Super Protecção, Erro Fatal

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Queridos pais,

Espero que todos estejam bem aí em casa.

Há um tema que preciso mesmo de conversar com vocês. Hoje é o dia!

É um tema que me perturba, que me assusta e, muitas vezes, me faz pensar na nossa missão enquanto pais-adultos que somos.

Adivinham o que será? Vou dar uma pista: é um dos comportamentos que menos cultiva a mentalidade de crescimento nas nossas crianças. A chamada – SUPER PROTEÇÃO.

Apontam-se variadíssimos motivos que estão na origem dos pais, neste momento, estarem a sufocar de tanto quererem proteger as suas crias. Duma forma que nenhum outro ser vivo faz.

Diz-se poder ser uma das consequências que surgiu com a chamada “Evolução dos Tempos”, contudo, creio que aquilo a que chamamos evolução pode ser, afinal, e em muitos casos o “Atrofio dos Tempos”.

O que deverá acionar todos os alarmes – estamos a colocar, assim, as nossas crianças em risco!

O medo que os mais pequenos sofram, o medo que sangrem, o medo que chorem, o medo de os perder, o medo, o medo, o medo parece ter vindo para ficar e para assombrar os adultos, agora pais.

O caso Maddie foi mediático e alarmou Portugal inteiro. Há uma série de outros acontecimentos e notícias que acabam por servir de “Bode Espiatório” para os tais medos que crescem, crescem, crescem e transformam-se em monstros gigantes e muito assustadores.

Entretanto, no outro lado da moeda, há medida que cada monstro cresce, as crianças encolhem, encolhem, encolhem e atrofiam, atrofiam, atrofiam…

Isto explicará, ou poderá ser uma das explicações para as crianças não andarem e não brincarem sozinhas na rua, mas e então o que se passa com aquelas que não podem cair? Que não se podem sujar?

Que não podem correr livremente sem um “CUIDADO!”; “Olha que VAIS CAIR!”; “Isso É PERIGOSO.”; “SAI DAÍ Manel! Antes que caias.”; “A mãe ajuda-te para NÃO CAIRES.”; “Ai nem pensar ires para aí, SÓ QUANDO FORES MAIS VELHO…”;… mais velho e atrofiado porque entretanto vais GANHAR MEDO de tudo de todos.

E estes casos? Que quando vão à praia se equipam de fato de banho com bóias, mais braçadeiras e, provavelmente, ainda com uma bóia à volta da cintura, com os pais sempre de volta deles porque “ai Jesus se a onda o leva e nunca mais vemos o menino!”.

Pais, meus queridos pais, Não! Os acidentes acontecem com todos, todos temos essa noção, certo? Quantas vezes acontecem quando estamos a ser tão, tão cuidadosos?

Convido-vos a refletir comigo sobre este tema e sobre as consequências da Super-protecção: Quando protege os seus filhos assim vai fazer com que eles não ganhem defesas, não saibam medir o perigo e isso sim é perigoso. C

ultivar uma mentalidade de crescimento nas nossas crianças é também fazer com que elas ultrapassem os desafios de cada idade e de cada fase, é ajudá-los e encorajá-los a serem audázes, em reconhecer os perigos, para não serem “presas fáceis” no futuro, é impulsioná-las para a frente e para cima. Crescer! Crescer! Crescer! É promover a auto-confiança e a autonomia.

É tempo de conseguir relaxar enquanto os vemos a chamar por nós porque não conseguem descer da árvore ou de um baloiço no parque. Eles subiram, por isso, arranjarão um jeito de descer. Dê-lhes tempo! Relaxem. Apoiem-nos e digam “vá lá Afonso! TU ÉS CAPAZ!”. Encorajem a serem destemidos e corajosos, não o contrário.

Não os tornem tão frágeis que um dia serão vítimas de bullying por parte dos outros. Não os transformem em seres de vidro porque a vida não os vai tratar assim. Não os obriguem a crescer à pressa, quando vocês não estiverem por perto, por favor.

Permitam que eles sejam desenrascados, cheios de vida, mesmo com mazelas de feridas nos joelhos. FAZ PARTE. Isso faz parte de crescer. Isso é uma arte que faz parte da vida e de viver.

Mas que fique claro como a água, que não recomendo que os ponha na piscina e vá beber um cocktail descansado e ele que se desenrasque. Por favor, não me interprete mal. Quero apenas que reflita nisto e que dê o melhor de si.

Queremos um mundo recheado de crianças fortes, que se desenrascam, que têm iniciativa, que arrisquem, que tenham um espírito crítico, que arranjem soluções para cada problema que surja. Não queremos um mundo de “totós” (como referiu o Prof. Dr. Carlos Neto, numa palestra que assisti sobre os “declínios na infância”). Queremos crianças rijas e preparadas.

A auto-confiança é um bem precioso e nós podemos e devemos ajudá-las a construir isso. É um tesouro interior que nos faz enfrentar grandes batalhas que, no fundo, é o que enfrentamos constantemente na vida.

Por isso, pais amados, amem os vossos filhos de forma livre. Deixem-nos voar! Eu sei que ele(s) é(são) o vosso bem mais valioso, mas quando evitam acidentes estão, no fundo, a provocá-los porque como referi, eles não vão conseguir depois defender-se e, mais tarde, isso vai se traduzir-se em enormes problemas e aí, já não os trataremos por “acidentes”. Foram coisas provocadas intencionalmente, porque o amor e a vossa protecção os sufocou.

Deixem as calças rasgar, as feridas nos joelhos, deixem que tudo aconteça naturalmente.

Dêem-lhes “armas” para se defenderem, falem abertamente de todos os temas e notícias em casa, não escondam o que se passa no Mundo e os acidentes que acontecem.

Lembrem-se sempre que um passarinho que vive numa gaiola, quando foge… já não regressa: Não sabe voar, não sabe procurar comida, não sabe defender-se e acaba por não sobreviver: Dêem asas e deixem voar.

Eu estarei aqui a acompanhar, para ajudar e guiar quando precisarem. Esta é a minha missão e convicção: que vocês passem a viver a parentalidade com menos culpas, com menos ansiedades e com menos dramas. Calma, Relaxem, Confiem.

Beijinhos muito grandes a todos ai em casa.

Sejam felizes em Família!

Da vossa, Carolina

Por: Carolina Vale Quaresma _Coach familiar e Terapeuta do sono Infantil