Quem tem problemas no ombro ponha a mão no ar! (Mas com cuidado) 

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Celebremos o número dois, neste segundo aniversário da revista. Dois é um número especial na anatomia: temos duas pernas e dois braços, dois pulmões e dois rins; temos dois hemicorpos e o nosso coração tem dois lados. 

Temos também dois ombros e muitas vezes é neles que carregamos o mundo. Assim sendo, não admira a prevalência de dor no ombro – pode chegar aos 66% .

Todos nos lembramos de alguém com dor no ombro – normalmente uma dor que limita a funcionalidade, que nos impede de trabalhar ou fazer algumas atividades do dia a dia. Porque para (quase) todas as tarefas precisamos das mãos e para usá-las precisamos de ombros estáveis e fortes. 

Mas muitas vezes a reabilitação do ombro é uma “dor de cabeça”: não é por acaso que se chama ao ombro Complexo Articular do Ombro (CAO). E porquê? Primeiro, porque o ombro compreende um conjunto de articulações e ossos diferentes: o úmero, a omoplata, a clavícula e o esterno. Estes ossos articulam-se entre si como se de rodas dentadas se tratassem, pelo que ao estar uma peça alterada na engrenagem, todo o sistema fica alterado. 

Depois, porque o ombro se situa num local estratégico, onde desembocam muitas dores cuja origem pode estar à distância. O ombro pode doer por disfunções na coluna cervical (os nervos que saem de cada nível da cervical enervam muitas estruturas do ombro, como a pele que o cobre ou a maioria dos músculos que o revestem), pode doer por uso continuado de alguns músculos que usamos para trabalhar ou por posturas erradas permanentes, pode doer ainda por dor referida de outros órgãos como o coração, o fígado ou o estômago. 

(…)

Esta reeducação dos músculos escapulares (omoplata tem um outro nome, que é escápula) tem algumas regras e o primeiro passo é sempre sentir e percecionar o movimento. Perceber que conseguimos juntar e deprimir as omoplatas, como se quiséssemos juntá-las e baixá-las lá atrás desenhando um V.

À medida que nos sentirmos mais competentes a fazer este movimento, podemos mantê-lo mais tempo, associá-lo a movimentos distratores como respirar fundo inicialmente ou mover o braço e, aos poucos, “ensinar” o nosso ombro que este posicionamento deve preceder os movimentos do ombro. 

Este primeiro entendimento é essencial para que comece a compreender melhor o seu ombro e como funciona, mas claro que não é tudo. É extremamente difícil fazer este “reensino” sozinho.

Mas não tem de o fazer! Importa perceber que há profissionais especializados neste processo de treino de estabilidade dinâmica e que o podem ensinar e orientar ao longo desta bela caminhada que é a uma reabilitação ativa, a peça fundamental para um dia a dia sem dor. 

Então, quem tem dor no ombro e precisa de uma ajudinha, pré-ative a omoplata e ponha a mão no ar!

POR: Ana Margarida Monteiro _ Fisioterapeuta

ARTIGO DISPONIVEL NA INTEGRA NA EDIÇÃO 18 À VENDA LOJA ONLINE ( OFERTA DE PORTES DE ENVIO) OU NA BANCA PERTO DE SI)