Quarentena _ inferno ou oportunidade?

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Depois de 15 dias fechados em casa, em regime de teletrabalho e com filhos em idade escolar com aulas à distância, tudo nos parece um pouco mais dramático à medida que os números de infetados por COVID 19 crescem apesar dos nossos esforços.

  • Como gerir tarefas escolares com horários de trabalho que tentamos em vão replicar em casa com solicitações constantes dos mais novos?
  • Como lhes explicar que, apesar do nosso amor incondicional por eles, trabalhar é uma necessidade que vai muito além do ordenado no final do mês?

Trata-se de dar o nosso contributo para uma sociedade que precisa de quem não tenha medo de se ajustar, aprender ou explorar novas formas de fazer o que há anos fazíamos da mesma forma.

É um desafio que nos veio acordar da rotina que há muito nos havia entorpecido a alma e a inteligência – é o privilégio de descobrir novas formas de nos manter ligados e ativos apesar do isolamento físico, procurando e testando novas soluções em questão de horas e minutos.

Confesso que, apesar de alguns momentos de maior tensão com os miúdos, é incrível perceber a sua curiosidade acerca do que fazemos, como e porque o fazemos. Certo é que, consciente ou inconscientemente, somos exemplo e o nosso papel enquanto pais é também mostrar-lhes que, mais do que uma fatalidade, evoluímos mais rapidamente na adversidade do que em qualquer outra fase!

Saibamos comunicar-lhes esta nova perspetiva e devolver-lhes a responsabilidade de se recriarem nos seus tempos livres, agora confinados mais do que nunca, e limitados no tempo que passam em frente a qualquer ecrã.

Cá por casa são comuns os fortes, as batalhas épicas contra dragões no meio do universo, com naves poderosíssimas feitas de lego que se destroem em pleno voo; as experiências culinárias, mais docinhas e outras nem por isso, as danças e os campeonatos de piadas que nos fazem doer a barriga de tanto rir, numa criatividade recente jamais sonhada.

Contudo, nem só de coisas engraçadas vive a experiência familiar doméstica por estes dias! Os limites e as rotinas são também aprendidos nestes momentos:

  • os fortes sobrevivem apenas algumas horas, sendo impreterivelmente arrumados antes da hora de dormir;
  • os legos (inimigos ou não) acabam sempre juntos na caixa para o efeito;
  • a loiça resultante das experiências culinárias é limpa antes da degustação final;
  • e as tarefas domésticas são feitas em equipa enquanto se contam piadas ou se fazem charadas.

São apenas alguns exemplos de como esta quarentena se poderá tornar para nós pais, uma oportunidade de educarmos os nossos filhos com regras e rotinas que os ajudam a evoluir, a sentir-se mais seguros e a crescer com responsabilidade e autonomia.

Aproveitemos esta quarentena para os fazer sentir-se amados enquanto os educamos para a vida!

POR: Isabel Valente     Professora e Mestre em Educação