Educação Financeira no Natal

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Cá estamos. Chegamos a correr ao final do ano. A tão esperada época Natalícia avizinha-se e os miúdos não conseguem conter a emoção e a expectativa em relação ao Natal. Enquanto os miúdos esperam ansiosamente, os graúdos suam com o aproximar da data. Fazem das tripas coração para agradar, para “encontrar” o presente certo, ou os presentes certos.

Este cenário natalício é uma desgraça financeira completa. No meio deste consumismo moderno, que a nossa sociedade tanto impinge, perdemos o verdadeiro espírito natalício.

O Natal não se trata de árvores de natal a abarrotar e cartões de crédito no plafond máximo. O Natal é época de celebrar a família, de passar tempo com os nossos. É altura de valorizar o que realmente importa, e celebrar o amor. Após este cenário realisticamente assustador nem tudo está perdido. Podemos presentear os nossos familiares e as pessoas à nossa volta sem gastar balúrdios e evitando o stress que muitas vezes nem permite apreciar a época. Como?

Primeiro, temos a obrigação de fazer um orçamento para os gastos natalícios. Quanto podemos gastar sem colocar o orçamento familiar diário em risco? Se tivermos uma noção inicial de valores, e colocarmos o montante à parte, poderemos sempre efetuar uma lista de compras com base naquilo que podemos gastar. Alocar percentagens para cada membro da família e procurar lembranças / presentes que se encaixem dentro do valor permitido. Mais importante que isso, não passar do limite. Tem que existir o controlo sobre aquilo que se vai gastar e não podemos esticar a corda.

Segundo, comprar online é a melhor opção. Comprar atempadamente online, permite pesquisar exatamente o que se quer e existe menos propensão a desvios. Os comerciantes são ávidos e muito inteligentes, têm a habilidade de nos fazer acreditar que precisamos de mais do que realmente precisamos. Ir a lojas durante o Natal, significa ser bombardeado por cores, formas, cheiros e ficamos zonzos com tanta oferta. Temos a tendência para comprar tudo o que vemos. Se têm a tendência para serem influenciados a desviar da lista de compras, fujam das lojas como o diabo foge da cruz. Façam as compras online e ficarão mais livres da tentação.

Terceiro, fazer presentes personalizados. Embora tenhamos a perceção de que os miúdos ficam contentes com presentes caros, acreditem que esse contentamento é momentâneo. Contudo, criar memórias é para a vida. Podemos voltar aos presentes manuais: quadros, fotografias, peças de roupa em crochet… Criar lembranças e interagir juntos é o verdadeiro espírito Natalício. Passamos o ano todo a correr e mal temos tempo para nos sentarmos e apreciarmos a nossa família. Devemos aproveitar esta época para o fazer. O tempo que se perde nas lojas poderá ser substituído na cozinha, na sala, no jardim… Não há nada melhor que nos “sujarmos” juntos e alegremente. E o melhor de tudo, os miúdos sentem-se incluídos e parte da equipa. Aproveitem para cozinhar e experimentar receitas de família.

Quarto e último: a poupança não está apenas nos presentes. A poupança também está nas refeições. O jantar de família deve ser comparticipado por todos. Preparar a lista das iguarias que se querem presentes na mesa natalícia de acordo com o número de pessoas é da máxima importância, assim como nomear responsáveis pela confeção das mesmas. Planear a ceia é importante para evitar gastos extras, desperdício e os tão indesejados aumentos de peso.

 

Envolver as crianças no planeamento do Natal, nas atividades e no orçamento é o melhor a fazer. Os pais têm tendência para evitar o envolvimento dos filhos no que toca a falar sobre questões financeiras mas, é importante, essencial e obrigatório envolvê-los nestas decisões desde cedo. O Guia Prático da Educação Financeira reflete a importância da educação financeira nas crianças. A intenção não é causar pressão, mas sim, “consciencialização”.

Julgo que estar consciente é a palavra de ordem. Estarmos conscientes de quem amamos. Estarmos conscientes do que gastamos. Estarmos conscientes de como gastamos. E, principalmente, estarmos conscientes de como passamos o tempo com aqueles que amamos. O Natal não é época de excessos, é época de celebrar o que de mais sagrado existe: a família. Se houver excessos que seja no tempo que passam juntos… Não deixem o espírito natalício afetar-vos o bolso, permitam que ele vos aqueça o coração.

POR: Adelaide Miranda _ Engenheira, Escritora e Empresária

www.adelaidemiranda.com

Instagram: @adelaide_miranda