Prevenir o envelhecimento da voz

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Depositphotos_150415266 Avo e neta com guitarra

Tal como todos os órgãos e tecidos, também o sistema de reprodução de som envelhece

Saiba como proteger as cordas vocais e a laringe para que retarde o processo de presbifonia, que ocorre em geral a partir dos 65 anos.

O aumento da esperança média de vida trouxe tem trazido à tona uma questão que antes passava despercebida: a nossa voz também envelhece. A voz é produzida na laringe, órgão que fica no pescoço e onde estão as cordas vocais.

Elas vibram, em média, 100 vezes por segundo nos homens e 200 vezes por segundo nas mulheres, fazendo com que seja possível emitirmos sons.

Com o passar dos anos, os músculos da laringe modificam-se, as cartilagens endurecem e há menos lubrificação na região, fazendo com que o sistema de produção de som se torne mais frágil e menos eficiente.

O processo, conhecido como presbifonia, ocorre em geral a partir dos 65 anos e pode ter maior ou menor impacto nas competências comunicativas consoante o estilo de vida e a saúde das pessoas. 

Cerca de 50% dos idosos relatam enfrentar momentos de disfonia, ou seja, apresentam algum tipo de dificuldade na emissão vocal que impeça ou atrapalhe a produção natural da voz.

Hábitos como o consumo de álcool e cigarros, alimentação e sono de má qualidade, sedentarismo ou excesso de stress são fatores que influenciam o envelhecimento da voz.

Com o avançar da idade, a laringe sofre duas alterações relevantes do ponto de vista fisiológico: o enrijecimento das cartilagens e a flacidez da musculatura. A rigidez impede a variação de tom e deixa a voz mais aguda.

Vai-se tornando mais frágil, com menor projeção e intensidade, e é comum que saia “tremida”. A flacidez leva à perda do tónus muscular.

Comunicação inclui voz, articulação, projeção, clareza, inteligibilidade, dinamismo, fluência, gestos. Perder parte desses atributos tem impacto em atividades profissionais e de lazer, nos relacionamentos e nas interações sociais. Em última instância, pode levar ao isolamento e à solidão.

Mas há uma série de medidas que podem ser tomadas com o intuito de abrandar este processo de envelhecimento da voz. Praticar uma vida saudável, evitando maus hábitos como os acima referidos é um bom princípio. 

O controle do peso é outro importante fator para a saúde vocal. A obesidade dificulta a respiração —primordial para a produção do som com a passagem do ar pela laringe— e, portanto, compromete a qualidade da voz devido à sobrecarga laríngea.

Por isso é importante caminhar, correr, ou fazer natação, para aumentar a capacidade respiratória.

O oxigénio estimula o funcionamento do sistema cardiorrespiratório e vascular e, segundo os especialistas, “o envelhecimento das cordas vocais é mais evidente em pessoas que não praticam exercício físico”. 

Entre os tratamentos está a fonoterapia, que, através de exercícios como os de emissão de tons agudos ou graves e de sustentação do tom vocal, pretende reforçar as estruturas e a musculatura laríngea. 

Em casos extremos, em que se nota a presença de atrofiamento das cordas vocais, pode haver lugar a intervenções cirúrgicas na laringe, com a inclusão de substâncias como ácido hialurónico.

Além disso, os médicos da voz referem que o canto funciona como um excelente exercício de prevenção.

Não é preciso gritar, nem grandes exageros, até porque essas são práticas prejudiciais às cordas vocais, mas uma harmoniosa cantoria ajuda a retardar o envelhecimento das cordas vocais. 

Recorde-se que a comunicação verbal é fundamental para que as pessoas se sintam menos isoladas e consigam integrar-se melhor socialmente. Por isso, há que cuidar da voz.