GRÁVIDA AOS 40

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Portrait of happy young pregnant model sitting with crossed legs on grass lawn and looking at camera. Smiling future mom expecting baby caressing her belly. Maternity concept. Copy space

Embora já tenham ultrapassado a idade «certa» para ter um filho, algumas mulheres, que já são mães, não resistem ao apelo de voltarem a viver um novo «estado de graça. Outras há que não hesitam em viver a aventura de um primeiro filho porque, por mais voltas que a vida tenha dado, guardaram intacto o sonho de serem mães. Umas e outras são mães tardias de filhos muito desejados.

Ana Vieira de Castro

O desejo de algumas mulheres sentirem, talvez pela última vez, um filho a crescer dentro de si, e apesar de já terem ultrapassado a idade razoável para o fazerem, nasce de uma vontade irreprimível, forte e inadiável que não precisa de justificações. Teresa, de 45 anos e com dois filhos de 13 e 14, é uma dessas mães tardias que arriscou concretizar o desejo do «último bebé». Quando ficou à espera do Vasco, hoje com 9 meses, confessa que não ficou completamente apanhada de surpresa. «Não planeámos este filho, eu e o meu marido, mas em boa verdade sinto que ‘provoquei’ o destino. Fiz uma interrupção da pílula e acabei por engravidar». Feitos todos os testes e obtida a confirmação de que tudo estava normal, a gravidez correu bem até ao fim. O parto, esse, não foi não natural e rápido como os outros. Teresa acabou por ter de fazer uma cesariana de urgência porque o bebé se encontrava em posição pélvica, mas ele acabou por nascer de perfeita saúde. Mesmo assim, diz, «esta gravidez foi, de todas, a que correu melhor».

Mais cuidados, mais saúde. A responsabilidade acrescentada dos seus 44 anos levaram Teresa a respeitar todas as dietas, todos os cuidados, todos os conselhos médicos. Por isso, em vez de engordar como das outras duas vezes em que esteve grávida, manteve o peso dentro da média, as enxaquecas de que sofre mantiveram-se tornaram-se menos frequentes e atenção manteve-se inalterável. Não tem dúvidas de que sentiu em excelente forma física, muito melhor do que quando não está grávida. «Não sei se é uma questão hormonal, mas quando estou grávida sinto-me bem como nunca», revela. Em relação à alimentação, aos curtos sonos do bebé e às famosas crises de cansaço físico típicas dos primeiros tempos de vida do bebé e da frequência de cuidados a prestar-lhe, Teresa, que se considera uma veterana nestas cisas da maternidade, garante que pura e simplesmente não sente desgaste nenhum. Pelo contrário. Sente-se motivada e desperta como nunca. Afinal, está a viver uma das melhores fases da sua vida: é mãe outra vez, com todas as coisas boas a que a situação dá direito. Entre elas, a amamentação.

Teresa fez sempre questão de dar de mamar aos seus filhos, normalmente até aos nove, dez meses. Às vezes, um pouco mais. O Vasco não é exceção. ««Faço-o por puro prazer, porque gosto de os sentir dependentes de mim, dos meus cuidados, enquanto são pequeninos.»

O filho da «segunda» idade beneficia, muitas vezes, de um tempo reencontrado por algumas mães que, entretanto, interromperam as suas vidas profissionais ou deixaram definitivamente de trabalhar. Teresa queixa-se de não ter gozado» suficientemente os seus dois filhos mais velhos por essa mesma razão. Condicionada por um horário carregado e por várias obrigações profissionais, deixava os seus filhos aos cuidados de terceiros: empregadas, avós ou babysitters conforme as disponibilidades e as situações. Por circunstâncias várias, desempregou-se e voltou a casa. Anos depois, o Vasco nasceu. E com ele, a oportunidade, pontualmente perdida, de viver a maternidade em toda a sua plenitude, ao sabor dos quarentas.

Ser mãe em duas fases. Como Teresa, Fernanda foi mãe em diferentes idades e experimentou a maternidade em várias escalas. Hoje com 54 anos e 8 filhos, teve os primeiros quatro entre os 26 e os 32 anos. Nessa altura, diz, tinha um emprego «porque só um ordenado não chegava». Ela e o marido eram novos e queriam uma grande família. «Sempre gostei de crianças», confessa. «Em minha casa, desde que me lembro, sempre houve crianças para tratar, para cuidar. Eram os meus sobrinhos, os meus irmãos mais novos…». Por isso, ter quatro filhos de seguida não foi uma coisa para a qual não estivesse preparada. O problema eram as ajudas e, claro, o emprego. Quando chegavam as férias ou algum ficava doente, «era um stress». «Não ter a certeza de chegar de poder chegar a horas ao emprego, estra dependente da chegada da empregada, tê-los doentes em casa e entregues a outra pessoa era extremamente desgastante», diz. Além disso, acumular profissão e cuidados domésticos e maternais era cansativo, apesar da frescura da idade e da boa forma física.

Assim, entre os 32 e os 38 anos, Fernanda pode fazer uma pausa na sua vida profissional, «o que foi, sem dúvida, um privilégio». A partir dessa idade, e até aos 43 anos teve mais quatro filhos. Esta segunda fase da sua vida foi sentida de uma forma diferente da anterior. Para já, e por mais paradoxal que pareça, «foi tudo menos cansativo do ponto de vista físico» em comparação com os primeiros anos de casada e dos primeiros bebés. Pela simples razão de ter deixado de trabalhar. «Nesta segunda etapa não trabalhei, dediquei-me por inteiro a tratar dos meus filhos mais velhos e vivi cada gravidez com descanso e prazer». O prazer do tempo que não se conta, que não se mede, que permite fazer uma coisa de cada vez, sem aflições nem desgaste. Fernanda que foi uma mãe jovem, mas também uma mãe tardia, e teve a sorte de poder conjugar a maturidade com a disponibilidade. Ser mãe aos quarenta permite saborear de outra forma cada momento de vida dos seus bebés. Traz «revelações surpreendentes, talvez porque nesta idade somos mais responsáveis e também mais maduras», diz. Uma coisa é certa: «podemos gozar aquele filho com uma tranquilidade muito maior». Certamente pela importância e pela densidade de tudo o que já se aprendeu.