Em qual destes tipos de mulher encaixa?

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Silhouette of ten young women, walking hand in hand.

Um estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos identifica características das mulheres portuguesas e agrupa-as em oito descrições tendo em conta a sua situação de vida.

Quantas situações de vida há entre os 2,7 milhões de mulheres adultas que este estudo contempla? Quantas mulheres estão a viver em cada situação? O que caracteriza as mulheres que estão a viver em cada situação? E em que situações as mulheres costumam sentir-se mais felizes? Dos 48 critérios que se utilizaram para classificar as mulheres nesta investigação, pode concluir-se que as suas vidas são especialmente determinadas por dois deles: a idade e o nível de escolaridade.

A idade tem um impacto muito grande na vida das mulheres porque, regra geral, acaba por complexificá-la. Isto é, à medida que as mulheres envelhecem, vão adicionando novas frentes às suas vidas, que acabam, necessariamente, por retirar-lhes tempo para si mesmas.

O nível de escolaridade tem, igualmente, um enorme impacto na vida das mulheres, uma vez que, por um lado, influencia drasticamente a possibilidade de desafogo financeiro no final do mês e, por outro, a própria atitude perante a vida. O facto de as mulheres mais escolarizadas apresentarem, genericamente, uma atitude mais otimista em relação à vida do que as mulheres menos instruídas acaba por condicionar a forma como encaram as «três frentes» em simultâneo, a partir do momento em que têm filhos/as.

A análise de todos os critérios que caracterizam e determinam a vida das mulheres permitiu tipificar oito situações que agregam um grande número de mulheres com características e circunstâncias de vida semelhantes:

  1. «Tudo pela frente»

Inclui 9% das mulheres. Esta situação foi assim designada porque integra as mulheres mais jovens, com uma idade média de 23 anos, e cuja vida está ainda por construir. A maior parte está a estudar e, por isso, vive em casa dos pais. Estas mulheres ainda não têm filhos nem vivem com a pessoa parceira, pelo que esta é a situação da vida em que dispõem de mais tempo para si próprias. Têm um estilo de vida muito saudável: a grande maioria (74%) pratica alguma atividade física de forma regular ou ocasional, não fuma (88%) e costuma consumir bebidas alcoólicas menos de uma vez por semana (75%). Não se sentem felizes com a vida (40%). A felicidade média neste grupo é de 6,8 (numa escala de 0 a 10). Em grande medida, as decisões-chave das suas vidas ainda estão por tomar.

  1. «Tu e eu podemos»

É uma das situações mais recorrentes: 16%. Esta situação tem esta denominação porque as mulheres que a compõem, além de terem um trabalho pago que lhes confere independência económica, se encontram quase todas a viver com um companheiro, ainda que dois terços não tenham formalizado a relação. Este grupo não apresenta ninguém com mais de 50 anos e a média de idades situa-se nos 32 anos. É a situação com uma maior percentagem de mulheres que completaram um mestrado ou doutoramento (17%). Estas mulheres ainda não foram mães, mas a larga maioria diz que gostaria de ter filhos, no futuro. É uma das situações em que as mulheres têm menos dificuldades em fazer chegar o dinheiro até ao fim do mês. Mais de metade diz que se sente feliz com a vida. A felicidade média deste grupo é das mais elevadas entre os oito perfis de mulheres: 7,6 (numa escala de 0 a 10).

  1. «Eu posso»

Representam 12% e têm, em média, 34 anos. Esta situação contempla mulheres que costumam ter apenas a «frente trabalho pago», o que lhes confere independência económica, mas não a suficiente para viverem sozinhas, e ajuda a explicar que metade delas viva em casa dos pais. Apenas um terço tem pessoa parceira, mas não vive com ela. A situação económica é menos robusta do que a do grupo apelidado «tu e eu podemos», não por auferirem rendimentos inferiores, mas por contarem apenas com um só ordenado. Para estas mulheres, o trabalho é mais central, e metade delas declara que trabalharia mesmo que não precisasse do dinheiro. É o perfil que inclui mais mulheres que nunca quiseram ter filhos. É um dos grupos identificados a apresentar uma percentagem maior de mulheres que afirmam que a vida está abaixo das suas expectativas (62%). Sendo assim, a felicidade média atinge apenas 6,6 (numa escala de 0 a 10).

  1. «Resignadas»

São 11%. Esta situação inclui mulheres cuja vida está muito marcada pela frustração que sentem por não conseguirem um trabalho pago, apesar de ainda terem tempo pela frente para remediá-la, uma vez que a idade média é 39 anos. Grande parte delas está desempregada e ativamente à procura de emprego (64%). É uma das situações com mais mulheres que deixaram de estudar quando concluíram o ensino básico e ainda com menor número de licenciadas (20%). Mais de metade vive com o companheiro e tem filhos. Neste grupo a idade não é uma questão determinante, uma vez que nesta situação se inserem mulheres entre os 18 e os 64 anos. É um dos oito perfis a apresentar um elevado consumo de antidepressivos (22% fazem-no com frequência, e 5% uma a três vezes por mês). As mulheres incluídas neste grupo são as que referiram, mais frequentemente, ter sido vítimas de assédio no trabalho e ainda de violência doméstica e de género. A felicidade média é a segunda mais baixa dos oito perfis: 6,4 (numa escala de 0 a 10).

  1. «Em luta»

São 13% e têm, em média, 40 anos. A grande maioria das mulheres nesta situação acumula as três frentes – «trabalho pago, pessoa parceira e filhos ou filhas» – e encontra-se em sérias dificuldades para conseguir lidar simultaneamente com todas. É o perfil em que mais mulheres têm excesso de peso, das quais 25% são obesas. É a situação que apresenta uma percentagem maior de mulheres que se declaram demasiado cansadas: 19% delas «sempre» e 68% «quase sempre». É um dos perfis em que mais mulheres afirmam que não trabalhariam se não precisassem do dinheiro (43%). É das situações em que mais mulheres declaram que a vida está abaixo das suas expectativas (65%) e a situação em que uma percentagem maior tem mais dificuldades para fazer o dinheiro chegar ao fim do mês. A felicidade média deste grupo é de 6,8 (numa escala de 0 a 10).

  1. «Tudo sob controlo»

É a situação mais numerosa: 18%. Foi assim designada porque a grande maioria das mulheres nela incluídas tem na sua vida as três frentes, mas consegue lidar com estas sem grandes dificuldades. O sucesso que revelam a ultrapassá-las é, precisamente, o que as distingue do grupo anterior. Estas mulheres têm, em média, 41 anos. É um dos perfis em que há mais licenciadas, visto que metade delas tem um curso superior. Quase todas (78%) têm trabalho pago e um companheiro, com quem vivem. Tendo em conta o elevado nível de qualificações, é uma das situações em que as mulheres têm maiores rendimentos. Nesta situação verifica-se o valor mais alto de mulheres que recusaram alguma oferta de trabalho mais exigente ou que colocaram um «travão» no trabalho pago por motivos pessoais/familiares (37%). Quase dois terços manifestaram que se sentem felizes ou muito felizes com as suas vidas. A felicidade média neste perfil alcança o segundo valor mais elevado: 7,8 (numa escala de 0 a 10).

  1. «Realizadas»

Perfazem 11%, apresentando uma idade média de 55 anos. Aliás, é um dos perfis que inclui mulheres com mais idade: entre os 50 e os 64 anos. Esta situação contempla mulheres que, tendo ultrapassado as primeiras fases do seu ciclo de vida adulta, se sentem felizes ou muito felizes com a vida que construíram. Esta situação apresenta a percentagem mais elevada de trabalhadoras independentes qualificadas (10%), de proprietárias de um negócio/empresa (14%), de mulheres que trabalham mais horas por semana, que viajam mais em trabalho e que têm maior flexibilidade para trabalhar a partir de casa. Praticamente todas têm filhos, trabalho pago e companheiro, ou, pelo menos, duas destas frentes. Este é o grupo que se sente mais realizado com a relação de casal que tem (81%). É um dos perfis que inclui uma maior percentagem de mulheres com excesso de peso (58%). A felicidade média com a vida alcança o valor mais elevado de todos os perfis: 8,5 (numa escala de 0 a 10).

  1. «Esgotadas»

São 10%. Esta situação abrange mulheres muito marcadas, simultaneamente pelo facto de não terem conseguido satisfazer as suas expectativas em relação à vida, e ainda por terem, regra geral, pouco tempo para remediar essa frustração. Do ponto de vista etário, estas mulheres têm um perfil semelhante às «realizadas»: têm entre 50 e 64 anos, e uma média de idades de 57 anos. Praticamente metade delas tem trabalho pago e, destas, mais de um terço são funcionárias públicas. É a situação em que mais mulheres reconhecem que não trabalhariam se não precisassem do dinheiro (47%). Contém 40% de mulheres que pararam de estudar quando completaram o ensino básico (o dobro das «realizadas»). É uma das situações em que existem mais mulheres com excesso de peso (57%). No que respeita ao companheiro, é a situação em que uma maior proporção de mulheres se sentem «enganadas» com a relação de casal (42%). É ainda o grupo que detém uma maior proporção de «mães arrependidas»: 9%. A felicidade média com a vida é a mais baixa de todos os grupos: 5,9 (numa escala de 0 a 10). É situação em que mais mulheres reconhecem que a vida ficou aquém das suas expectativas (67%).