Sobre a importância de um “growth mindset”

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“Isto é difícil!” Ou então “Eu não percebo nada disto! Estou farto… eu não nasci para isto!” são frases recorrentes nas bocas de crianças e jovens face a uma ou outra disciplina escolar que não raramente lhes arrasam a mente e a alma, deixando-lhes a confiança e autoestima num caco. Como se tal não bastasse, cerram os punhos e mordem o lábio com a certeza quase infinita que não são dotados o suficiente para fazer frente, qual campo de batalha, aos conteúdos quase abstratos de uma qualquer gramática ou disciplina mais impertinente que parece teimar em lhes fazer a vida negra.

E nós, pais, professores, familiares ou até vizinhos… como reagimos a estas autênticas tempestades que tornam os olhos das nossas crianças e jovens mais cinzentões na hora de voltar à escola?

“Pois, eu também não era grande coisa a filosofia ou matemática!” ou então “Deixa lá, foca-te nas outras e tenta é tirar positiva a essa disciplina!” ou pior ainda “Nem todos podemos ser doutores!” – Será mesmo este o caminho?

“Queremos antes educar a mente das nossas crianças para que possam lidar com as pequenas ou grandes adversidades do dia-a-dia sem dramas ou birras, mas com a certeza de que, mudando de estratégia, tentando de maneira diferente, aprendendo com os erros, inspirando-se nos bons exemplos, trabalhem e empreendam de forma eficaz e, acima de tudo, de forma determinada e motivada.”

Não somos apologistas de um otimismo vago, pretensioso e ridículo até (tão em voga por estes tempos!) e que não raras vezes nos faz sentir culpados por termos sentimento reais. Queremos antes educar a mente das nossas crianças para que possam lidar com as pequenas ou grandes adversidades do dia-a-dia sem dramas ou birras, mas com a certeza de que, mudando de estratégia, tentando de maneira diferente, aprendendo com os erros, inspirando-se nos bons exemplos, trabalhem e empreendam de forma eficaz e, acima de tudo, de forma determinada e motivada.

Possível ou mera utopia?

Possível, mas apenas se de forma consciente, propositada e articulada, nos dedicarmos (escola e famílias!) a ensinar crianças e jovens que a plasticidades mental é real e que, por isso mesmo, se o nosso cérebro é um músculo, quanto melhor e mais frequentemente este for trabalhado, melhor será a sua prestação. Na verdade, até aos cientistas, artistas e personalidades mais famosas pela sua genialidade tiveram de trabalhar arduamente, tal como nos deixam ver pelas citações abaixo:

“Genius is 1 percent talent and 99 percent hard work. To make anything pay off, one must be a dedicated and persistent individual, facing own mistakes as learning opportunities and never going back to where he was before!”

Albert Einstein

 

Por: Isabel Valente – Mestre e formadora em Educação

(Artigo disponível na integra na nossa 11ª edição impressa capa Fevereiro á venda em banca)