Ser a influência positiva na vida dos nossos miúdos

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Grupos de Influências: diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és.

Cresci a ouvir esta frase, principalmente quando falava em alguma amiga nova ou trazia alguém para casa. De onde é? É filha de quem? Onde mora? Quem são os pais? Quais os interesses? Mais parecia uma inquisição do que uma apresentação. Resultado? Muitas vezes não apresentava ninguém. Era mais fácil.

Hoje, como mãe, percebo a preocupação. Mas, ainda mais como Life Coach de Alta Performance, porque compreendo perfeitamente que, aquilo que eu penso, aquilo que eu sinto e aquilo que eu faço, influencia os meus resultados. E, visto termos uma tendência natural em sincronizar os nossos pensamentos, sentimentos e comportamentos com os dos nossos amigos, compreendo perfeitamente a preocupação. Como se diz por aí: tomamos as dores dos outros. Esta frase não podia ser mais verdade.

Contudo, hoje, pus-me a pensar: “E eu? Serei eu uma boa influência na vida do meu filho?”. Pois é, preocupamo-nos com quem eles lidam, mas não nos preocupamos com a nossa própria relação com eles, e se nós os estamos a influenciar de forma positiva. Tenho a perfeita noção de que tenho a tendência para resolver as “situações” do meu filho, ao invés de lhe dar as ferramentas para o fazer sozinho. Tenho tentado corrigir isso. 

Há umas semanas ele disse-me: “Mãe, não quero ser como tu. Passas a vida a trabalhar.” A frase caiu-me como um murro no estômago e questionei-me se estava a dar um mau exemplo. Obviamente que devemos trabalhar, mas passo a vida a falar em balanço e equilíbrio, será essa a mensagem que estou a passar? Tomada de consciência. Há que analisar e pesquisar.

Assim sendo, percebi que é importante, essencial e obrigatório sermos a influência positiva na vida dos nossos filhos. Como boa estudiosa, fui aprofundar o assunto e trago as 10 dicas que tenho estado a aplicar. 

Dica 1: Estar Disponível

Por mais ocupados que estejamos, devemos estar disponíveis para os nossos miúdos. Escutá-los e estar presentes no momento, principalmente quando eles precisam de nós. Parar o que estamos a fazer e prestar atenção ao que estão a dizer, sem olhar para o telemóvel ou para o ecrã do computador. Se o assunto não for urgente, podemos sempre mencionar que poderemos abordar mais tarde, mas é necessário que no momento mostremos a nossa disponibilidade para ouvir.

Dica 2: Mostrar Empatia

A tendência de responder bruscamente, principalmente quando incessantemente chamam pela nossa atenção, faz parte da natureza humana. É esta tendência que temos de resistir. Mostrar empatia é uma forma de fazê-los sentirem-se compreendidos e especiais. 

 Dica 3: Escutar Não é Resolver

Sim, temos de escutar, mas não temos de resolver. Os miúdos apenas precisam que estejamos presentes. Temos de dar a oportunidade de resolverem os seus “problemas”. Ao teu filho não dês o peixe, ensina a pescar. Temos uma tendência natural para querer resolver, mas não temos a noção de que estamos a criar miúdos que se tornarão adultos que não terão as ferramentas que precisam para se desenvencilhar. Por mais que nos custe, temos de deixar que eles resolvam, e estar sempre por perto.

Dica 4: Estabelecer Limites

Estabelecer limites e saber mantê-los. Amar os nossos miúdos não é permitir que façam o que querem e bem entendam, até porque até aos 18 anos, somos nós que estamos no cockpit. Ou seja, temos de ser nós a conduzi-los enquanto lhes damos as ferramentas que necessitam para pilotarem o próprio avião. Imagina que estás num avião em alto voo e permites que se abra a porta de emergência ou se acione o botão de descarga de combustível. Há coisas que não podemos de forma alguma permitir. A única regra é termos de explicar. Estabelecer limites e explicar os motivos pelos quais os mesmos estão a ser estabelecidos. 

Dica 5: Brincar

Sim. Brincar. Nada como a conexão para criar um relacionamento sólido e com base na confiança e amor. Rir às gargalhadas, fazer atividades, ver uma comédia… O que for. Tirar tempo para brincar e sorrir é das melhores formas de influenciar positivamente.

 Dica 6: Praticar a Gratidão

Ser grato. Ensinar desde cedo a prática da gratidão. A gratidão é perfeita para ver a vida de forma positiva e trazer resultados positivos. Praticar gratidão é ensinar a ver o copo meio cheio em todas as situações.

Dicar 7: Ser Justo

As crianças têm um sentido de justiça muito elevado. A justiça deve começar em casa. Encontrar formas de trazer equilíbrio e justiça dentro do seio familiar ajuda a manter um relacionamento positivo. E, como isto influencia? Se formos justos em casa, os nossos miúdos terão a tendência para ser justos fora de casa. 

Dica 8: Criar Expectativas Elevadas

Sim. Isso mesmo, criar expectativas elevadas. A questão é que, por norma, temos a tendência para criar expectativas passando uma mensagem de dificuldade, competição… O importante, essencial e obrigatório é criar expectativas de forma carinhosa, comunicar explicando os motivos. Fazê-los entender que o único limite que têm está dentro deles. Fazê-los perceber que serão capazes de conquistar tudo a que se proponham desde que se foquem e dediquem. Criar expectativas em torno dos comportamentos relativamente a drogas, padrões morais, amizades… 

Dica 9: Mostrar os Desafios

Para trás ficaram os tempos em que não podíamos conversar com os nossos filhos. Devemos envolvê-los em temas relacionados com os “desafios” que superamos. Perceber que é necessário perseverança, persistência, não desistir e seguir em frente em tempos complicados, “ferramentas” cruciais para gerarmos adultos que consigam enfrentar as dificuldades da vida. Criá-los numa redoma dando a entender que a vida é um mar de rosas é o mesmo que privá-los das ferramentas mais importantes para a superação. 

Dica 10: Amor, Muito Amor

Passamos a vida a corrigi-los, a dizer o que fazer… Eu ouço a minha voz: “Daniel, olha a cama”, “Daniel, apanha a roupa”, “Daniel, tira o prato da mesa”, “Daniel…”, “Daniel…”. Credo, uma sinfonia sem fim. Obviamente que devemos corrigi-los, mas devemos mais vezes dizer o quanto os apreciamos, os amamos, o quanto são importantes para nós, o quanto confiamos neles, o quanto nos orgulhamos deles… Para cada correção, devíamos dizer 12 elogios. Que tal experimentar esse desafio?

E aqui estamos. Dez dicas para influenciarmos positivamente os nossos miúdos. Não será necessário dizer que o trabalho começa em nós. Como Life Coach de Alta Performance, tenho trabalhado cada vez mais com mulheres, mães, que pretendem ser a melhor versão de si mesmas por elas e, também para que sejam um melhor exemplo. Como se costuma dizer: os miúdos não aprendem com o que falamos, aprendem com o que fazemos. Convido-te a cuidares de ti, para que possas cuidar melhor dos teus. Vamos a isso?

POR: Adelaide Miranda _  Life Coach de Alta Performance