OS BRINQUEDOS DAS NOSSAS CRIANÇAS

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Já está amplamente estudado e comprovado o quanto o ato de brincar é importante para o desenvolvimento infantil, já que é a forma que as crianças têm de se expressar e de se conectarem com o mundo.

É também através da brincadeira que a criança encontra oportunidade para resolver os seus conflitos internos, refletindo medos, alegrias e preocupações. Partindo deste pressuposto, os brinquedos acabam, inevitavelmente, por assumir um papel de destaque na vida de uma criança. A questão que se levanta é a seguinte: qual a relação entre BRINCAR e BRINQUEDO?

Citando a pedagoga Maíra Gomes, “Brincar é um processo. Brinquedo é um resultado. O que acontece é que o brinquedo, quase sempre, já vem com um manual de instruções feito por um adulto. O adulto projeta o brinquedo para que a criança lhe dê um determinado uso.” Desta forma, o brincar acaba por ser uma atividade de reprodução (daquilo que foi planeado pelo adulto) e não uma atividade de criação espontânea da criança.

Não é por acaso que, frequentemente, observamos crianças que se entusiasmam mais com o papel de embrulho do que propriamente com o brinquedo que vem dentro. Um papel de embrulho, uma caixa de cartão ou um bocado de madeira podem rapidamente transformar-se num carrinho, numa casa, num boneco, numa nave, num animal ou qualquer outro tipo de coisa.

Porquê? Porque são elementos que não vêm previamente formatados e dão à criança a possibilidade de os transformar naquilo que ela entender. Resumindo: dão-lhe a possibilidade de criar!

É importante perceber que estimular a criatividade e incentivar o brincar, não significa ter de oferecer à criança uma quantidade enorme de brinquedos. Valorizar o brincar é diferente de oferecer todos os modelos e feitios de brinquedos. Se há coisa que uma criança faz naturalmente é criar brincadeiras e criar brinquedos por si própria. Basta dar-lhe diferentes materiais para confirmá-lo.

Diferentes texturas como papel, madeira, borracha, madeira ou tecido têm tanto ou mais potencial para despertar a imaginação do que brinquedos já formatados e preparados para um fim muito específico e pré-concebido. Agora reflita:

Os brinquedos dos seus filhos:

▪ Dão vida à imaginação da sua criança ou são apenas meros objetos que se vão acumulando lá por casa?

▪ São valorizados ou postos de parte com frequência?

▪ Ocupam bem o tempo de brincadeira ou esgotam-se em 5 minutos?

▪ Têm potencial para brincadeiras diferentes cada vez que são usados ou tornam-se aborrecidos em pouco tempo?

▪ São estimados ou descartados com facilidade?

▪ São únicos ou apenas mais 1 em 1000?

Brinquedos Passivos vs. Brinquedos Ativos

Antes de escolher um brinquedo para oferecer, conheça as diferenças entre um brinquedo passivo e um brinquedo ativo. Descubra-as e faça uma escolha equilibrada!

Brinquedos passivos:

▪ são multifunções

▪ estimulam a aprendizagem ativa

▪ provocam a curiosidade e a imaginação

▪ só funcionam se forem manipulados pela criança

▪ exercitam a capacidade para resolver problemas

▪ a criança cria as suas próprias regras

▪ sem a participação ativa da criança, o brinquedo não existe

Ex.: brinquedos tradicionais – legos, blocos de madeira, puzzles, jogos de peças, figuras de animais, jogos de tabuleiro, bolas, brinquedos sensoriais e com diferentes texturas.

Brinquedos ativos:

▪ têm uma funcionalidade limitada e bem definida

▪ servem apenas um propósito

▪ a criança segue as instruções do brinquedo

▪ a criança tem a expectativa que o brinquedo a entretenha

▪ requerem pilhas, bateria ou motor

▪ inibem o pensamento crítico e a aprendizagem ativa

▪ oferecem uma gratificação imediata e constante

▪ podem provocar dependência

Ex.: brinquedos digitais, jogos eletrónicos, robots, drones, brinquedos telecomandados, tablets.

Relação Quantidade – Qualidade

Ter muitos brinquedos não é mau. Mas ter muitos brinquedos disponíveis de uma só vez, poderá provocar excesso de estímulos, sobrecarga do sistema sensorial e superexcitação. A criança tende a dispersar-se na quantidade de brinquedos, alternando entre um e outro sem explorar todo o potencial que cada brinquedo, individualmente, tem para oferecer.

Demasiados brinquedos de uma só vez causam distração e reduzem a qualidade do brincar. Por outro lado, se houver uma quantidade menor de brinquedos à disposição, a criança tem oportunidade de os explorar devidamente e com eles criar um tempo de brincadeira muito mais enriquecedor.

Neste caso, menos é mais! Experimente e veja os resultados: estabeleça um sistema de rotatividade dos brinquedos. Todas as semanas ponha à disposição da criança um conjunto selecionado de brinquedos. Na semana seguinte selecione um novo conjunto, e assim sucessivamente. Dependendo da idade da criança, a seleção pode e deve ser feita com a participação da mesma.

Sabia que…

▪ a duração do tempo de brincadeira é maior e melhor com apenas 4 brinquedos do que com 16

▪ com menos brinquedos, as crianças criam melhores e mais variadas formas de brincar

▪ com menos brinquedos, a brincadeira é mais profunda, consistente e sustentada

▪ menos brinquedos estimulam a criatividade e favorecem o desenvolvimento cognitivo

Se o seu filho tem um brinquedo favorito, é sinal que teve oportunidade para estabelecer ligação com ele, perceber-lhe as características, dedicar-lhe tempo e criar diferentes brincadeiras com ele.

Agora pergunto-lhe: qual era o seu brinquedo favorito? Partilhe com os seus filhos a história dos seus brinquedos e as brincadeiras que criou com eles. Se ainda guarda algum, mostre-o. Pode ser que um dos seus velhos brinquedos ainda consiga uma segunda vida nas mãos e na imaginação dos seus filhos!

 

POR: Sara Nunes _ Coach Infantil e Parental

coach@saranunes.pt

www.saranunes.pt