Estar grávida é um estado de graça. Mas às vezes não tem graça nenhuma.

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Em teoria, o corpo da mulher está preparado para todas as mudanças, mas na prática poderá não ser bem assim: depende do estado físico e de saúde prévio da futura mãe bem como do modo como vivencia a gravidez.

O crescimento de uma parte tão nobre e central do corpo da mulher, provoca – para além da vontade quase incontrolável de tocar na barriga, mesmo por parte de estranhos – alterações biomecânicas na coluna da futura mãe, como forma de responder à alteração da posição do centro de massa do corpo. Assim, e dependendo da postura prévia, a coluna altera as suas curvaturas, sendo a forma mais comum com aumento da curvatura lombar. De facto, não raras vezes futuras mamãs recorrem à minha consulta no seu segundo trimestre de gravidez com crise de lombalgias, o que não surpreende dado que 35 a 76% das mulheres grávidas experimentam raquialgias durante o período gestacional.

A relaxina é uma boa noticia para a mamã, que ao longo dos meses agradece o aumento de elasticidade conferido pelas alterações hormonais. No entanto, e como tudo, este factor tem o seu lado lunar: mais movimento significa também maior possibilidade de estirar demasiado os ligamentos e músculos que estão por perto – o piramidal é um musculo que dá frequentemente sinal, imitando uma ciatalgia e que contribui para grande perda da qualidade-de-vida da grávida que recorre à consulta de fisioterapia.

A retenção de líquidos pode também originar sintomatologia como pernas cansadas e inchadas, parestesias (formigueiro) nos braços pela compressão do plexo braquial desse mesmo excesso de líquido (que na altura da amamentação poderá surgir também).

Todos estes problemas poupam algumas mamãs e incomodam outras tantas – mas porquê esta discrepância?

Da minha experiência, muito se deve ao estilo de vida e actividade física prévios à gravidez. É normal que uma mulher que pratique exercício físico regularmente tenha uma musculatura mais preparada para suportar uma carga extra; uma mulher que caminhe bastante ou faça exercício cardiovascular regularmente terá menor tendência a fazer retenção de líquidos por ter um sistema de drenagem mais eficiente. Estas são condicionantes que se conquistam ao longo da vida – o problema é que muitas vezes a mulher só se preocupa com o seu corpo e mobilidade quando está grávida – e não é que seja tarde de mais, mas não é o momento ideal para adquirir novos estilos-de-vida.

( Artigo disponível na integra na nossa edição 11 Miúdos&Graúdos Capa de Fevereiro já em Banca)

POR: Ana Margarida Monteiro_ Fisioterapeuta