Famílias com membros com autismo sofrem mais com alteração de rotinas provocada pela pandemia

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Famílias com membros com autismo sofrem mais com alteração de rotinas provocada pela pandemia
Famílias com membros com autismo sofrem mais com alteração de rotinas provocada pela pandemia

A pandemia de Covid-19 que o mundo vive desde o início do ano passado afetou a sociedades de várias maneiras e praticamente não há áreas sem impacto. A alteração das rotinas no dia a dia é uma das alterações que mais chama à atenção.

No caso das famílias com membros com Perturbação do Espectro do Autismo (PEA) a alteração de rotinas é um desafio adicional. Esta sexta-feira, 2 de abril, assinala-se o Dia Mundial da Consciencialização do Autismo.

As pessoas com PEA são, por natureza, mais ansiosas e agitadas, sabemos também que
uma das suas maiores resistências são as alterações de rotina. Com as alterações da
rotina e as interrupções impostas pela pandemia, teve de haver uma reestruturação
das rotinas e tarefas, terapias e afins, causando grande stress neles e na família.

“São várias as dificuldades que surgem. Como manter a parte académica a funcionar?
Como manter as terapias? Como conseguir manter a parte da socialização, tão
importante e fundamental? E fazer tudo isto sempre com a ideia presente de que é
uma solução transitória, pois se agora estamos a prepará-los para fazer isso em casa,
temos, ao mesmo tempo, de prepará-los para um regresso a atividades habituais”,
explica Carla Martins, fundadora e presidente da For3verSpecial, associação criada
para dar respostas sociais adequadas às necessidades das crianças e jovens com PEA e
respetivas famílias.

Várias outras doenças e condições estão, inevitavelmente, a ser menos seguidas devido
ao esforço de contenção da pandemia. No caso da PEA também. “Houve e há uma
redução muito grande na parte terapêutica. Isso tem efeitos muito graves para
algumas crianças e jovens com PEA, que acabam por regredir, com alterações
comportamentais, birras e muitas tiveram perdas nas habilidades já conquistadas”,
explica a presidente da For3verSpecial.

Manter atividade diárias

As estratégias seguidas pelas famílias com membros com PEA devem procurar manter,
na medida do possível, algumas rotinas. “Deve criar-se um plano específico de como
manter as atividades de vida diária. Por exemplo, levantar à mesma hora; criar um
espaço dedicado para o estudo diário; elaborar jogos e brincadeiras de acordo com
os interesses da criança /jovem; e procurar a continuidade das terapias online para
as crianças/jovens e respetivas famílias, dado que tentar manter as atividades físicas
ajuda a gastar as suas infindáveis fontes de energia. Importa ainda manter tempo
livre para poder ver as suas séries/ jogos/televisão ou aquilo que o membro da
família com PEA gostar de fazer nos tempos livres”, afirma Carla Martins.

For3verSpecial manteve trabalho

Não obstante as dificuldades da pandemia, a For3verSpecial continuou a prestar apoio às famílias suas associadas, mesmo que com adaptações. “Continuamos [a dar apoio], tendo passado a quase totalidade dos nossos apoios para online e domiciliário.

Procedemos à criação de conteúdos com atividades para auxiliar os pais, tendo em
conta, mais uma vez, os interesses das crianças e jovens e o ambiente de cada
família, o que obriga a ser um serviço ainda mais personalizado”, salienta a
presidente da associação.
Sobre os apoios prestados pelas entidades oficiais às famílias com membros com PEA e
associações que lhe prestam apoio, como a For3verSpecial, Carla Martins reconhece
que há um esforço, mas salienta que ainda há um caminho a percorrer. “Eu sei que é
fácil falar, mas, como em quase todas as situações, sempre que acontece algo
pensa-se em soluções para as crianças e jovens neuroatípicas e depois vemos como
arranjar uma solução para as necessidades especiais. Apesar do que já foi feito,
continua a ser manifestamente pouco para as necessidades existentes”, conclui a
presidente da For3verSpecial.