Era digital

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Quando a dinâmica familiar é parte do problema

São conhecidas as vantagens que a era digital nos trouxe.

Uma delas, é precisamente poder estar a ler este conteúdo em formato digital, sem ter de se deslocar e pagar por uma revista.

E há muitas outras, que entraram de forma automática nas nossas rotinas pessoais e profissionais. Por outro lado, o exagero dos ecrãs e das tecnologias trazem inúmeros problemas, não apenas de saúde, mas também de carácter comportamental.

Quantas vezes ouvimos pais a queixarem-se que os filhos passam os dias agarrados aos telemóveis, tablets, consolas ou computadores? Muitas. Mas deverão ser os próprios pais a estabelecerem essas regras, a criar períodos curtos para a utilização das ferramentas digitais.

Alguns estudos têm demonstrado que as crianças e adolescentes que passam mais horas em frente aos ecrãs, são também os que têm pais profissionalmente muito ocupados e que, à semelhança dos mais pequenos, ocupam o pouco tempo que estão em casa em frente ao computador ou à volta do telemóvel.

Muitos dirão: mas muitas vezes nem é lazer, é trabalho.

Porém, são comportamentos que acabam por ser copiados e cabe aos pais aproveitarem o pouco tempo que muitas vezes estão com os filhos para fazerem outro tipo de actividades.

A dinâmica familiar tem de propiciar esses momentos juntos, e não cada um para o seu lado, agarrado ao seu gadget. E, reforça-se, cabe aos pais estabelecer os limites para o máximo de horas que os filhos podem passar em frente aos ecrãs.

Sem o devido equilíbrio e consciência, podem surgir problemas de saúde, pensamentos deturpados – principalmente por causa das redes sociais – e um conjunto de emoções e comportamentos que afectam as relações familiares, sociais e de trabalho.

As crianças e os adolescentes precisam de interacção para o seu contínuo desenvolvimento. Falamos de estabelecer diálogos cara a cara, gestos de atenção, envolvimento, interesse e carinho. E isto não e consegue através de telas.

Todos estes aspectos têm um impacto determinante na formação do desenvolvimento de habilidades psíquicas, cognitivas, emocionais e sociais. Por isso é tão importante que exista uma parentalidade consciente e não “distraída”.

Nos momentos em que a família está toda reunida, há que passar, de facto, tempo juntos, olhos nos olhos.