Sonhos felizes, dizemos antes de deitar…mas nem sempre é assim

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Dormir uma boa noite de sono faz com que cada pessoa se possa sentir com energia para o dia, apta para as suas inúmeras tarefas e compromissos.

Infelizmente, não é frequente que isso aconteça. A alimentação, rotinas, agitação interior (emocional e psíquica) são alguns dos fatores para que assim não seja.

É notícia que o nosso país regista um elevado nível de consumo de medicação que ajuda a induzir o sono, e a induzir a calma que não se tem e que é necessária alcançar no imediato. Porquê esta necessidade de prontidão? No dia seguinte existem mais que muitos compromissos e é importante estar sempre ao mais alto nível do que nos exigimos e do que nos exigem.

Nas várias fases de desenvolvimento que o ser humano tem ao longo da vida, o sono nem sempre é restabelecedor. Vou focar-me na fase que para mim é aquela a que mais me dedico e onde desenvolvo o meu trabalho (yoga dos 2 meses aos 12 anos de idade).

É na infância que começam os pesadelos, o medo do escuro.

Na maioria das vezes o refúgio é a cama dos pais. Eles conseguem descansar, nós a maioria das vezes não.

Os sonos sendo agitados, é frequente uma perna que nos brinda com um pontapé, há ainda a dolorosa cotovelada e uma ou outra chapada. Mas há também, o delicioso aconchegar em conchinha, o envolver o pescoço com o braço e a mãozinha fazer um miminho na cara, o que é a delícia das delícias. Tudo isto, coroado com o facto de adormecerem dois segundos depois de se deitarem junto dos pais.

E dizia há pouco que, entre outros fatores, a agitação interior: psíquica e emocional.

As crianças são extremamente ávidas de aprender. Há as que são extremamente responsáveis. As que são ávidas de atenção. As que são extremamente curiosas. As que são extremamente sensíveis à realidade dos que a rodeiam. As que se angustiam com o estado de alma dos seus pares e adultos que as rodeiam. As que, sem o saberem, são a cola de muitas ligações e relações familiares. As que querem sorrir mesmo chorando e gritando por dentro. Têm por vezes tudo isto dentro de si, outras vezes evidenciam uma destas características em particular.

É legítimo, que quando interiormente estamos um turbilhão, o sono seja afectado.

É neste espaço de tempo que, é suposto, recarregarmos baterias. E, bem sabemos, que no dia a dia atual as baterias têm de estar bem carregadas para aguentar o ritmo.

Então, pode ajudar estabelecer uma rotina para dormir.

Cada criança tem a sua, cada família tem a sua.

Nós cá em casa temos as 21h30 como hora para estarem deitadas, para que se levantem de manhã com energia respeitando as horas de sono que precisam para descansar. Ao fim-de-semana, sempre que possível, abrandamos o ritmo e a hora de deitar e levantar pode ser esticada o que sabe mesmo bem.

Mas na verdade cada criança tem o seu ritmo, cada família tem o seu ritmo.

Desde que a criança seja o mais respeitada possível nas suas necessidades/ no que lhe promove genuíno bem-estar, está tudo certo.

Quando a criança apresenta maiores dificuldades em descansar bem, algumas destas dicas podem ser úteis:

  • Se oportuno e possível, nos momentos que antecede o deitar que a agitação e os estímulos abrandem. É importante dizer que nem sempre depende de nós pais, e se esta não for uma solução útil ou possível, vamos a outra.
  • Tomar banho antes de deitar. Um banho tranquilo pode dar à criança a sensação de relaxamento e bem-estar que promovem o sono
  • Contar uma história antes de adormecerem. As inventadas têm um grande sucesso. As dos livros, quando damos um cunho pessoal, também. O importante mesmo é que leiamos a história em presença (sem que estejamos a ler a correr, desejosos que a história acabe para nos podermos deitar; ou rapidamente porque temos a loiça do jantar à espera para tratar, ou a roupa para passar ou o que for)
  • Como temos contacto frequente com o yoga para crianças, as minhas filhas recorrem a algumas ferramentas que nele aprendemos e desenvolvemos. Um exemplo: mantra a e i o u. Inspirando profundamente, expiramos suavemente de forma a que conforme o ar sai, vamos vocalizando as vogais. Com este exercício, limpamos a nossa respiração e os nossos pulmões. Aquietamos a nossa mente. Estabilizamos o nosso ritmo cardíaco.

Não há, para nada nesta vida, fórmulas certeiras que se apliquem indiferentemente a todo e cada ser humano.

A vida vai-nos permitindo ir fazendo essa descoberta com muitas tentativas, variadíssimos erros e com muitos acertos.

Sejamos mais brandos connosco próprios, respeitando-nos mais.

Quando isso é conseguido, o poder interno aumenta. E, se assim é, tem-se maior capacidade de vivenciar o que cada dia nos propõe e o que cada um dele faz. Só somos responsáveis pela nossa atitude e pelas nossas ações.

Continuo a espalhar a magia do yoga junto das crianças em creches, escolas e espaços.

Caso sintas que posso ir até ti ou até à tua escola, contacta-me (contactos na última página da revista e por e-mail (claudiamineiromiudosegraudos@gmail.com). Gostaria também de ter a tua opinião acerca desta e de crónicas anteriores.

Estejam preparados para nova edição da Miúdos & Graúdos, sempre com temas mega interessantes, eu lá estarei com a minha crónica.

Até lá, deixo os meus beijinhos voadores, sê feliz e bem hajas pela tua leitura,

POR: Cláudia Mineiro

(3M’s: Mulher, mulher e mãe. Professora de yoga para crianças certificada em 2016 pela Escola Babyoga Portugal)