Mitos e verdades na gravidez

0
258
Depositphotos_201079720 Sorrindo bela mulher gravida de pe com cesta de piquenique no campo de lavanda violeta

Numa das fases mais importantes da vida de uma mulher – aquela em que gera um bebé – todos os cuidados são poucos para que nada perturbe o bom desenvolvimento do feto, bem como a garantia de que se mantém saudável para o momento do parto.

Muito se diz sobre o que se deve ou não fazer. Eis algumas explicações.

 

A grávida não pode estar perto de gatos 

MEIA VERDADE: 

Neste caso, os receios estão relacionados com a toxoplasmose, doença causada por um protozoário que tem nos felinos o seu hospedeiro definitivo: gatos contaminados transmitem o parasita através das suas fezes. A toxoplasmose costuma passar despercebida em pessoas não grávidas. No feto, porém, pode causar problemas graves, incluindo malformações. No entanto, para se contaminarem, os gatos precisam comer ratos ou pássaros que tenham cistos do toxoplasma nos seus músculos. Ou seja, um animal que vive dentro de casa e só come ração dificilmente será contaminado. Mas, na dúvida, e caso não seja imune à toxoplasmose, o melhor é passar a tarefa de limpar a caixa de areia para outra pessoa. 

As grávidas sentem mais calor

VERDADE:

Durante a gestação, o metabolismo da mulher fica mais acelerado e a temperatura do corpo da gestante aumenta. Apesar de ser cerca de 0,5°C de aumento, já é o suficiente para a mulher sentir mais calor. No fim da gravidez, por causa do esforço, a sensação piora ainda mais. 

A mulher grávida deve comer por dois

MITO:

Quem já ficou grávida e seguiu esse conselho popular já percebeu que não é bem assim. Se a gestante tem um peso normal (IMC entre 18,5 e 25, sendo o IMC o seu peso em quilos dividido pelo quadrado da sua altura em metros), ao ficar grávida, poderá colocar na conta do bebé mais 300 calorias por dia. Dois copos de sumo de laranja e já se foi o seu plafond extra. Seguindo essa recomendação, é mais fácil ficar dentro dos parâmetros considerados adequados pelos médicos: o que, com o IMC entre 18,5 e 25, fica entre 11 e 16 kg. Um bom controlo do peso será importante não só para a recuperação da sua boa forma após a gestação, mas também para a sua saúde e do bebé durante a gravidez. Mulheres que engordam muito têm maior risco de desenvolver hipertensão e diabetes gestacional, além de complicações durante o parto. Mas também não é o momento de fazer dieta: ganhar algum peso durante a gravidez faz parte desta fase, desde que seja de forma equilibrada. 

As grávidas devem evitar os banhos quentes de imersão

MEIA VERDADE:

Alguns estudos sugerem que elevar a temperatura corporal acima de 38°C  no primeiro trimestre de gravidez pode aumentar o risco de malformação do feto. E isso é válido tanto para banhos como para atividades desportivas, por exemplo. Mas, se a água da sua banheira estiver apenas morna, à volta dos 30°C, não haverá razões para se preocupar. 

As grávidas não devem beber café

MITO:

Devido a uma possível ligação entre o consumo de cafeína e o aumento das hipóteses  de aborto, alguns guias médicos, como o americano Mayo Clinic Guide to a Healthy Pregnancy, e alguns obstetras, proíbem o consumo de café durante a gestação. Outros permitem algumas chávenas por dia. Porém, “muitos estudos sugerem que a ingestão de 150 mg por dia não causa problemas ao feto”, explica a bioquímica Rossana Soletti. “A contagem da cafeína consumida deve considerar todas as bebidas que a contém, como cola e chás. Uma chávena  grande de café passado tem cerca de 100 mg; um expresso curto, cerca de 65 mg.” 

A gravidez facilita o orgasmo

VERDADE:

Fazer sexo pode ser toda uma nova experiência na gestação. Isso porque, durante a gravidez, a lubrificação da vagina aumenta, assim como o volume de sangue do organismo, e isso deixa o corpo mais sensível à excitação.

Ou seja, é mesmo mais fácil atingir orgasmos quando se está grávida, e eles podem ser até mais intensos do que fora desse período. 

A grávida não pode pintar o cabelo

MEIA VERDADE:

Por trás desta ideia está o receio de que alguns componentes da tinta são tóxicos para o bebé. E é verdade que, em doses muito altas, eles aumentam o risco de malformação em experiências já realizadas com roedores – e alguns estudos com humanos indicam um risco ligeiramente maior de cancro infantil.

O Congresso Americano de Obstetras e Ginecologistas permite a pintura de cabelo após o primeiro trimestre.  Já a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia é mais conservadora. Apesar de admitir que o risco não é comprovado, só recomenda o uso de tintas sem amoníaco. 

 

Pontos nos “is”

O enjoo dos primeiros meses não é pior quando o feto é uma menina.

A azia não tem nada a ver com um bebé cabeludo.

A barriga “bicuda” não indica menino, nem redonda, menina.

Um risco muito escuro na barriga não é sinal de bebé moreno.

A cerveja preta não aumenta a produção de leite.

Nem sempre a barriga grande pressupõe bebé grande. O mesmo vale para barrigas pequenas .