Projecto promove alimentação saudável e sustentável 

0
63
Ana Leonor Perdigão _ Nutricionista e responsável pelo Programa

Com mais de duas décadas de existência, o Programa Educativo “Nestlé por Crianças Mais Saudáveis” procura inovar-se para continuar a incentivar crianças e jovens, professores e comunidades a comer melhor.

Sobre as novidades implementadas e o processo de transição digital, falámos com Ana Leonor Perdigão, nutricionista e responsável pelo Programa que já chegou a mais de 3 milhões de alunos em Portugal.

Este ano, ainda em pandemia, o projeto “Nestlé por Crianças Mais Saudáveis” foi aplicado em cerca de 1.300 escolas, entre outubro e maio, chegando aproximadamente a 130.000 crianças e mais de 1.800 profissionais. Devido ao contexto pandémico, o Programa foi implementado digitalmente mantendo-se o contacto personalizado com professores e educadores, que em cada escola são responsáveis pela sua dinamização.

Já com 20 de existência, esta iniciativa, que resulta de uma parceria com a Direção-Geral da Educação do Ministério da Educação, é constituído por um conjunto de materiais pedagógicos especialmente dirigidos a alunos e professores entre os quatro e os 12 anos, permitindo-lhes abordar os temas da alimentação e estilos de vida saudáveis na sala de aula, “de uma forma divertida e pedagógica”.

Desde a sua génese, o projecto já sensibilizou mais de 3 milhões de alunos do Pré-Escolar e Ensino Básico para a importância de uma alimentação equilibrada e manutenção de um estilo de vida saudável, aliado à prática de exercício físico e, segundo os promotores, do trabalho desenvolvido ao longo dos anos, constata-se que “as crianças que participam no programa, não só têm mais conhecimentos sobre alimentação, como têm padrões alimentares mais saudáveis, consumindo por exemplo mais sopa e fruta”. 

A cada ano letivo são definidos os temas principais a dinamizar, com enfoque nos últimos anos na relevância do pequeno-almoço, na sensibilização para a importância de conhecer as porções dos vários alimentos, bem como na alimentação sustentável. Ana Leonor Perdigão, NHW Manager e responsável pelo Programa faz um balanço da iniciativa e deixa mensagens importantes.

Qual o balanço que faz da implementação deste programa?

O programa “Nestlé por Crianças Mais Saudáveis” conta já com mais de 20 anos de existência e tem contribuído para que as famílias adotem hábitos de vida mais saudáveis. Todos os anos recebemos feedback muito positivo de alunos e professores. Sabemos da importância de prosseguir com o nosso trabalho nas escolas e junto das famílias, pelo que em tempos de pandemia não baixámos os braços e adotámos um novo formato digital que nos permitiu continuar a passar a nossa mensagem. No nosso país, esta iniciativa já sensibilizou mais de 3 milhões de alunos do Pré-Escolar e Ensino Básico para a importância de uma alimentação equilibrada aliada à prática regular de exercício físico como parte de um estilo de vida saudável.

Que novidades têm sido integradas neste projecto? 

Importa destacar que ao longo destes anos temos vindo sempre a inovar e a trazer, não só novos materiais, mas também novos conteúdos, de modo a que o tema se mantenha relevante para os professores e apelativo para as crianças. Este ano lectivo, por exemplo, o Programa deu mais um passo em frente no sentido de integrar um novo capítulo sobre “Alimentação Saudável, Alimentação Sustentável”.

E em abril foi lançada a Alimentolândia, uma plataforma digital de jogos didáticos (para famílias com crianças dos três aos dez anos), centrada no tema “Alimentação Saudável e Sustentável”. Nesta fase,  plataforma é divulgada através das escolas, chegando dessa forma à casa dos portugueses, mas em breve será comunicada diretamente às famílias.

Foi também lançada a 2.ª edição do Observatório da Alimentação 3-10, agora digital, que visa conhecer o que comem as crianças entre os três e os dez anos em Portugal, com enfoque no pequeno-almoço e lanches. Além do tipo de alimentos, procura-se perceber a relação da criança e família com a alimentação, nomeadamente na compra de alimentos, e na escolha e preparação dos mesmos. O Observatório foi lançado em março e recolheu, até maio, respostas de mais de 1.000 famílias. Está previsto um novo questionário para o verão, assim como a divulgação dos primeiros resultados. O Observatório terá continuidade e deverá estar online durante três anos.

Em geral, qual o erro mais comum na alimentação das crianças, nomeadamente em ambiente escolar? 

De uma forma geral, as crianças portuguesas apresentam um consumo diário de fruta, legumes, quer na sopa quer no prato, abaixo das recomendações. Por outro lado, existe uma elevada percentagem que consome frequentemente biscoitos/bolachas, doces e bolos. Em particular, no contexto escolar, os lanches são muitas vezes pouco equilibrados, com a ausência da fruta em natureza e da água, por exemplo.

Pode dar duas ou três sugestões de lanches saudáveis que as crianças possam levar para a escola?

Uma refeição intercalar como o lanche é muito importante para o equilíbrio do dia alimentar, de forma a garantir que o organismo tem sempre disponíveis a energia e os nutrientes de que necessita. Como regra, no lanche devem estar sempre presentes:

  1. Um produto lácteo (que pode ser leite, iogurte ou queijo);
  2. Uma fruta ou legume fresco;
  3. Uma fonte de hidratos de carbono complexos para fornecer energia, como pão de mistura ou integral, barras ou cereais ricos em cereais integrais;
  1. Uma bebida para hidratar, privilegiando a água.

Alguns exemplos:

  • 1 pacote de leite meio gordo + 1 maçã + 2 tostas integrais
  • ½ pão de cereais com queijo + palitos de cenoura + 2 nozes
  • 1 pão de cereais com fiambre de peru/ frango e alface + 1 banana
  • 1 barrita de cereais com cereais integrais + 1 iogurte
  • 1 ovo cozido + 2 mini-panquecas (por exemplo, feitas em casa)
  • 1 pão de mistura com pasta de grão (húmus) + 1 pacote de leite meio gordo + 4 morangos

Algumas opções para cozinhar em família:

  • Espetada de fruta
  • Panquecas de banana
  • Bolachas de NESTUM, Aveia e Maçã

Tem-se falado bastante da importância de uma alimentação saudável e sustentável. Que conceito de sustentabilidade é este associado àquilo que comemos?  

Uma parte importante da pegada ecológica de cada um de nós está relacionada com a alimentação. O modo de produção dos alimentos, a distância que percorrem até à nossa mesa, a altura do ano em que são produzidos, a gestão que fazemos das nossas compras, frigorífico e despensa e ainda os aspetos relacionados com o desperdício alimentar têm um enorme impacto no planeta e merecem ser considerados nas escolhas que fazemos.

E é esta sensibilidade e literacia para a sustentabilidade na alimentação que pretendemos incluir nos conteúdos do programa Nestlé por Crianças mais Saudáveis. Acreditamos que as gerações futuras se preocupam hoje com o planeta e serão muito mais conscientes na forma como usam os recursos naturais.