DIA DE MÃE! MÃE, MÃE, MÃE, MÃEEEEEE!!!

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Desenhos: Michele Costa

POR: PEDRO SAMPAIO NUNES Pediatra

Seja mãe, mamã ou mãeeeeee, esta é provavelmente a palavra mais repetida pelos nossos filhos, por vezes, até à exaustão da loucura! E mesmo que o pai também lá esteja, mãe é mãe e sempre será!

A ligação que se cria entre mãe e filho é algo que ultrapassa o vínculo familiar, social e ambiental. É uma relação carnal, físi­ca e emocional que nós pais não compreendemos, nem nunca sentiremos. O ter uma pequena centelha de vida a crescer den­tro de nós, o trazer vida a este mundo, é algo que nós, homens, nunca teremos o privilégio de vivenciar, e essa experiência transforma irreversivelmente qualquer pessoa.

Recordo-me que, antes de ter filhos, a minha mulher não era propriamente uma apaixonada por crianças! Na verdade, esquivava-se a pegar num bebé ao colo e, se o fazia, parecia que estava a segurar um qualquer bibelô com medo de o par­tir. Ter filhos mudou tudo. O olhar dela no momento em que viu a nossa primeira filha foi algo que nunca tinha visto. De pré-mamã fugidia a mamã babada foram 6 horas de trabal o de parto! E, desde então, não nada mais importante que as duas pequenas criaturas que habitam lá em casa.

É verdade que lá em casa tudo é repartido: os banhos, a ali­mentação, as fraldas, a roupa, os ranhos e os vómitos ... Mas, quando estão doentes, é a mãe que cuida. Quando dramas na escola, é a mãe que resolve. Quando se magoam, é à mãe que vão. Quando não encontram a camisola favorita, é a mãe que sabe onde está. E quando acordam de um pesadelo, é a mãe que os adormece ... Enfim ... O pai está lá para a brincadera e para ser o backup da tranquilidade e serenidade materna! Aqui há uns tempos, a mãe esteve fora durante um mês e dei comigo a ser pai solteiro. E, de repente, perguntei-me quantas crianças na verdade viviam lá em casa, tal era a quantidade de roupa suja !Perguntei-me como era possível manter a casa ar­ rumada quando lá habitam dois pequenos hooligans com ape­tências destrutivas! E como é que se consegue gerir o ringue de boxe da relação entre irmãos sem qualquer vesgio de sangue! Eles sentiram falta da mãe e eu também! Mas, acima de tudo, 

passei a ter ainda mais admiração pela mãe e pela mulher! Recordo um momento quando a nossa filha mais velha ti­nha quatro anos e repetidamente chamava : mãe, mãe, mãe, mãeeeeee!! !Quando lhe respondi: “A mãe não está. Está aqui o pai !”, ela prontamente devolveu : “Está bem, mas a mãe é que resolve!”.

Dia 5 de maio é dia da mãe. Todos os outros são dias de mãe! •

NOTA: O autor não escreve ao abrigo do acordo ortográfico, pois não o entende!