OS MEUS FILHOS MUDARAM A MINHA FORMA DE VER A VIDA

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Licenciada em Marketing, Marta Andrino estudou Teatro no Brasil, e hoje é atriz. Casada com Frederico Amaral, também ator, têm dois filhos. Ter sido filha de pais ainda muito novos, fê-la desejar ser mãe cedo. De uma forma ou de outra, para Marta tudo se conjuga, e a vida flui em torno da sua família. O resto, é relativo.

POR:ANA VIEIRA DE CASTRO

Sempre desejou ser mãe ou só conside­rou essa hipótese numa  altura  específica  da sua vida? Desde cedo que considerei ser mãe, e ser mãe cedo. O meu instinto maternal sem­pre esteve muito presente em mim, sentia que quando tivesse os meus filhos iria en­contrar o meu “eu” pleno, e assim foi. Além disso, sempre disse que gostava de ser mãe ainda nova, talvez por ter tido pais tão jovens, e também porque não tinha receios nem etapas fixas que quisesse ver realizadas antes ou depois de ser mãe. Na minha opinião, sendo possível, traz muitos benefícios ser mãe ames dos trinta anos. Pelo nosso corpo, pela disponibilidade que tere­mos quando eles tiverem vinte anos, entre outras coisas. Mas o mais importante é respeitar o tempo de cada um para este chamamento.

Tem ideia de que ao «esco­lher» o seu marido estava também a escolher um pai para os seus filhos? É uma condição, sem dúvida. Mas quando conheci e depois me apaixonei pelo Frederico nem pensei nisso. Só com o tempo, com a nossa sintonia é que fez sentido, aos dois, darmos esse passo. Mas a julgar pelo bem que o Frederico me faz, só podia resultar num superpai. Não podia ter “escolhido” melhor.

Como lembra as suas gravidezes? Identifica algum momento especial? Lembro-as com muito carinho. Amei estar grávida. Sobretudo do Manuel. A minha primeira gravidez foi tudo o que imaginei, quer dizer, foi ainda melhor! Tive desconfortos claro, mas nada de mais, sentia-me cheia de força e energia. Ninguém me parava. A segunda gravidez já foi diferente, mas porque a vivi enquanto cuidava de um bebé de dois anos. E por isso, sentia que dedicava menos tempo ao António dentro de mim. Das duas vezes, foram 40 semanas muito mágicas, recebi tanto carinho de quem me rodeava, dos amigos que cantavam para eles, que conversavam com eles. Fui muito acarinhada e isso enchia-me a alma.

Lembra-se do que sentiu quando, pela primeira vez, pegou ao colo no seu filho recém-nascido? De que forma ele mu­ dou a sua vida? Claro que me lembro. Fui eu a primeira a pegar nele. E ainda recordo o seu cheiro! É tão bom e só existe no primeiro dia. E que mais mudou? A forma como passei a encarar a vida . Já era descontraída, mas desde que eles nasceram, e passaram a ser o reflexo das minhas emoções, tudo passou a estar relativizado. Só passou a ter peso e importância aquilo que realmente tem peso e importância. Desta forma, reduzi naturalmente os problemas “comuns”. Se há solução, não é mesmo um problema e nem perco tempo com isso.

O que acha que mudou do nascimento do primeiro em re­lação ao nascimento do seu segundo, em termos práticos e psicológicos? Sentiu-se mais tranquila com o nascimento do segundo? Confesso que estava mais tranquila no primeiro parto. Queria muito vivê-lo, em nada me assustava. Durante a gravidez não tinha aquela curiosidade de ver o bebé ou tê-lo nos braços por­ que adorava senti-lo na minha barriga, e porque acho o parto o momento mais bonito e fascinante de tudo isto. Cada um com a sua pancada. E assim foi… Vivido com calma, durante a noite, como eu idealizava… Tudo fluiu e lá nasceu um rapa­ gão de 3,810kg. Com o António já foi tudo a “correr”. Cheguei ao Hospital e ele nasceu. Vinha com pressa de sair. E por isso tive dois partos completamente diferentes e lembro-me de cada detalhe, de cada um deles, até chegarem aos meus bra­ços.

 

É um amor, uma cumplicidade, uma dependência natural muito bonita.

Quando embala os seus filhos identifica-se  com a sua mãe, com a relação que ela tinha consigo quando era pequena? Penso nisso muitas vezes. Aquilo que recordo e aquilo que eles irão recordar. Será das mú­sicas, das festinhas, das histórias? Identifico-me, claro, até por ­ que dou muita importância a esse momento do dia. As vezes é o único que tenho a certeza que é só nosso.

Imagina vir a ter uma rapariga? Se por acaso viesse a ter outro filho confesso que adorava ter outro rapaz!!E não iria ao terceiro para “tentar a menina” .

Consegue identificar especificidades na relação mãe-filho? Para os rapazes em geral, e para os meus filhos nesta idade, quase que só existe Mãe na vida deles. É um amor, uma cumpli­cidade, uma dependência natural muito bonita. Claro que vai chegar a fase em que o Pai é o herói e mais ninguém tem razão senão ele. Mas por agora é tudo a mãe. E aqueles olhos apaixo­nados por nós são tão verdadeiros que nos derretem.

Como concilia a vida familiar com a profissional? Gostava/ precisava de estar mais tempo com eles? Apesar da instabilidade da nossa vida profissional, a ausência de rotinas e de horários fixos permite-me estar muito tempo com eles. O Manuel já está na escola, e o António continua con­nosco. Entre nós, eu e o Frederico, conseguimo-nos organizar para que em cada dia tenhamos os nossos momentos . E não há telemóveis nem televisão. É pura brincadeira . Nem que seja in­cluí-los nas tarefas do dia, ir às compras, cozinhar, arrumar a casa. Tentamos que tudo faça parte dos momentos em  família e nisso o Manuel já é super compreensivo porque sabe que o importante  é estarmos juntos.

Como decorre a partilha dos cuidados dos seus filhos com o seu marido? Acha que em relação aos seus pais, por exemplo, hoje os pais são muito mais participativos? Bem, para mim é fácil falar porque já o meu pai, h á 31 anos atrás, era participativo. E o Frederico é assim também .Costumo dizer que a única coisa que ele não faz, é amamentar, embora até nisso ele tenha sido fundamenta l para que tudo fluísse da forma mais tranquila, pela compreensão, apoio e incentivo, pelas vezes que se pensa em desistir de dar de mamar. No resto, estamos de igual para igual. E confesso que não imagino toda esta aventura de outra forma . Tanto para nós mães, como para os filhos.