Como promover a inteligência emocional nas crianças 

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Ultimamente tem-se ouvido falar bastante de inteligência emocional e como esta está diretamente ligada ao sucesso. Mas, o que é isso de inteligência emocional? Nada mais do que a capacidade de perceber, usar e gerir as emoções de forma positiva para libertar o stress, comunicar de forma efetiva, criar empatia com os outros, superar desafios e gerir conflitos. Basicamente, a inteligência emocional permite-nos construir relações mais fortes, sermos mais bem-sucedidos na escola e no trabalho, assim como atingir os nossos objetivos a nível pessoal, educacional ou profissional.

Dito isto, podemos concluir que a inteligência emocional nos ajuda a melhorar a nossa performance na escola e no trabalho, a nossa saúde física (porque liberta-nos de stress), a nossa saúde mental (reduz a ansiedade e a tendência para a depressão), os relacionamentos e a nossa inteligência social.

Então, se a inteligência emocional tem tanto impacto na nossa vida, por que motivo a maioria de nós tem dificuldade em gerir as emoções? Simplesmente porque somos ensinados desde cedo que as emoções são algo mau. Desde crianças que somos condicionados em relação às nossas emoções. É-nos dito que ter raiva é mau, que um homem não chora… é-nos ensinado que  demonstrarmos sentimentos é um sinal de fraqueza. O que é importante, essencial e obrigatório é que nos seja ensinado que as emoções são neutras, não são nem boas nem más, e que devemos entendê-las e perceber qual a mensagem por trás da emoção. Ou seja, o importante é tomar consciência da emoção, parar para perceber a mensagem e encontrar uma solução para a situação em questão. 

Percebendo a importância desta temática, como é que nós, graúdos, podemos promover uma melhor inteligência emocional dos miúdos? Aqui vão dicas práticas que podem ajudar:

Dica 1: Categorizar as Emoções

Os miúdos devem aprender a reconhecer o que sentem e ter a capacidade de dar um nome às suas emoções. Identificar emoções como raiva, desilusão, timidez, alegria, excitação… ou seja, construir um vocabulário emocional e não conotar alguma emoção como negativa ou positiva.

Dica 2: Mostrar Empatia

Mostrar empatia é crucial. Devemos validar as suas emoções e os seus sentimentos. Existe uma tendência para minimizarmos as emoções dos miúdos, principalmente quando se trata de raiva, frustração, desilusão. Quando uma criança se sente entendida, tem menos tendência para dramatizar e chamar a atenção de forma negativa.

Dica 3: Ser o Exemplo

Aquela história do “faz o que eu digo, não faças o que eu faço”, deve acabar aqui. Se queremos crianças com elevada inteligência emocional, devemos praticar inteligência emocional e dar o exemplo de como lidar com as diversas situações. Como já havia explicado, a melhor forma de gerir as emoções é identificando-as, parando para analisar, encontrar soluções para a situação que despoletou a emoção. 

Dica 4: Ensinar Técnicas Práticas

Esta dica serve para as emoções mais desconfortáveis. Técnicas como “pára, respira, relaxa”, ou livros de colorir são excelentes para quebrar o “estado”.  Estas técnicas vão permitir que as crianças passem o menor tempo possível afetados por estas emoções.

Dica 5: Ensinar a Resolver Problemas

Já mencionei que devemos encontrar soluções para as situações que despoletaram as emoções. E como é que o fazemos? Para cada situação devemos solicitar que as crianças encontrem, pelos menos, cinco soluções. Ou seja, o que podemos fazer para resolver isto? A, B, C, D ou E? Depois de identificadas, devemos incentivá-las a encontrar os prós e contras de cada uma delas, e depois selecionar a opção mais viável. Basicamente, o que queremos é criar a capacidade de aprender com as situações e arranjar ações que possam gerar resultados diferentes.

Dica 6: Há sempre espaço para melhoria

A gestão das emoções deve ser diária. Não existe uma meta para atingir. A meta é a melhoria contínua. À medida que as crianças vão crescendo, novas situações vão surgindo com o crescimento, com a adolescência… Portanto, o trabalho nunca acaba para os miúdos e muito menos para os graúdos.

O segredo é estarmos sempre atentos, identificar as emoções, parar para analisar a situação e procurar soluções. Usar os erros como oportunidades de crescimento é a melhor forma de aprendizagem. Claro que vão acontecer situações de má gestão de emoções mas, o importante, em vez de criticar e repreender, é ajudar a perceber como poderá fazer melhor no futuro. O nosso papel como graúdos (pais), passa também por desenvolver a nossa própria inteligência emocional, para que possamos ajudar os nossos miúdos a gerirem as suas emoções e terem a possibilidade de serem mais bem-sucedidos no futuro. 

Um dos truques que aprendi a usar para gerir as minhas próprias emoções, é o chamado “semáforo da inteligência emocional”:

– vermelho, pára e acalma-te (respira fundo);

– amarelo, identificar o problema e a emoção, procurar soluções;

– Verde: avançar e fazer sempre melhor!

POR: Adelaide Miranda _ Life Coach de Alta Performance