NÓS E AS NOSSAS MAES: O SONHO DO PARAISO PERDIDO

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Durante anos acreditei que as mães tinham a obrigação de ser boas mães, dedi­cadas, interessadas, atentas, disponíveis, doces, meigas, carinhosas, maduras, presentes, estáveis, sempre, todos os dias e todas as horas. Na minha ingenuidade, acreditava que tinham uma missão a cumprir, e ai de quem não o fizesse! Muitos anos depois, por via de um esclarecimento fundamental, tive um vislumbre inesperado: todos nós, somos terrivelmente imperfeitos e as mães não são exceção. Acontece que o bebé depende total e absolutamente da sua mãe, que é o seu «primeiro objeto» interno, com tudo o que isso implica de apoio, cuidados, afeto e outras coisas. A criança vai esperar nada mais, nada menos do que «tudo» da sua mãe. Porém, essa mãe fatalmente  imperfeita jamais poderá dar-lhe o paraíso sonhado. Ficará sempre aquém das expetativas da criança, que assim terá de sobreviver à desilusão e frustração que isso, ocasionalmente, lhe causa. Este «desencontro» é a dinâmica fundamental da nossa vida, à qual teremos de sobreviver . A boa noticia é que a dita dinâmica é um motor fundamental de crescimento e transformação interior. Escusado será dizer que estamos a falar das mães «suficientemente» boas, ou seja, das que amam e cuidam as suas crianças o melhor que podem e sabem, que se preocupam, ouvem e embalam os seus filhos com todo o amor e carinho do mundo. Esta revista de Maio é dedicada a todas essas mães, e às outras também!•

ANA VIE IRA DE CASTRO Jornalista