Sinais de alerta que não podem ser ignorados em idade pediátrica

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Sinais de alerta que não podem ser ignorados em idade pediátrica
Sinais de alerta que não podem ser ignorados em idade pediátrica

A essência da vigilância do estado de saúde infantil e juvenil assenta na identificação atempada de riscos ambientais e sociais que o possam pôr em causa, por forma a impedi-los e, por via desta estratégia, reduzir ao máximo as suas consequências.

Dito de outra forma, a essência da pediatria é a prevenção. E o pediatra é o «advogado» da saúde infantil e juvenil.

Por exemplo, são riscos conhecidos o tabagismo, o alcoolismo ou a não adesão ao plano nacional de vacinação: a informação antecipatória prestada pelo seu médico nestas consultas programadas, de rotina, representa a maneira pela qual se poderá impedir que um adolescente adquira hábitos tabágicos ou de ingestão de bebidas alcoólicas e adira plenamente ao esquema vacinal português.

Torna-se evidente então que as consultas de pediatria não devem ser adiadas nem substituídas, sob pena de não cumprirmos o seu objectivo principal, mesmo em tempos de confinamentos decorrentes da época pandémica que vivemos.

São múltiplos os sinais de alarme em idade pediátrica aos quais devemos estar atentos, que possam assinalar precocemente a emergência de doenças orgânicas ou mentais.

São exemplos da necessidade de recurso a serviços de atendimento permanente as situações que congreguem risco de vida, como é o caso das convulsões, as dificuldades respiratórias graves, as intoxicações e as alterações do estado de consciência ou os traumatismos significativos.

Mas também as situações de febre com prostração, da criança que não reaja adequadamente, ou com recusa alimentar severa ou que vomita repetidamente.

Por via da adoção de medidas adequadas implementadas nas unidades de saúde, públicas ou privadas, nomeadamente assentes em rastreio de febre na admissão, adoção e implementação de protocolos emanados pela Direção Geral da Saúde e criação de circuitos independentes no caso de suspeita de infeção pelo vírus SARS Cov2, é seguro recorrer-se aos seus serviços.

O risco de, injustificadamente, não recorrermos aos cuidados de saúde quando necessário, é o de se atrasarem diagnósticos e tratamentos, com o consequente agravamento do prognóstico clínico associado.

Por isso, não deixe de recorrer aos serviços de saúde, sempre que achar justificado. Não deixe que o medo da pandemia leve a melhor.

Por: Paulo Coutinho  Coordenador do Atendimento Pediátrico Permanente do Hospital CUF Porto