Os avós, os netos, as férias e a matemática!

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Na vida dos nossos filhos o lugar dos avós é um lugar único.

Na nossa vida de filhos os avós são tantas vezes o socorro nas horas mais tardias, os companheiros que vão levar os netos às atividades desportivas, o lar onde dormem quando temos um jantar ou saída até mais tarde… um lugar especial e quentinho no coração dos netos.

Os avós serão sempre… os avós!

E como em muitas “À conversa com pais…” tenho tido avós e avôs, presenças constantes, assíduas e atentas, e sendo o tema deste mês hoje não podia não escrever sobre as brincadeiras dos avós, o crescimento dos netos e o desenvolvimento de ambos na matemática.

Toda a sabedoria dos avós pode ajudar no raciocínio matemático, mas ficam as sugestões para avós e netos nas próximas férias, porque não jogar ao berlinde?

Porque não aprender a jogar ao pião?

E fazer contas de cabeça?

E não falo só dos rapazes… falo das meninas também, que mal tem?

Como também podem aprender a cozinhar e a cuidar das plantas, nos vasos, no quintal ou na horta… meninas e meninos, avós e avôs, deixo-vos o desafio!

Que os nossos filhos hoje são mais tecnológicas, não temos dúvidas (e com toda a situação que vivemos temo que as tecnologias tenham passado a ser a personagem principal para tantos alunos) e isso faz com que também tenham saberes que podem partilhar com os avós, e muitos já o fizeram… com a quarentena muitos netos ajudaram os avós a fazerem chamadas por vídeo chamada, a enviar fotos pelo telemóvel, a consultar a internet, mas a sugestão hoje é para grandes e pequenos, juntos, na garagem, na varanda, ou no chão da sala, voltem às brincadeiras ricas nas aprendizagens para os mais novos.

Se o miúdo ainda é pequeno jogar ao berlinde pode não ser fácil, mas pode ir aprendendo a jogar às damas, a derrotar latas com uma bola…

Seja aos berlindes ou ao pião, seja a andar de bicicleta, seja na cozinha ou no quintal há competências que os avós desenvolvem nos netos e que nós, professores de matemática, muito agradecemos!

Estes jogos do berlinde ou do pião e tantos outros que todos conhecemos ou podemos criar facilmente (no blog partilho em alguns artigos jogos simples que podem desenvolver por exemplo com as molas da roupa, com os legos) ajudam a:

Aprender a cumprir regras,

Desenvolver a criatividade,

Estimular o desenvolver de estratégia,

Aprender a perder e a ganhar também,

Saber esperar pela sua vez para jogar,

Ser mais paciente,

Lidar com a frustração,

Aceitar o erro,

Aprender com o outro reconhecendo que não sabemos tudo, …

E cuidar das plantas ou aprender a cozinhar estimula também competências importantes para a sala de aula?

Perceber que tudo tem um tempo e que o ritmo de cada um é diferente e nisso não há melhor nem pior, há diferente!

E as plantas não são isso também? Cada uma cresce ao seu ritmo, desenvolvem flor em alturas diferentes, requerem mais ou menos água… precisam de atenção!

Porque não ajudar a que desenvolvem e compreendem a necessidade da delicadeza e da perspicácia?

Ajuda-los a perceber que entre o semear e o colher há um tempo de espera, que não é imediato como nos jogos do tablet das crianças, não será importante? E a matemática também não é assim?

Perante esta situação que todos vivemos há muitos netos e muitos avós que ficaram privados do abraço uns dos outros, da presença diária, do acompanhamento até à porta da escola, dos almoços de domingo acompanhado… e todos tivemos de perceber que nem sempre os planos que fazemos se realizam e que há momentos em que a adaptação a novas situações é também uma competência urgente desenvolver nos nossos filhos e nas nossas famílias.

Os avós podem cria ou desenvolve noções de quantidades, de capacidades, noção de tempo e de espaço… ajudando a entender que o mundo da cozinha é um mundo rico em aprendizagens matemáticas.

Desperta e desenvolve a ajuda ao outro,

os avós são bons a explicar e saber ouvir, são pessoas pacientes e atentas ao pormenor,

são únicos a dar opinião e estão abertos às novidades trazidas pelos netos…

E a matemática não tem necessidade de alunos com estas características?

E tantas outras capacidades e competências que desenvolvem nos netos estes avós fantásticos que lhes conseguem transmitir coisas únicas do seu tempo que podem tão bem ser do tempo deles também!

Se isto vai fazer falta na sala de aula de matemática? Vai! Nem imagina quanto!

POR: Inês Cruz_ Mãe e Professora de Matemática