Projecto contra restrição do crescimento fetal premiado

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Uma em cada dez gestações é afetada pela restrição de crescimento fetal, para a qual ainda não existe nenhuma terapêutica disponível. Investigadores da Maternidade Alfredo da Costa têm pesquisado um tratamento e o projeto foi distinguido com o prémio MSD Investigação em Saúde. Um feto está em restrição de crescimento quando ainda no útero é excessivamente pequeno, o que é possível verificar através da realização de uma ecografia. Acontece quando o bebé está abaixo do percentil 10 para a sua idade gestacional, em associação com alterações no fluxo de sangue da mãe para o feto. Regra geral, está ligado ao mau funcionamento da placenta, que não passa de forma correta os nutrientes e o oxigénio que o feto precisa para crescer. No entanto, não sendo possível evitar este funcionamento deficitário, existem alguns fatores de risco para que isto aconteça, como tabagismo, a idade avançada da mãe, infeções, ganho ponderal insuficiente durante a gravidez ou uma má alimentação. Estes casos são acompanhados clinicamente no sentido de se tentar perceber as causas e, havendo essa possibilidade, proceder-se a uma correção. Vão sendo feitas análises para assegurar que tudo está bem tanto com a mãe como com o bebé. Nos casos em que a passagem de nutrientes e oxigénio é mesmo muito insuficiente, corre-se o risco da ocorrência da morte fetal in útero. Nesses casos, pondera-se a provocação do parto, caso a idade gestacional o permita. A restrição de crescimento fetal está associada a uma elevada mortalidade e morbilidade: estima-se que seja responsável por 50% de todas as mortes fetais, e é uma das causas mais frequentes do parto pré-termo iatrogénico, isto é, induzido por causa médica antes das 37 semanas de gestação. Atualmente, não existe nenhuma terapêutica disponível, com exceção do tratamento de eventuais infeções ou modificação de estilos de vida menos saudáveis, nas situações em que estes se verifiquem. Um grupo de investigação da Maternidade Dr. Alfredo da Costa, em Lisboa, propôs que a utilização de anticoagulantes, nesta patologia, poderia ser útil para melhorar os seus desfechos. Este protocolo, vencedor do prémio MSD de Investigação em Saúde, oferece uma hipótese promissora para o tratamento desta patologia atualmente sem cura.