A escola no tempo dos meus avós

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little cute girl with grandparents studying at the table at home

Desafiámos algumas crianças a perguntarem aos avós como era estudar no tempo deles, de modo a tomarem consciência de que hoje em dia é tudo muito mais fácil e até a aprenderem a valorizar mais as oportunidades que têm. Leia os memoráveis relatos feitos pelos netos.

POR: Aida Borges

No mês em que milhares de alunos de todo o país regressam às aulas, convidamos os nossos leitores a fazer uma viagem no tempo e a recordar a escola de outros tempos. Os crucifixos e os retratos de Salazar já não fazem parte da decoração das salas de aula e as malas de pano ou de couro foram substituídas por mochilas alegres e coloridas. Antes os que tinham papel e lápis para escrever sentiam-se uns sortudos, hoje, a criançada faz-se acompanhar de mil e um livros e canetas de todas as cores. Afinal, mudam-se os tempos, mudam-se as realidades!

Maria Carolina, Oeiras

“Os temíveis castigos”

“No tempo dos meus avós a relação entre o professor e os alunos era muito má, pois o professor usava uma cana para castigar os alunos ou mandava-os ir para junto da secretária, pondo-os de joelhos com as mãos por baixo ou virados para a parede. Também davam puxões de orelhas e reguadas nas mãos. O ensino era muito exigente e todos os meninos tinham de decorar a tabuada. Havia muito respeito pelos professores e não se podia fazer barulho na sala de aula”.

João Henriques, Amadora

“A escolaridade não era obrigatória”

“A escola no tempo dos meus avós era muito diferente. As crianças não iam todas às aulas, a minha avó explicou-me que a escolaridade não era obrigatória. No fim de cada dia de aulas, seguiam-se outras atividades como a agricultura e a pastorícia. A minha avó disse-me que quando andava a guardar o gado escrevia com um pau na terra o que tinha aprendido naquele dia”.

Benedita Lemos, Cascais

“A escassez de recursos”

“Quando os meus avós andavam na escola, os pais deles não os iam levar nem buscar. Iam a pé, estivesse sol ou a chover, com um grupo de coleguinhas. Chegavam a andar quilómetros. As salas de aulas eram quase todas velhas e muito desconfortáveis. Como eram muitos meninos, às vezes tinham de sentar-se todos apertadinhos na mesma secretária. O meu avô contou-me que terem cadernos, livros e lápis ou canetas era uma sorte”.

Beatriz Fonseca, Queluz

“As brincadeiras eram na rua”

“Na escola da minha avó, só andavam raparigas e os rapazes andavam noutra escola. Por isso, as meninas davam-se bem umas com as outras. Na escola do meu avô, as raparigas e os rapazes andavam todos juntos. As brincadeiras da minha avó eram jogar às escondidas, ao lencinho e à macaca. O meu avô gostava de jogar futebol com uma bola feita de panos velhos, ao pião e ao botão. Não tinham televisão, nem telemóveis ou tablets”.

Ricardo Ferreira, Estoril

“Antes das aulas começarem cantavam o Hino Nacional”

“A minha avó disse-me que as aulas começavam às 9h e terminavam às 15h. A meio da manhã havia um intervalo e depois uma hora de almoço. Todos os dias tinham de rezar e cantar o Hino Nacional, só depois o professor começava a dar a matéria. A sala era pequena, na parede, por cima do quadro, tinha a fotografia do Dr. Oliveira Salazar e do General Carmona, o primeiro-ministro e o Presidente da República, e ao meio estava pendurada a cruz de Cristo”.