.

Foi para evitar isso que comecei trabalhei durante um mês numa esplanada de praia, a servir às mesas”. A experiência foi um pouco complicada, lembra. “Nunca tinha feito aquilo. Confesso que de início foi difícil, até porque com calor não é fácil estar ali a servir enquanto todos estão a divertir-se a dar mergulhos, mas eu sabia o que queria. No final acabou por ser uma experiência muito boa”.

Isto porque João acabou por fazer novas amizades e, no final do trabalho temporário, conseguiu ter dinheiro para ir de férias com os amigos, comprar roupas novas e fazer alguns jantares sem ter de pedir dinheiro aos pais.

“Soube muito bem. Tanto que a partir desse verão arranjo sempre um trabalho nas férias, para ganhar uns dinheirinhos para as minhas coisas”, diz, orgulhoso, João Vieira.

Este jovem não é caso único e são cada vez mais as empresas de trabalho temporário que recrutam estudantes em período de férias para empregos deste género. Basta uma rápida pesquisa a Internet para perceber isso.

Aliás, as ofertas aparecem, não apenas para Portugal, mas também para o estrangeiro, sendo sempre importante reforçar que as contratações deverão ser sempre acompanhadas por um adulto, uma vez que, infelizmente, existem também algumas fraudes nesta área. 

A verdade é que os adolescentes entram naquela fase de preferirem passar férias com os amigos do que com os pais; jantar com os amigos é mais apelativo do que com os pais; sair à noite é mais convidativo do que ficar em casa a ver televisão.

Enfim, começam a surgir sinais de alguma vontade de sair debaixo das asas dos pais e para que todas essas vontades se cumpram é preciso dinheiro. Além disso, em muitos casos, cresce o interesse pela aquisição de mais livros, ou música, ou gadgets, ou roupa nova… enfim, coisas que, mais uma vez, custam dinheiro. 

Os trabalhos de verão surgem assim como uma oportunidade de juntar o útil ao agradável. Por um lado, vão tomando contacto com o mercado de trabalho; vão tendo a noção do que o dinheiro custa a ganhar; vão tendo parte das férias preenchidas com algo que pode ser enriquecedor a nível curricular; e fazem novas amizades. 

É importante que esta primeira experiência corra bem, por isso, na altura de escolher as hipóteses que estão em cima da mesa, os pais devem fazer parte do processo, dando conselhos, motivando e encaminhando, sem impor, a área que consideram ser a mais adequada tendo em conta as skills do adolescente ou os seus traços de personalidade.

O João Vieira deu-se bem a servir à mesa numa esplanada, outros poderão ter jeito para trabalhar numa mercearia, numa loja de roupa, a tocar e a cantar num bar, a fazer inquéritos de rua, a fazer um estágio remunerado numa empresa relacionada com a respectiva área de formação, a apanhar laranjas no Algarve… enfim, cada um pesquisará e fará a sua escolha.

Mas, provavelmente, e se a pandemia deixar, chegou a hora de alguns adolescentes arregaçarem as mangas e começarem a juntar umas massas para contribuir um pouco para as finanças lá de casa e poderem fazer as coisas que gostam.