Como gerir a relação do casal com a vinda de um filho

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A gestão dupla de um primeiro filho e a relação afectiva entre o casal, nem sempre é das tarefas mais fáceis de realizar. Aprenda algumas dicas para equilibrar estas duas áreas de vida.

Uma das fases da vida de um casal, passa certamente pelo nascimento do primeiro filho. Nesta altura há que fazer um prévio ajustamento nas prioridades de vida e como casal. A prioridade deixou de ser os pais e passa a ser o filho e o preenchimento das suas necessidades mais básicas, bem como a educação de uma criança.

Como adaptar a relação conjugal ao novo filho

Neste novo formato de família, as dificuldades da relação poderão surgir de ambos os pais. Por um lado, o pai poderá sentir que neste momento é uma segunda ou terceira prioridade para a companheira, bem como a mulher poderá fazer com que os amores imenso bem como as exigências do novo filho colocam muito de parte a relação afectiva com o companheiro.

Deste modo, embora pareça algo que nem será muito importante discutir, antes da vinda do bebé, claramente a relação de casal é uma área que deverá ser previamente trabalhada e discutida antes da criança nascer. Nunca nos poderemos esquecer que a base da felicidade de uma família é e será sempre a relação afectiva de base do casal, pois os pais é que serão o pilar emocional da criança e que irão passar o modelo de valores e de relação.

Para que tudo funcione de forma correcta, primeiramente há que estabelecer previamente regras para a gestão do tempo e da relação como casal, tais como:

  • reservem pelo menos 30m diários para estar só em casal, seja a cozinhar em conjunto, a adormecer a dois, a ouvir uma música após o filho adormecer;
  • dialoguem constantemente com o companheiro/ra e partilhem as dificuldades que estão a ter como país. Arranjem soluções em conjunto;
  • apesar da mudança do corpo com a gravidez, o companheiro deverá elogiar o corpo da mulher. Faça-a sentir-se de novo desejável e sexy;
  • sempre que possível optem por um estilo de vida mais saudável, seja na actividade física ou na alimentação. Criem novos objectivos em conjunto;
  • façam um esforço para haver a divisão das tarefas relativamente ao bebé. A mãe não deverá ser sobrecarregada com todas as responsabilidades do filho;
  • mantenham a “chama acesa” ao nível sexual. É fundamental que continuem a alimentar o desejo e o prazer em casal;
  • tentem ter momentos a sós, como caminhadas, idas ao cinema, ir a um restaurante ou encomendar comida específica para casa;
  • mantenham actividades individuais e actividades sociais com amigos. Tentem não mudar por completo todas as rotinas.

No fundo, a solução passa por o casal não se concentrar unicamente no bebé e na satisfação das suas necessidades. A criança também necessita de espaço e tempo sozinho, para que possa igualmente experienciar momentos individuais.

Por outro lado, o casal deverá evitar que o tema principal de conversa seja somente o filho. Devem continuar a partilhar opiniões sobre outros assuntos e não se deverão isolar do mundo exterior. Uma família saudável necessita de viver também em sociedade, para que os seus elementos vejam outras realidades e possam todos evoluir e crescer como seres humanos.

O papel do companheiro (e pai) nesta relação a três

Por vezes o homem tem imensa dificuldade em gerir o seu novo papel como pai, porque sente que deixou de ser a prioridade para a companheira e sente-se perdido e colocado à parte. Tem dificuldade em se adaptar à nova configuração familiar, porque é novidade é não estava preparado para esta grandiosa mudança.

No entanto, o casal deverá negociar previamente as regras da nova relação (como acima descrito), e deverá haver uma conversa prévia sobre a nova tipologia de família, para que o companheiro compreenda que há diversos tipos de amor em simultâneo, como o amor de mãe e o amor de companheira. São distintos e coexistem perfeitamente.

Há que assegurar ao companheiro, que não houve a diminuição do amor por ele, mas sim uma prioridade diferente em termos de tempo. Falem abertamente sobre as inseguranças dele.

Se houver dificuldade na comunicação, haverá uma maior probabilidade de divórcio, porque não há a partilha de opiniões, medos, expectativas, afectos e comportamentos. Assim, ambos os elementos do casal criam ideias erróneas sobre o companheiro e esta nova fase da vida em conjunto. O casal deverá comunicar de forma directa, livre, objectiva e assertiva.

Por outro lado, nas tarefas diárias com o filho a mãe não deve menosprezar as tarefas que o companheiro realiza com o bebé. Poderá não fazer de uma forma célere, mas dê-lhe espaço para progredir e estabelecer também um vínculo emocional profundo com o filho.

A mãe poderá partilhar a tarefa do banho, do vestir, do alimentar por forma a que o pai se sinta totalmente integrado nesta dinâmica familiar.

Se analisarmos noutra perspectiva, em conjunto, o casal deverá aproveitar o novo bebé, para se aproximarem mais ainda, porque partilham algo maravilhoso como um filho, o qual é um objectivo comum. Para tal, devem fazer um esforço para o reforço da intimidade e da partilha emocional, porque são ambos responsáveis por um bebé que é fruto do seu amor. No fundo, quanto mais desejado é um filho, maior a capacidade de mudança do casal, pois o processo de adaptação é baseado no tipo de relação pré-existente entre o casal.

Resumo das dicas para a relação se manter estável após o nascimento de um filho:

  • partilha constante de expectativas, sentimentos e de medos entre o casal
  • divisão equilibrada de tarefas
  • partilha de afecto e uma sexualidade activa entre o casal
  • a existência de um diálogo aberto e comunicação honesta entre o casal
  • fazerem actividades em conjunto e individuais
  • relaxarem e não quererem “ser os pais perfeitos”
  • serem felizes

POR: Célia Francisco _ Psicóloga Clínica