Estamos a dar “veneno” às crianças?

0
594

A Organização de Saúde (OMS) alerta que os alimentos para bebés têm excesso de açúcar. O elevado consumo deste nutriente pode aumentar o risco de excesso de peso e de cáries, entre outras patologias.

Um estudo levado a cabo pela OMS com o objetivo de determinar quais os alimentos inadequados para crianças de 6 meses a 3 anos de idade, analisou quase

8.000 produtos de mais de 500 lojas de Viena (Áustria), Sofia (Bulgária), Haifa (Israel) e Budapeste (Hungria), entre novembro de 2017 e janeiro de 2018, e apurou que os alimentos industrializados para bebés contêm, com frequência, excesso de açúcar e rótulos que criam confusão.

O departamento europeu da OMS, num comunicado à imprensa, referiu que em quase metade dos produtos avaliados, mais de 30% das calorias provinham dos açúcares provenientes de sumo concentrado de fruta ou outras substâncias, como os edulcorantes. Já nas papas de frutas, a quantidade de calorias derivada do açúcar chegou a 70%, muito além da recomendação da OMS, que refere que até os 3 anos de idade apenas 5% dos alimentos das crianças deve ser composto por açúcar. Acima dessa idade a recomendação vai para 15%. Recorde-se que há muitos anos a recomendação da OMS é que as crianças devem ser amamentadas exclusivamente durante os primeiros seis meses.

É urgente mudar os hábitos

É certo e sabido que uma boa nutrição durante o período neonatal e na infância é essencial para assegurar um ótimo crescimento e desenvolvimento da criança, e uma saúde melhor mais tarde na sua vida. Consumir bebidas açucaradas, incluindo sumos de frutas, provoca uma tendência a abandonar os alimentos mais ricos em nutrientes e um consumo elevado de açúcar pode aumentar o risco de excesso de peso e de cáries, assim como uma exposição precoce aos produtos açucarados pode criar uma preferência nociva por estes alimentos para o resto da vida.

Em 2018, a OMS já tinha feito um alerta contra o avanço da obesidade e do excesso de peso entre os europeus, que ameaça inverter a tendência do aumento da esperança média de vida.

O perigo dos rótulos enganosos

A pesquisa mostra ainda que entre 28% e 60% dos alimentos considerados inapropriados pela OMS tinham rótulos como aptos para bebés de menos de seis meses, indo contra a Orientação Global de 2016 sobre o Fim da Promoção Inadequada de Alimentos para Bebés e Crianças Pequenas que declara explicitamente que os alimentos complementares comerciais não devem ser anunciados para bebés de idade inferior a seis meses.

Para estimular os países membros a adotar novas diretrizes, a OMS atualizou as suas recomendações. A organização deseja acabar com a promoção de substitutos do leite materno e recomenda que a alimentação de crianças entre seis meses e dois anos tenha como base os alimentos ricos em nutrientes, preparados em casa. Todos os açúcares adicionados e adoçantes também devem ser eliminados dos alimentos para bebés. Já os rótulos das bebidas açucaradas, em particular os sumos de frutas e o leite concentrado, e de produtos de confeitaria deveriam indicar que estes alimentos não são adequados para crianças com menos de três anos.

7  motivos para controlar o açúcar ingerido pelo seu filho

Sabia que o açúcar é visto como o “veneno” dos tempos modernos, cujos malefícios são já comparáveis aos do tabaco e outras drogas? Pois bem, conheça 10 razões para começar a controlar a quantidade de açúcar que os mais pequenos consomem:

  • Enfraquece o sistema imunitário
  • Interfere na absorção de cálcio, magnésio e outros nutrientes importantes
  • Provoca cáries
  • Contribui para a obesidade
  • Pode ser o causador de doenças inflamatórias
  • Provoca irritabilidade, mau humor e até depressão
  • Agrava sintomas de défice de atenção e hiperatividade