Nova aplicação pretende travar o bullying

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Teen best friends bullying a girl sad apart out of the game on white background

Chama-se SOS Adolescência, foi desenvolvida por adolescentes portugueses, e venceu a fase regional do evento Apps for Good. Segue-se o concurso com projectos de outras zonas do País.

O desafio lançado pelo programa internacional Apps for Good a jovens dos 10 aos 18 anos era ambicioso: criar aplicações para smartphones e tablets com o objetivo de dar resposta a problemas da sociedade. Um desafio ambicioso e que foi perseguido de alma e coração por dois alunos madeirenses, que há dias venceram a fase regional deste projecto, com a criação da aplicação SOS Adolescência.

Desenvolvida por Luís Falcão, de 13 anos, e Hugo Oliveira, de 14 anos, alunos do Externato Apresentação de Maria, esta app inclui um chat anónimo com um psicólogo especializado em Psicologia Adolescente, que poderá ajudar adolescentes a ultrapassar uma fase da vida por vezes conturbada com mudanças corporais e situações de bullying.

A ferramenta já está praticamente concluída, prevendo-se que possa entrar no mercado dentro de um ano. A aplicação terá disponível uma versão Premium, a partir da qual será possível fazer videochamadas com um psicólogo, para um acompanhamento mais personalizado, com um custo de 1,99 euros.

Foi com este conceito que a aplicação SOS Adolescência venceu a fase regional do evento Apps for Good, que se realizou na Madeira, seguindo-se agora a competição com 22 equipas de outras zonas do País, a 13 de Setembro, em Lisboa.

“A Madeira volta a receber o Apps for Good pelo segundo ano consecutivo, o que demonstra a importância e relevância que este programa tem a nível nacional, no sentido em que promove e ajuda a desenvolver a capacidade criativa dos nossos jovens, utilizando a tecnologia como um meio para resolver problemas e causas sociais”, declarou à imprensa João Baracho, diretor executivo do CDI, instituição que organiza o evento.

O fenómeno do bullying (atos de violência física ou psicológica repetidos contra determinada vítima) na internet está a crescer em Portugal. Quase uma em cada quatro crianças (23%) afirmou ter sido vítima de bullying no último ano, num inquérito realizado em 2018, quando em 2014 a percentagem era de apenas 10%.

O estudo ”EU Kids Online” inquiriu 1974 crianças e jovens, entre os 9 e os 17 anos, em 2018, tal como acontecera em 2010 e 2014. Os que admitem fazer bullying são agora 17%, valor que também duplicou face a 2010. Esta percentagem “cresce com a idade e é mais elevada entre rapazes do que entre raparigas”, refere o estudo.

Segundo o estudo, coordenado em Portugal pela Universidade Nova de Lisboa, também mais do que duplicou a percentagem dos que afirmam terem-se sentido perturbados com a exposição a conteúdos negativos no último ano. A percentagem passou de 7% dos inquiridos em 2010 para 10% em 2014 e para 23% em 2018.