O que esperar deste novo ano letivo

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Vivemos tempos de incerteza e temos aí à porta o início de mais um ano letivo.

O surto de covid-19 veio trazer enormes mudanças nas nossas vidas, uma delas com grande impacto, principalmente para quem tem filhos em idade escolar.

Falo do ensino à distância, que para muitas famílias representou uma verdadeira prova de esforço e uma tarefa bastante difícil de cumprir.

Se por um lado, a perspetiva anunciada de que haverá aulas presenciais nos traz aquela sensação de alívio, por nos tirar de cima dos ombros a responsabilidade de sermos nós os professores dos nossos filhos (sem tempo, sem jeito e em muitas casas sem os recursos necessários); por outro, paira a dúvida de como será possível dominar o contágio em crianças e adolescentes que cresceram sempre com contacto físico, sem máscaras e sem desinfetantes a passarem pelas mãos de dez em dez minutos.

Como vão conseguir manter-se sempre protegidos, sabendo nós de antemão as vezes que temos de chamá-los a atenção para evitar situações de risco no que diz respeito a esta pandemia mundial.

Aguardo com muita expectativa e algum receio a forma como os modelos traçados em cada escola funcionarão ao saírem do papel para o terreno. É sabido que as crianças não têm sido as grandes vítimas do novo coronavírus, mas sabemos que são vias de contágio.

Para poderem trabalhar, inúmeros pais contam com o apoio dos avós para ficarem com os netos até à hora em que chegam a casa. Os avós, esses sim, são pessoas de risco neste cenário de pandemia e será muito complicado gerir esta dualidade.

Uma coisa é certa, enquanto a vacina não aparecer, as nossas vidas não voltarão ao normal e há que ter a capacidade de tentar equilibrar emocionalmente os nossos filhos perante estas alterações súbitas de hábitos que estavam dados como adquiridos.

E falando no regresso às aulas, torna-se também imprescindível falar de bullying, tema ao qual, aliás, dedicamos algumas páginas desta edição. Porque nunca será demais estarmos atentos aos sinais e ajudar a criar nos nossos filhos uma carapaça que faça com que consigam “defender-se” à altura dos ataques que eventualmente poderão ocorrer em ambiente escolar.

Para já, olhemos com otimismo, mas com cautela, para este futuro que está aí ao virar da esquina. Desde março que vivemos tempos difíceis e por esta altura diria que estamos todos de parabéns!

Apenas ansiamos por podermos de novo abraçar-nos sem máscaras e lançar, sem medos, aos nossos filhos, no parque, na praia ou na rua, aquelas frases ao género de: “Não queres ir brincar com aquele menino?”

Porque somos pessoas de afectos e não queremos, de todo, que os mais pequenos cresçam a pensar que é mau estar muito perto de outras crianças ou adultos. Mas reforço: sejamos otimistas… e bom regresso às aulas!

Director; Nuno Lopes Nunes