Que tipo de avó quer ser?

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Os avós são na maior parte das vezes figuras míticas na nossa história. Há quem diga que são pais 2 vezes, outros que são feitos para estragar com mimos os mais novos.

O que é certo é que cada família tem a sua “espécie de avós”. São todos diferentes, com uma característica em comum, o amor pelos netos.

Ser avô e avó pode ser muito intenso, numa mistura de sentimentos incrível. Ouve-se e diz-se muito acerca do tema e todos opinam em relação aquilo que é certo ou errado. E desse lado? O que sente? Que tipo de avó querer ser?

Vamos conhecer os vários tipos de avós e a forma como eles vivem o novo estatuto:

Avós-Mãe

Os avós-Mãe criam os seus netos, como se fossem os seus filhos. Educam e protegem os netos, as suas crias mais valiosas. São avós preocupados e focados na felicidade dos seus netos, ao mesmo tempo, em criar-lhes responsabilidades e deveres. Educam muito com base no que se fazia antigamente, no seu tempo, e com base em provérbios populares. “Vá, filho, anda lá, não deixes para amanhã o que podes fazer hoje” ou mesmo “levantar cedo e cedo erguer, dá saúde e faz crescer”.

Avós-estrelinha

Este tipo refere-se aos avós que partiram e passam a ser “estrelinhas” no Céu. São avós que acabam por marcar, muitas vezes, a primeira experiência de perda na criança. Muitas vezes, estes avós fazem parte de um mundo imaginário que a criança cria, de todas as vezes que ouve falar-se da história da avô “Maria” e do avô “Manel”.

Avós-velhinhos

Os avós-velhinhos são uma oportunidade para a criança aprender a desenvolver a empatia pelo outro, a cuidar e entender o ciclo da vida. Estes avós têm a carinha enrugada, os olhos acinzentados, uma pele manchada, mas muito macia. São avós que vivem, muitas vezes, fora das suas casas, frágeis, mas felizes sempre que recebem as visitas dos seus netos. Estes avós podem até falar pouco, contudo aquilo que os seus olhos brilhantes das lágrimas dizem, valem mais do que mil palavras.

Avós-referência

Esta espécie de “avós” não é tão comum encontrar, lamentavelmente (arrisco-me a dizer), uma vez que são avós firmes na educação e tendem a reflectir sobre as suas acções. Acabam por ser mais responsáveis também e retos na imposição de limites. O amor pelos seus netos é enorme, contudo, digamos que o “estatuto” de avós não lhes “subiu à cabeça”. Estes avós têm no geral uma relação de muito companheirismo com os seus netos, são avós-refúgio, pilar e suporte. São muitas vezes avós-enciclopédia e avós-conselheiros quando os netos precisam de alguma orientação.

Avós-equipa

Estes avós são maravilhosos de ter ao lado, porque fortalece os laços familiares entre todos, uma vez que desempenham um papel muito importante na forma como os pais gostariam de educar os seus filhos. Ou seja, ajudam e compactuam nesta dinâmica que se torna muito coerente, menos confusa até para própria criança e sem atritos. Como se a casa dos avós fosse continuação da casa dos pais e vice-versa, com o mesmo tipo de regras e limites. Nestes casos, estes Avós-equipa dão um exemplo incrível de respeito pelos seus filhos.

Avós-férias

Os Avós-férias, no geral, são avós que sofrem bastante de saudades dos seus netos. Acabam por durante o ano se verem muito poucas vezes, o que faz com que quando estão juntos, queiram dar e fazer tudo pelos netos. Habitualmente, acaba por aborrecer bastante os pais das crianças que “trabalha” na família por forma a terem alguma rotina e hábitos, e este tipo de avós normalmente “furam” o esquema, o que muitas vezes, acaba por, sem querer, destabilizar a forma de estar da criança e dos pais, tornando as férias ainda mais cansativas e atribuladas.

Avós-doces

Doces para aqui, chocolates para ali, bolinho acolá, são chupa-chupas, gomas. Umas dadas às escondidas, outras dadas mesmo contra a vontade dos pais. Este avós-doces, são muito doces, sem dúvida, no entanto, acabam por criar uma relação com os netos muito baseada em faze-los felizes por via do açúcar, o que, para além do ponto de vista emocional e físico, não traz grandes vantagens, é em simultâneo uma “guerra comprada” com os seus próprios filhos, se eles não estivem de acordo.

Avós-energia

Estes avós tiveram os seus filhos novos, que por sua vez, também tiveram filhos novos. São habitualmente, avós cheios de genica e vivacidade. Viajam com os seus netos, vão à praia com eles e levam-nos a fazer as mais variadas actividades, são avós que jogam à bola. Muitos deles, ainda trabalham e são bem activos socialmente. Adoram ser avós, mas partilham bem esse tempo entre todos os outros afazeres, tarefas e agenda social.

Avós-presente

À semelhança dos avós-doce são avós que têm a tendência a dar “coisas”. Como se o dar fosse fortalecer os seus laços. São avós que sempre que estão com os netos, ou levam, ou compram sempre algum presente- isto constitui uma alegria para os avós, a de dar, mas também uma preocupação em ter para dar. E o presente é, habitualmente, tema de conversa. As crianças tendem a achar que avó já vai trazer um presente, fazendo disso um hábito, e acabam mesmo por cobrar se isso uma vez ou outra não acontece.

Avós-derretidos

São os avós que falam dos netos com muito orgulho, perguntam à amiga como está o neto dela, porque na verdade, só quer falar sobre o seu neto. Dizer que ele é um menino muito querido, que é muito bonito, que está muito engraçado, entre outras coisas e que nunca coloca defeitos, defendendo sempre o neto de tudo o que possam dizer de menos bom. São avós-orgulhosos dos netos, como nunca demonstraram ser dos filhos, na maior parte das vezes.

Avós-mel

Avós melosos, são avós que dão muitos beijinhos e abraços, parece que têm de estar sempre a tocar, a abraçar e a agarrar. Os seus abraços são fortes e as festas na cabeça são frequentes. Este tipo de avós tem uma expressão muito viva, feliz e querida. Esta afectividade ajuda muito no reforço de laços entre uns e outros.

Avós-coitadinhos

“Coitadinho, deixa-o lá comer isso.; “Coitadinho, ele está a crescer”; “Coitadinho, está a chorar, não lhe faças isso”. Este tipo de avós super protetor são muitas vezes, uma fusão de “avós-doces”, com “avós-derretidos” e “avós-presentes”. De tanto quererem agradar e fazer os seus netos felizes, muitas vezes perdem a noção daquilo que é, efectivamente, o melhor para os seus netos, ou mesmo o que os seus filhos pensam e desautorizam muito as suas vontades. O clima de tensão na família acresce quando assim é. E as relações tornam-se difíceis de gerir.

Temos na nossa mão uma escolha de ser quem quisermos ser, ter e fazer. Os avós têm essa responsabilidade também. Reflectir sobre quem eu gostaria de ser para os meus filhos, para os meus netos. Esta decisão é de tal maneira importante que influencia ou influenciará a própria relação e dinâmica da vossa família. Vale a pena pensar sobre isto não vale?

Desejo o melhor dia dos avós de sempre. Desejo que tenham a alegria deste dia no coração, todos os dias da vossa vida até que sejam “avós-estrelinha” com todo o carinho.

POR: Carolina Vale Quaresma _ Coach Familiar _ Terapeuta do Sono Infantil