A LUTA DE UMA MÃE COM CANCRO E UM FILHO AUTISTA

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Ser mulher, ser mãe, ser amiga é a minha maior felicida­de. A realização deste sonho foi, é e continuará a sê-lo durante toda a minha vida.

Ser mãe de dois filhos é espetacular. Ser mãe de um filho normal e de um filho considera do diferente é maravilhoso! Cada um com necessidades diferentes, cada um com apoios diferentes .

Até aos dois anos, o Miguel não aparentava ter problemas. Eu tinha apenas a sensação de que não ouvia e que falava pouco.

Quando entrou para o infantário, as educadoras alertaram­-me que algo não estaria bem. O Miguel isolava-se dos colegas, recusava comer e não falava. Era uma situação de angústia para mim, pois não sabia o que se passava.

A educadora do ensino especial acabou por encaminhá-lo para um especialista. Nesse momento, surgiram as palavras Es­petro de Autismo. Surgiram os medos, os receios, as pergun­tas: O que é isto? Tem cura? Tantas perguntas que surgiram… Como sempre, fui uma pessoa positiva e aceitei sem proble­ma as diferenças. Aceitei o Miguel!

Procurei dar-lhe apoio, o melhor que podia, e que passava por saber o que tinha de fazer. Os meus familiares sempre me ajudaram como podiam, assim como as educadoras, que me iam indicando o que devia trabalhar com ele.

O Miguel foi evoluindo devagar, devagar, devagar.

Ele é um menino que tem muitas capacidades e, quando vejo que faz algo que antes não conseguia, é uma grande alegria.

Os profissionais que têm trabalhado com o Miguel têm sido espetaculares.

A minha ligação com ele é enorme. Qualquer problema que tenha, ele chama pela mãe, e é a mãe que resolve.

Sempre o apoiei nas atividades desportivas, neste caso a na­tação, que é o desporto que ele mais gosta. E ajuda receber subsídios do Estado.

Vou a qualquer lugar com ele desde muito pequeno, nunca tive qualquer problema . Até porque ele gosta de sair, ver lu­gares novos.

O problema surge nas férias, quando não encontro institui­ções para o inscrever. Tenho de ser eu a promover alguma atividade com ele.

Face a esta situação, abdiquei da minha vida profissional para poder apoiá-lo o melhor que posso. Contudo, continuo a exercer em casa :dou explicações .

Vou buscar energia para lutar contra estes obstáculos no desporto e na minha vontade de viver, na Vida.

O problema do Miguel acabou por me despertar para dar mais valor à vida. E bem que precisei, porque entretanto en­frentei mais um obstáculo. Tive um linfoma Não Hodgkin B (CD20+) folicular, padrão difuso, estádio IIIB,FLIP4.

Foi um momento difícil, mas mais uma vez sem qualquer revolta . Apenas aceitei!

Nesse momento tive de acordar e pensar que tinha de des­frutar melhor da vida e do meu presente. Porque, no fundo, a vida é cheia de surpresas, sejam negativas ou positivas, e não podemos desistir, temos de ultrapassá-las, contorná-las. Para um problema, existe sempre uma solução.

Neste momento, a minha família é o meu mundo, é o meu lugar de conforto, é o meu ninho. E pensando no futuro, os meus planos são ajudar… e viver!

POR: EUGÉNIA GUSMÃO