Os Medos das Crianças II´- para uma Parentalidade + Consciente!

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image of a girl under the covers with a flashlight the night afraid of ghosts

Por que teremos nós, pais, tanto medo dos medos das nossas crianças?

Por mais absurdo que possa parecer, a verdade é que a maior parte de nós receia os medos dos nossos filhos, não só pelo que eles poderão dizer de nós enquanto pais, mas também pelas efetivas limitações que estes lhes poderão trazer.

Aceitemos, no entanto, que, independentemente da idade dos nossos filhos, os medos fazem parte do seu crescimento e da compreensão do mundo que os rodeia.

Por isso, antes de os temer, compreenda que eles permitem que a sua criança aprenda a preservar-se face ao desconhecido, ao perigo e a outras tantas coisas com potencial de as magoarem. Assim, é através dos medos que as crianças aprendem a arte da antecipação e da precaução, desenvolvendo uma competência de gestão de risco que lhes transmitirá maior segurança e domínio sobre a sua vida e crescente autonomia.

Todavia, os medos poderão também ser prejudiciais quando induzem a criança ou aqueles que a rodeiam a rotulá-la como “medricas” ou “cobarde”, prejudicando a sua autoestima e autoimagem. Desta forma, o ideal será reconhecer a emoção e o medo do seu filho, normalizando o mesmo e partilhando com ele os seus próprios medos, bem como a forma como os ultrapassou, respeitando sempre o tempo e ritmo dele. Seja sensível e empático sem dramatizar, pois tal assegurará uma maior conexão emocional entre ambos!

Quais os medos mais comuns?

Desde que nascem, as crianças revelam medo de ruídos fortes e pessoas estranhas; a partir dos dois anos é recorrente o medo do escuro, animais ou da separação dos pais, aos quais se aliam a partir dos quatrp anos o medo dos monstros, pessoas más ou trovoadas. Posteriormente, são comuns os medos das doenças, desastres, raptos ou atentados e, finalmente, a partir dos 10 anos, o medo da morte, do insucesso ou da falta de amigos traduzem a perceção do mundo a partir de diferentes necessidades da criança e do jovem. 

É importante compreendermos que, embora mais característicos de determinadas faixas etárias, os medos surgem consoante a maturidade da criança e sempre de acordo com a forma como evolui também a sua perceção da realidade que a rodeia. 

Como distinguir medos comuns de fobias nas crianças?

Não é fácil desenhar um limite concreto entre um medo comum que se parece arrastar no tempo e uma fobia que vai emergindo lentamente a partir de um conjunto de situações nem sempre bem resolvidas.

Existem, porém, características que nos dão pistas preciosas sobre esta distinção:

  1. Avaliação incorreta do perigo por hipersensibilidade a um estímulo – seja a chuva, o ladrar de um cão que se encontra preso ou o simples anoitecer;

(…)

Por conseguinte, só a partir do cruzamento destas características e um conhecimento concreto da personalidade e maturidade da criança poderemos perceber se estamos perante um medo comum ou uma fobia emergente. Em caso de dúvida, aconselhe-se com um profissional. 

Como ajudar as nossas crianças a lidarem com os seus medos?

Antes de mais, precisamos aceitar que independentemente de quão ridículo nos possa parecer, os medos dos nossos filhos são reais para eles. Como tal, evite irritar-se com o seu filho, optando primeiro por acalmá-lo, para só mais tarde, num ambiente calmo, conversar e fazer perguntas sobre o seu medo, deixando que se exprima e ganhe à-vontade ao fazê-lo sem receio de ser julgado ou rotulado. Depois, procurem juntos soluções e, ainda que não resultem logo à partida, mantenha-se ao seu lado (sem desesperar!), mantendo o ambiente prático e bem disposto.

Se isto parece fácil de fazer, momentos há em que nos sentimos completamente perdidos e inseguros, com um medo brutal de “estragarmos” as nossas crianças. Por isso, a tónica deverá ser sempre ouvir mais do que falarmos, procurar compreender primeiro a criança sem pré-julgamentos e ser genuinamente empáticos, pois enquanto pais conscientes devemos olhar os medos das nossas crianças como uma oportunidade de fortalecermos a nossa relação e conexão com eles enquanto lhes asseguramos o nosso amor sem condições – como o poderão fazer?

Deixo-vos algumas pistas preciosas para construírem juntos o percurso de superação dos medos dos vossos filhos:

  1. Reconheça o direito da criança a sentir medo – valide as suas emoções e evite comparações ou rótulos. Ao fazê-lo estará a normalizar o medo que sente e a influenciar positivamente a sua autoestima;

(…)

No final de contas, o que realmente conta é a relação e a conexão que conseguimos criar com as nossas crianças neste percurso por vezes sinuoso de superação dos medos. Contudo, ao investirmos nele desta forma, estamos simultaneamente a investir numa parentalidade mais rica e consciente, enquanto procuramos desenvolver nos nossos filhos uma autoestima mais saudável! 

Valerá a pena? Nem sabe o quanto!

POR: Isabel Valente _ Mãe, professora e Facilitadora de Parentalidade Consciente

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