Dia Mundial do SONO 13 Março Bebé que dorme… Família feliz

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Desde que o seu filho nasceu que não sabe o que é dormir uma noite inteira?

Há meses (ou anos) que não dorme no mínimo sete horas seguidas?

Filipa Sommerfeldt Fernandes, especialista em sono infantil, mãe e autora do bestseller «10 Dicas para Ensinar o Seu Filho a Dormir», pode ter a solução para si. Há quem lhe chama a fada do sono. Descubra porquê!

Quando ficou grávida do primeiro filho, Filipa frequentou um curso de preparação para o parto “onde se falou de muita coisa importante, mas onde não se abordou o sono do bebé e a sua importância.

Por isso, quando tive o meu filho nos braços não fazia ideia dos hábitos que deveria fomentar ou dos cuidados que deveria ter em relação ao sono.

Na realidade, rapidamente entendi que o mau sono do meu bebé influenciava muito o seu bom humor e disposição e consequentemente a forma como eu vivia a maternidade.

E ele dormia mal!”, partilha a especialista em sono infantil, acrescentando que “quando tentei pedir ajuda encontrei dois tipos de ideias e profissionais: os que me diziam que eu deveria deixar o meu filho ‘a chorar até se cansar’ e os que me diziam que ‘era normal’, que deveria ‘aguentar’, que ‘o bebé precisa de colo’ e de contacto e que um dia iria dormir.

Ora, eu não tinha coragem nem vontade de deixar o meu filho chorar – ninguém tem! Mas também não precisava que me dissessem que devia dar colo ao meu bebé! Como se alguma mãe precisasse que lhe digam para dar colo ao seu bebé! Eu dava-lhe colo.

A toda a hora. Decidi que deveria haver uma opção que – no meu ponto de vista – fosse mais sensata e saudável (para ele e para nós, pais).

E foi assim, que encontrei o primeiro curso que frequentei sobre sono. Foi só aí que entendi como dormem os bebés e porque dormia mal o meu filho. O tema interessou-me tanto que me fui dedicando a ele cada vez mais. E foquei-me neste tema até hoje. Já lá vão 7 anos”.

Os “erros” mais comuns

Quando questionada em relação aos erros mais comuns que os pais comentem quando se trata de “ensinar” um bebé a dormir, Filipa Sommerfeldt Fernandes refere que “Eu não lhes chamaria ‘erros’.

Nada do que uma mãe/pai faça com amor pode ser considerado um erro. Mas, de facto,  há comportamentos que, na maioria dos bebés e crianças pequenas, pode não ajudar numa boa higiene de sono”.

Ora tome nota:

– O deitar demasiado tarde pode prejudicar bastante o sono das crianças. Ouvimos muitas vezes as pessoas a dizer para deixarmos os miúdos cansados e deitá-los tarde para assim dormirem mais de noite. Normalmente acontece o contrário!

– O não ter um dia organizado – e quando digo organizado, não digo militar! – mas ter o sono diurno e as refeições organizadas ajuda muito a ter um sono noturno mais tranquilo.

– O saltar sestas porque acham que assim o bebé dorme mais de noite.

– O não ter um ritual agradável e tranquilo ao final do dia que ofereça previsibilidade e consistência ao bebé.

– O ser demasiado reativo e a qualquer movimento ou ruído do bebé fazer imediatamente um Shh, dar um aconchego, colocar a chucha ou tocar… os bebés mexem-se, fazem barulhinhos e até choramingam a dormir.

Se formos pais helicóptero a pairar em cima deles, preparados para reagir a qualquer ruído, acabamos por condicioná-los de forma a que irão precisar da nossa ajuda a toda a hora.

– O ensinar os bebés a precisar de ajudas externas para adormecer – ou seja, não fomentar a autonomia no adormecer, como se dormir fosse um bicho-papão e um bebé não conseguisse adormecer sozinho de forma pacifica.

Este é o tema mais controverso e que maior polémica causa pois muitas pessoas gostam de confundir autonomia com deixar a chorar sozinho num quarto. Nada de mais errado!

Numa época em que incentivamos a autonomia em tanta coisa (em algumas áreas, até precocemente!) o sono continua a ser tema tabu.

Por exemplo, desde muito cedo é sugerido por tantas pessoas o baby lead weaning, incentivar a autonomia na refeição, incentivar a que o bebé escolha e pegue nos alimentos inteiros e os coma sozinhos… mas depois, adormecer sem ajudas – algo que, à semelhança da alimentação também é fisiológico, natural e essencial à sobrevivência – já é impensável que se faça sozinho.

Quase como se fosse uma impossibilidade física e emocional.

A verdade é que a maioria dos bebés dorme bem. Adormece sozinho. Consegue readormecer de noite quando desperta, exceto se estiver desconfortável ou incomodado. Quererá isto dizer que a maioria não é a “normalidade”?

– Outro “erro” comum é não valorizar o sono. Não lhe dar a importância que de facto tem. Quem passa por meses ou anos de noites mal dormidas sabe que acaba por não ser a mãe e o pai que desejaram ou queriam ser.

A privação de sono é uma forma de tortura. O cansaço acumulado, o stress e a frustração acabam por interferir na forma como vivemos a parentalidade, na energia que temos e na vontade de brincar, estimular e usufruir dos nossos pequeninos.

A importância de criar rotinas

Na hora de ajudar o bebé a dormir “as rotinas são balizas num dia de muita novidade e acontecimentos. São essenciais a um sentimento de segurança nas crianças pequenas.

Existe tanto mundo novo, que saber que existe uma cadência em certos momentos do dia, os ajuda a permanecer tranquilos e seguros.  Todos nós temos rotinas que nos ajudam a relaxar e ‘desligar’. Podemos nem os notar, mas certamente que a maioria os tem.

Para uns é ver uma série, para outros, ler umas páginas de um livro, para outros, meditar, para outros, beber uma caneca de leite morno… e nós somos crescidos, reconhecemos e definimos o encadeamento do dia.

Por isso, para as crianças, ser apanhadas desprevenidas com a ida para a cama – em que a brincadeira e a descoberta tem de cessar, em que existe efetiva separação dos pais – não funciona bem”, alerta a especialista, frisando ainda que “os pequeninos precisam de uma cadência de acontecimentos que os tranquilizem, que lhes encham o coração, que os apaziguem para que possam ir descansar de forma tranquila.

Para alguns é o banho, para outros, o leite ou uma história. Mas deve sempre passar por um momento com os pais, tranquilo, com pouco estímulo, mas com muito contacto e calma”.

POR: AIDA BORGES

(Artigo disponível na integra na nossa edição 12 impressa Capa Março )