SALPICOS DE OUTONO

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BRINCAR AO AR LIVRE

Tanto para miúdos como para graúdos, não há nada melhor do que brincar ao ar
livre, de preferência em contato com a Natureza e com todos os elementos que
ela nos pode oferecer.

No espaço exterior é possível brincar ao ar livre, interagindo com o meio que os
rodeia, de forma espontânea, leve e autêntica e também com brincadeiras
orientadas e que em conjunto, contribuem para o desenvolvimento intelectual e
motor das crianças.

Um jardim ou um parque são ambientes ideais para realizar diversas atividades
que permitem dinamizar um conjunto de possibilidades que não são possíveis de
concretizar, ao permanecer no interior de casa.

A investigação indica que as crianças que mexem o seu corpo e que realizam
atividades motoras têm indicadores de atenção e flexibilidade cognitiva mais
elevados do que as crianças que não praticam atividades físicas e/ou que passam
muito tempo a ver televisão ou a mexer no computador/telemóvel.

Ao experimentar várias explorações motoras e progressivamente mais
desafiantes, as crianças vão melhorar as suas competências psicomotoras e
crescer com maior autonomia, criatividade e tornar-se com maior capacidade de
resolver problemas, mais seguras e confiantes. A sua coordenação motora e
equilíbrio vão melhorando e afinando, à medida que se vão aventurando mais, em
momentos de tentativa e erro. Neste seguimento, todos os momentos que forem
possíveis de proporcionar ou de facilitar de movimento ao ar livre, irão permitir
uma rica dose de diversão, onde a aprendizagem está naturalmente inerente.

As brincadeiras em família ao ar livre são ainda um excelente exercício físico e
fortalecem as relações sociais e a união de toda a família.

Partilho de seguida, 16 sugestões de atividades que ajudam no processo de
estimulação do desenvolvimento das crianças, através do movimento do seu
corpo, libertando energia e explorando diversas ações e brincadeiras.

A apanhada:

a mítica atividade de fugir enquanto um dos participantes tenta
apanhá-los. Quem for apanhado, passa a correr atrás dos outros para os apanhar.
Escondidas: quem nunca? É uma atividade versátil, que nos ajuda a ser criativos
na escolha do esconderijo e no controlo dos movimentos do corpo corpo, da
nossa linguagem verbal e respiração, de forma a não sermos encontrados.

Sombra dinâmica:

Esta brincadeira é muito interessante para estimular o desenvolvimento motor.
Escolhemos um sítio em que o sol nos presenteie, para que possa haver sombra
no chão ou na parede. Vamos experimentar fazer movimentos com o corpo que
sejam engraçados e os restantes elementos deverão fazer igual e copiar a sua
sombra. Podemos ser os animais da floresta, objetos de escritório ou outras ideias
que nos surjam e usufruir da diversão que nos pode proporcionar.

O Rei/a Rainha manda:

Um elemento é o rei/rainha e dá uma sugestão de movimento, que os outros
elementos terão de realizar (e.g: o rei manda rodopiar 3 vezes; o rei manda dar 5
voltas a correr à volta de uma mesa). Depois é a vez de outro rei/rainha dar as
suas ideias e todos experimentarem.

Cabra-cega:

Um do participantes vai ter uma venda a tapar os seus olhos, enquanto os outros
correm, fazem movimentos ao seu redor e entoam uma lengalenga. O objetivo é
que ele toque em algum dos outros jogadores. Quem for tocado passa a ser a
cabra-cega e trocam os papéis.

Corrida de sacos:

Esta atividade conjuga o exercício físico com a diversão. Colocam-se dentro dos
sacos e começam uma corrida, para ver quem chega mais depressa, sem cair ou
rasgar o saco.

Saltar à corda:

Podemos saltar sozinhos, a pares ou com vários amigos e família a saltarem ao
mesmo tempo. Experimentar entrar um de cada vez enquanto a corda está em
movimento, ou entrar ao mesmo tempo. Temos de nos coordenar muito bem para
a corda não bater no nosso corpo.

Macaquinho do Chinês:

Um, dois, três, macaquinho do chinês…stop! Esta atividade implica que um
elemento, enquanto conta até três, não olhe para quem está atrás de si, a tentar
atingir a meta. Quando abrir os olhos, se vir alguém a mexer-se, essa criança terá
de voltar ao ponto de partida e recomeçar. Quem conseguir chegar mais depressa
junto do “macaquinho”, ganha e inicia a contagem.

Andar de bicicleta:

Este plano costuma ser dos mais populares entre as crianças. Mistura a
aprendizagem de andar de bicicleta com a descoberta de novos caminhos.

Corrida ao ar livre:

“Partida, Largada, Fugida”. As corridas ajudam muito a libertar energia e a
explorar passos mais pequenos ou mais largos, de forma mais rápida ou mais
lenta, gerindo se quem nos está a querer apanhar está perto ou longe de nós.

Caça ao tesouro:

Uma caça ao tesouro ao ar livre – uma atividade que incentiva os pequenos a
questionar os cinco sentidos enquanto os mantém atentos à tarefa. Pode ser uma
atividade igualmente divertida para os mais crescidos.

Andar de skate:

Precisamos de um terreno plano que nos permita experimentar como nos
equilibrar melhor em cima do skate e podermos sentir o ar enquanto nos
movimentamos. Se estiver a ser muito desafiante, podemos sentar-nos e dar o
impulso com os pés.

Piquenique:

Esta é uma das minhas atividades favoritas – fazer um piquenique. Poder desfrutar
da companhia da família e amigos, com a companhia da natureza e dos animais
envolventes. É encantador tanto para as crianças, quanto para os adultos.

Dançar:

Dançar faz o mundo girar e faz-nos sentir ainda mais felizes. Uma música mais
mexida numas vezes, que nos faça dançar muito, uma mais tranquila noutras
vezes, que nos faça relaxar e acalmar o nosso corpo.

Jogos com bolas:

Seja para fazer lançamentos a um alvo, ou para jogar futebol, ter uma bola em
momentos de brincadeiras ao ar livre, poderá proporcionar mais possibilidades de
interação e de movimento.

Bolas de sabão:

É um sucesso sempre garantido para todas as idades. Os bebés começam a
reparar e a querer agarrar e as crianças mais crescidas, saltam e correm para
apanhar o maior número de bolas de sabão.

Conclusão:

Existem inúmeras atividades para serem realizadas em espaços exteriores, que
irão despertar o potencial das crianças e que ficarão gravadas nas suas
memórias. Certamente ainda se lembra das brincadeiras que fazia com os seus
pais ou avós e esta também é uma forma de passar o legado dessas brincadeiras
para os seus filhos.

Os jogos lúdicos como a “apanhada” e as “escondidas” podem desenvolver
várias competências, como é o caso da tomada de decisão, controlo de
ansiedade e noção comportamental. Perante os desafios, as crianças encontram
soluções com facilidade, podendo assim generalizar para circunstâncias como a
aprendizagem escolar ou a fase da adolescência.

Estas interações e brincadeiras são muito úteis e contribuem para um melhor
raciocínio, coordenação motora, coordenação das mãos e olhos, planeamento
motor e lateralidade, que são fundamentais para alcançar maiores competências
ao nível da aprendizagem escolar futura e a própria vida adulta.

Os dias poderão ser mais leves e autênticos, tal e qual como as crianças são.

Lúcia Salpicos com Amor

POR: Lúcia Garcia
Técnica Superior de Reabilitação Psicomotora
Formadora certificada
Fundadora da Salpicos