Qual é o papel educativo dos avós?

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Na educação das crianças, os pais têm um papel fundamental, mas os avós também poderão ser um elemento muito importante, seja na atribuição de papéis ou no cumprimento de regras e

limites. Assim, educar não é fácil, mas poderá ser uma tarefa partilhada entre duas gerações, e complementada entre pais e avós, desde que tenham comportamentos concordantes e direccionados para os mesmos objectivos.

Avós como cuidadores secundários

Actualmente com as exigências profissionais, em termos de dedicação ao trabalho e de horários tardios e prolongados, é cada vez mais frequente a presença dos avós na vida dos seus netos. Estes funcionam como cuidadores secundários, na ausência dos pais.

Podem ir buscar os netos à escola, passear com eles, fazerem os trabalhos de casa e, por fim, dar-lhes banho e jantar, enquanto os pais trabalham.

Desta forma, as crianças sentem-se apoiadas e amadas por pessoas que conhecem e que também representam segurança emocional e tempo de qualidade para estarem diariamente.

No entanto, há que salientar que os avós não podem substituir os pais, pois esse papel educativo principal deverá ser sempre desempenhado pelos progenitores. Estes são os responsáveis principais pela educação da criança, seja em termos de regras ou de afecto. E estes papéis deverão ser bem delimitados desde o início, para que a criança não fique confusa.

Benefícios desta relação avós-netos

A proximidade entre avós e netos, poderá trazer inúmeros benefícios para a criança, pois os avós são um elemento de suporte familiar, que faz a ponte entre duas gerações. A saber:

Maior estabilidade emocional

A criança adquire uma maior estabilidade emocional, porque além dos pais, divide o seu dia a dia com uma fonte segura de afecto e que lhe proporcionará uma experiência de amor incondicional e de regras diárias, especialmente nos momentos de dificuldades na escola ou noutra área individual.

São um modelo seguro e tradicional

A passagem de experiências antigas e de um comportamento diferente do dos pais, reforça junto da criança a importância de continuidade da família, dando-lhes a conhecer uma vivência mais tradicional que de outra forma, não teriam acesso. Por outro lado, desta forma enriquecem igualmente a criança com valores mais tradicionais, mas honestos e verdadeiros.

Mediadores entre netos e filhos

Por vezes, a criança busca conforto junto dos avós, no caso de desavenças entre os pais, sendo que assim cresce uma relação de partilha e de entreajuda desde cedo e que se prolongará muitos anos.

Tempo para brincar e de liberdade

Com a correria actual, por vezes as crianças não têm tempo para brincar e serem crianças livres e felizes. Com os avós, as crianças vão ao parque, brincam em casa e simplesmente são crianças de forma natural e sem pressões externas.

Regras a seguir pelos avós

Para que tudo funcione de forma integrada e fluida, é fundamental que haja o estabelecimento prévio de regras a seguir, de modo a que não haja uma discrepância entre a forma de actuar dos avós e dos pais. Nestas situações, a criança irá ter modelos muitos díspares e não saberá lidar com esta discrepância de comportamento.

Deste modo, os pais devem organizar regras de actuação dos avós, como as descritas seguidamente:

  1. Coerência de regras entre pais e avós

Devido às diferenças geracionais, a educação actual poderá ser muito mais permissiva do que antigamente. Por isso é fundamental que sejam os pais a estabelecer primeiramente estas regras de comportamento, e que os avós mantenham exactamente as mesmas regras que as crianças têm no seu ambiente familiar. De outra forma, a criança conseguirá manipular as situações de acordo com os seus interesses, o que se tornará muito negativo.

  1. Os pais são a autoridade principal

As regras estabelecidas pelos pais têm que ser seguidas escrupulosamente pelos avós, com o risco de a autoridade parental poder ser colocada em causa e desrespeitada nas situações futuras. Seja em horários, tarefas, alimentação, de dinheiro ou outra área.

  1. Imposição de limites claros e explícitos

Uma criança pede limites para o seu comportamento de forma natural, pois de outra forma, não saberá como se comportar nas situações. Se a educação parental for rígida nestes limites, também os avós deverão impor limites sem mimar excessivamente os netos. Residem aqui muitos dos conflitos entre pais e avós, pois estes tendem a ser mais brandos e permissivos como por exemplo nos horários, nas prendas, entre outros exemplos.

  1. Motivação através do reforço positivo

Nas gerações anteriores, possivelmente não era dada tanta importância ao reforço positivo da criança, através de gestos de carinho ou frases motivadoras. Actualmente também os avós deverão contribuir para a construção de uma auto estima sólida dos netos, devendo por isso ser positivos e estarem atentos aos elogios e apoio.

  1. Controlo das prendas

Embora possa ser atractivo, há que controlar as prendas que as crianças recebem (das mais baratas às mais dispendiosas) por parte dos avós. Este papel deverá ser dos pais e o simples acto de os avós poderem oferecer prendas de forma sistemática, cria uma criança exigente e que irá avaliar o afecto da família (e dos outros) através das prendas que lhe dão. Amor não são prendas, mas sim carinho, atenção e disponibilidade.

  1. Papel educativo ao nível alimentar

Por vezes, também poderá ocorrer uma discrepância no tipo de alimentação entre a casa dos pais e dos avós. Cabe igualmente aos avós, que a criança se alimente de forma saudável e que não esteja constantemente a consumir essencialmente doces que adora. Desta forma, a autoridade é retirada aos pais e por vezes, a criança começa a ter excesso de peso.

No fundo, o papel dos avós deverá ser um complemento à educação dada pelos pais, havendo possivelmente mais disponibilidade de tempo para estarem com as crianças. No entanto, se as regras educativas dos pais forem respeitadas, a criança sentirá que com os avós estará num ambiente seguro e que constitui a continuação do ambiente familiar, cheio de amor e de disponibilidade emocional.

Célia Francisco _Psicóloga Clínica