E que tal adotar um avô? 

0
154
E que tal adotar um avô? 
E que tal adotar um avô? 

Se a ideia só por si já é boa, ganha ainda mais sentido em tempo de pandemia, quando muitos dos lares de idosos estão fechados e as pessoas se sentem mais sozinhas e isoladas. Os projectos estão aí, os avós também e os voluntários vão sendo cada vez mais.  

A ideia de um cidadão poder adotar um avô dando-lhe atenção e fazendo-lhe companhia surgiu em Espanha e rapidamente se espalhou a outras geografias. Em Portugal também já vão aparecendo algumas iniciativas, nomeadamente a recém-lançada pela Misericórdia do Porto que, através do projeto “Adote um Avô” procura promover a aproximação entre pessoas de gerações diferentes, com gostos em comum e vontade de partilharem afetos. 

E se a ideia ainda estava a ser aprimorada, a entidade acabou por antecipar o seu lançamento no ano passado, devido ao contexto pandémico, reconhecendo “que os idosos sem retaguarda familiar sentem de forma ainda mais severa essa ausência». 

Assim, com este projeto, pretende-se, como em qualquer outra relação de adoção, ainda que neste caso não seja uma adoção formal, “construir laços para a vida toda e minorar o sentimento de solidão dos que, na fase da terceira idade, já não contam com o conforto de ter a família por perto”.

A iniciativa arrancou nas três ERPI – Estruturas Residenciais para Pessoas Idosas da Misericórdia do Porto, onde foram identificados e avaliados os idosos com perfil e vontade de receberem um novo neto ou neta na sua vida.

Em paralelo, decorreu o recrutamento dos novos “netos”, selecionados de entre os voluntários da Instituição ou com relação anterior à mesma. Os candidatos a “netos e netas” foram igualmente avaliados quanto ao seu perfil e vontade de, eles próprios, serem adotados por um novo avô ou avó.

E que tal adotar um avô? 
E que tal adotar um avô?

O processo de matching iniciou-se com nove seniores residentes das ERPI, disponíveis para iniciar o processo de adoção, sendo que todos, neste momento, efetivaram o processo, estando, por isso, já em contacto com os seus novos netos. Como explicam os promotores, neste momento “a preferência é que os contactos sejam estabelecidos de forma remota, por vídeochamada, mas já muitos netos e netas agendaram visitas presenciais aos seus novos avôs e avós”, cumprindo todas as normas de segurança indicadas pela Direção Geral de Saúde. 

Uma iniciativa que é já considerada “um sucesso” e onde as histórias e experiências se multiplicam.  

Mas a Misericórdia alerta: “Cada adoção é um ato de enorme responsabilidade para cada novo neto ou neta, que passam, a partir desse momento, a ter alguém que lhes confiou os seus afetos, numa fase tão mais especial e vulnerável da vida de um indivíduo”. 

Na mesma linha, também a Amato Lusitano – Associação de Desenvolvimento lançou o programa de voluntariado “Avós Adotados”, no âmbito do projeto Contrato Local de Desenvolvimento Social de 4.ª Geração (CLDS 4G).

A atividade integra-se no Eixo 3, referente à promoção do envelhecimento ativo e apoio à população idosa, que tem como objetivo “fazer o match entre potenciais voluntários e idosos, de forma a combater a solidão e o isolamento social dos mais velhos”. Ou seja, os jovens que se disponibilizarem a integrar esta bolsa de voluntários têm oportunidade de “adotar um avô ou avó”, entre os idosos que residem sozinhos e que se possam encontrar numa situação de maior vulnerabilidade social.

Em termos práticos, os jovens irão contactar telefonicamente o seu “avô” ou “avó”, de forma regular, levando-lhes uma palavra amiga, que estabelecendo um laço de proximidade possa servir para quebrar os níveis de isolamento social.

O objetivo é “colmatar situações de isolamento social dos seniores residentes no município de Castelo Branco, contando também nesta linha com o apoio de diversas instituições da rede social do território, para a sinalização destes casos”, tal como explica a equipa CLDS 4G em comunicado.

O formulário para inscrição neste programa já está disponível nas várias plataformas e contactos usados pela Amato Lusitano.

Este projeto é tutelado pelo Instituto de Segurança Social e financiado pela POISE – Programa Operacional Inclusão Social e Emprego, prevendo-se que seja executado durante um período de 36 meses.