Ser mãe em tempos de pandemia é um desafio diário

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Este ano voltamos a ter um Dia da Mãe diferente. Não só pelas circunstâncias em que o mundo se encontra, mas pela mudança de comportamento repentina que, muitas vezes, nos impediu de abraçar, aproximar ou estar junto das pessoas que amamos.

Privilegiados aqueles que moram com as suas mães e que têm o prazer da sua convivência diária. Nesta edição, trazemos uma entrevista com Inês Baptista, mãe da Joana, de 15 anos, e Gonçalo, de 11. Trabalha na direção de Recursos Humanos numa das empresas do PSI-20, está em teletrabalho e vai partilhar um pouco da sua experiência ao longo deste últimos meses.

Como foram estes meses de confinamento?

Ninguém se lembra de uma mudança tão abrupta nos comportamentos e hábitos quotidianos de tanta gente em todo o mundo e em simultâneo. Dar o meu melhor e ajustar-me às mudanças impostas pela pandemia neste novo contexto social e não me perder enquanto mulher, no meio de tantas exigências, foram alguns dos desafios que tive de superar. Mudar as rotinas, preparar as refeições, conciliar o teletrabalho, a educação dos filhos e o ensino online, temos de admitir, não é uma tarefa nada fácil. Principalmente, quando temos de abdicar do nosso tempo ou de momentos de lazer, essenciais para manter a nossa saúde física e mental. Já tínhamos alguma experiência do ano passado, mas este confinamento foi diferente, mais intenso. 

A gestão do tempo foi complicada?

Ao início pensamos que não há nenhum horário rígido a seguir com o teletrabalho, mas as “obrigações” enquanto mãe, esposa e dona de casa parece que triplicaram. É o pequeno-almoço, o almoço, a louça, a roupa, o jantar, a cama, a mesa, os banhos, e ainda as aulas online. A saturação está em ter de fazer atividades que não fazíamos, e mesmo podendo ter algum tempo extra, dei por mim a ficar tão cansada com as tarefas durante o dia, que às vezes nem tinha paciência para ler um livro que tanto gosto ou desfrutar um pouco desse tempo livre. Chegava a parecer que estava mais afastada dos que amo estando em casa, do que quando tínhamos a rotina diária de sair para a empresa, talvez porque quando chegamos a casa após um dia de trabalho, apesar de exausta, estamos com eles e só para eles. 

Conseguiu manter os filhos focados no dia a dia e nas aulas online?

As aulas virtuais tinham uma menor carga horária, e uma aula à distância não tem comparação possível com uma aula presencial. Tivemos de investir mais tempo em estudo autónomo e em trabalhos criativos como forma de compensar algumas dessas debilidades. As rotinas dos nossos filhos também se alteraram. Estavam habituados a outro quotidiano, a escola, os amigos e todas as outras atividades sociais, desportivas, religiosas, etc. Para amenizar esse impacto, aproveitámos o fim de semana para os envolver em tarefas familiares e passámos a fazer tudo em família e em conjunto: como cozinhar, limpar, arrumar, mas também jogar, brincar, caminhar ou passear de bicicleta. 

(…)

Alguma mensagem ou conselho que queira deixar às mães?

Para todas as mães que em tempos de pandemia dedicaram ainda mais do seu tempo à família, lembrem-se de guardar algum tempo para vós, mesmo que apenas alguns minutos, porque aumenta a nossa autoestima e é essencial para a nossa saúde física e mental. Votos de um Feliz Dia da Mãe.

ENTREVISTA NA INTEGRA NA NOSSA EDIÇÃO 19 À VENDA NA LOJA ONLINE ( PORTES DE ENVIO GRÁTIS) E NA BANCA PERTO DE SI