Ensine aos seus filhos como funciona o crédito

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credit cards on a blue background, selective focus. closeup.

A infância é um momento essencial para os pais transmitirem aos filhos os seus valores mais importantes em relação ao dinheiro, tais como o valor do dinheiro, do trabalho, a importância da poupança e de gerir um orçamento. Mas é também importante ensinar às crianças desde cedo a compreender o que é o crédito e como funciona.

A melhor forma de lhes ensinar isso desde cedo é começando por explicar o que é um empréstimo: se eu empresto a minha camisola ou o meu brinquedo, eu espero que me devolvam tal como a entreguei e o mesmo se for eu a pedir alguma coisa emprestada.

A partir do momento em que o seu filho começa a ler, pode ir com ele à biblioteca mais próxima de casa para que ele possa praticar a pedir livros emprestados, quais as obrigações que tem de os devolver, etc. Desta forma, começará a trabalhar a competência ainda antes de envolver dinheiro e o funcionamento dos empréstimos começará assim a ser apreendido.

Mais tarde, a partir do momento em que o seu filho já tiver uma semanada ou mesada e quiser comprar uma coisa de valor elevado, poderá ser uma boa oportunidade para ele começar por analisar se precisa mesmo do que vai comprar – ou seja, se é uma necessidade ou um desejo – e se chegar à conclusão de que quer e pode comprar isso, poderá fazer-lhe um empréstimo, combinando em que prazo o irá pagar e pode, inclusivamente, a partir da adolescência, estabelecer um juro para esse empréstimo, como forma de explicar o que são os juros (custos do empréstimo) e como é preciso ter esses custos em conta na devolução do que foi emprestado (prestações).

Mais tarde, dê também a conhecer aos seus filhos os vários tipos de crédito que existem no mercado e as principais categorias: crédito à habitação, pessoal, crédito automóvel, cartões de crédito, etc. É importante salientar-lhe que antes de contrair um empréstimo terá que avaliar a sua capacidade financeira de o pagar/devolver mensalmente, podendo também explicar o que é a taxa de esforço – valor máximo de valor com prestações que pode assumir por mês, tendo por base o rendimento disponível.

É também de recordar que quando se recorre ao crédito já se deverá dominar a competência de fazer e gerir um orçamento, assim como poupar, pois é essencial ter uma reserva para fazer face a imprevistos, especialmente quando uma parte do que recebemos é destinada ao pagamento de um empréstimo, fazendo com que se reduza o nosso rendimento disponível.

E, caso tenha um crédito à habitação e/ou um crédito automóvel aproveite para exemplificar o que lhe ensinou sobre crédito, dando a conhecer o peso que estes encargos têm no orçamento familiar.

Tal como com outros contratos, explique ao seu filho que é fundamental ler com atenção a minuta do contrato, e mais do que uma vez, até porque, por norma, existem termos complexos. Desde cedo é essencial entenderem que não devem assinar nada que não entendam totalmente e que devem esclarecer toda e qualquer dúvida para evitar surpresas no futuro.

No que toca ao recurso ao crédito, os pais assumem um papel de relevo na forma como os filhos o encaram na vida adulta. Assim, é essencial que desde a infância os pais sejam o exemplo daquilo que ensinam.

 

Por: Susana Albuquerque, Coordenadora de Educação Financeira da ASFAC – Associação de Instituições de Crédito Especializado