Entrevista a Paulo Baptista CEO e Owner de Viagem à Vista

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Entrevistámos Paulo Baptista, o qual, nos deu a conhecer as dificuldades porque passaram e estão a passar as agencias de viagens a quem recorremos, quando queremos uma sugestão ou marcação de férias em família.

Quais as principais dificuldades sentidas depois do surgimento desta pandemia? As dificuldades foram sentidas de forma imediata no turismo, com a quebra de emissões de voos e pedidos de reservas. Iniciou-se uma fase, com o fecho de fronteiras iminente, em que os Agentes de Viagens, fizeram todos os esforços para acudirem a esta situação de excepção. As Agências de Viagens (e todos os Operadores Turísticos) trabalharam horas e horas, a ajudar os clientes (e não clientes) a fazer de tudo o que estava ao nosso alcance, a acreditar por vezes em impossíveis, a não aceitarmos o não junto dos fornecedores, tentando arranjar soluções com as companhias aéreas, para assim minorar problemas e os prejuízos aos clientes. Andamos simultaneamente e de forma mais urgente a prestar todo o apoio, na resolução de todas as situações, para fazer regressar os portugueses e ultrapassando cancelamentos aos magotes de rotas e voos por parte de companhias aéreas, que complicaram toda a tarefa que tivemos pela frente naqueles (longos) dias.

O Instituto Nacional de Estatística (INE) confirmou a expressão “praticamente nula” da atividade turística em Abril, tem ideia desses números?
A crise pandémica no Turismo foi um autêntico tsunami, uma crise sem precedentes que se abateu sobre todos nós. Os hóspedes em alojamento turístico diminuíram 97,4% e as dormidas 97%, face ao mês homólogo do ano passado. Segundo o INE, as dormidas de residentes recuaram 93,0% (-58,1% em Março) e as de não residentes decresceram 98,6% (-58,9% em Março). Em Abril, no contexto do estado de emergência, cerca de 83,1% dos estabelecimentos de alojamento turístico estiveram encerrados ou não registaram movimento de hóspedes. Os proveitos totais caíram 98,3% (-59,9% em Março), situando-se em 5,7 milhões de euros. Os proveitos de aposento, por sua vez, fixaram-se em 5 milhões de euros, diminuindo 98% (-59,7% em Março). Os números não enganam, confirmam o pior dos cenários e quando saírem os números dos meses de Maio e Junho não serão muito diferente infelizmente.

Com a pandemia do novo coronavírus, para além da aplicação das devidas medidas de higiene e segurança, as companhias aéreas foram aconselhadas a diminuir a capacidade de lotação dos voos, para evitar uma proximidade entre os passageiros. Contudo, as empresas recusaram-se a aceitar essa decisão. Qual a sua opinião? O ar que respiramos dentro de um avião é constantemente renovado durante o voo. Capturado a partir do exterior, o ar é misturado com o ar interior numa proporção de 30 a 50%. O ar é recolhido perto dos motores, passa por um equipamento de ar condicionado, é aquecido até 20 graus e pressurizado até atingir a pressão atmosférica próxima ao nível do mar. Passa então por filtros HEPA (High Efficiency Particulate Arrestance), de alta eficiência, que eliminam 99,97% das partículas, incluindo vírus e bactérias. Em média o ar no interior do avião é renovado a cada 3 minutos. Juntando isto ao controlo de temperatura, os testes ao Covid-19, o uso de máscara, sem descartar outras medidas, tais como o passaporte de saúde, a renovação e as devidas medidas de higiene e segurança nos aeroportos serão suficientes, no meu entender, para anular praticamente o risco de contágio.

No seguimento do anúncio que a Madeira vai pagar os testes ao Covid-19, acha que é um exemplo a seguir para ajudar a retoma turística? É um exemplo para a Europa e para a aviação civil de como podemos desenvolver as ligações aéreas com alicerce de segurança. O único alicerce de segurança que pode haver, neste momento, é o teste. Não há outro! Esta medida pretende melhorar garantias de segurança, bem como agilizar a retoma turística e regresso à actividade de profissionais actualmente em lay-off simplificado. Miguel Albuquerque anunciou ainda que a Região Autónoma da Madeira vai estabelecer protocolo com uma entidade devidamente certificada em Lisboa, para que todos os passageiros que viajem da capital para a região possam ser testados antes da partida, a custas do Governo Regional. Esta medida, que antecipa a testagem que seria obrigatória à chegada ao destino Madeira, também será suportada pela Região Autónoma da Madeira e teve efeitos a partir de 1 de Julho. Existem negociações semelhantes para os passageiros que partam do Porto, havendo já um acordo com as ilhas Canárias e o mesmo deverá suceder com os Açores. Ajudar na retoma rápida do turismo é preferível do que estar a gastar, mais tarde, esse dinheiro em subsídios de desemprego. Por outro lado, é preferível que as pessoas retomem a sua actividade, ao invés de estar a pagar-lhes para que continuem a não trabalhar, pela sua actividade estar paralisada. Para a retoma turística, é importante que a Madeira mantenha a sua atractividade enquanto destino Covid zero. Assim, é necessário continuar a ter condições de segurança para a população, garantindo que as pessoas que entram tenham um teste negativo, mas a região está também ciente que tem de facilitar esta modalidade, sob pena de os turistas não virem.

Que destinos as pessoas mais procuram neste momento? Estamos a assistir a uma modificação estrutural do consumo e da oferta de produtos. O velhinho slogan do Turismo de Portugal “Ir para fora cá dentro” está mais actual do que nunca! O cenário nacional configura-se como uma oportunidade, talvez seja a única neste verão, de desenvolvimento e acredito que a maior parte dos turistas portugueses darão preferência a estadias em Portugal, sobretudo nas regiões do Algarve, Alentejo e Douro. O desejo de viajar continua, talvez até mais forte devido ao confinamento, mas prevalecerá a segurança e as pequenas deslocações no nosso território, o turista vai estar mais interessado em fomentar a descoberta das potencialidades locais, valorizar os espaços e as atrações nacionais.

*esta entrevista realizou-se durante o mês de Junho.