Como ajudar os nossos miúdos a tomarem decisões 

0
136
Happy schoolgirl raising her hand in front of a blackboard

Confesso… confesso que nos últimos 12 anos por várias vezes fui “mãe galinha”. E está tudo bem.

Mimar os nossos filhos é ótimo, a questão é que sabemos bem que na vida tudo o que é em excesso não dá bons resultados.

Do que é que me apercebi? Que tenho sido tão galinha que ao mesmo tempo não tenho dado oportunidade ao meu filho de “crescer”.

Pois é, proteger os nossos miúdos de determinadas situações acaba muitas vezes por minar a sua capacidade de tomar as suas próprias decisões e viverem as consequências das mesmas. Isso impede-os de crescer.

Após esta tomada de consciência percebi que mimar o meu filho é bom, mas também que está na hora de deixá-lo viver determinadas situações e de começar a prepará-lo para uma vida na qual ele terá de tomar as suas decisões sem a intervenção da Miss Galinácea.

A beleza da vida é que temos sempre tempo para a mudança. Portanto, arregacei as mangas e pesquisei sobre formas dos graúdos começarem gradualmente a desamparar a loja e a permitirem que os miúdos tomem as suas próprias decisões.

Recolhi oito dicas que tenho colocado em prática. Obviamente que vou falhando de vez em quando, mas isto é um processo. O que importa é começar e não desistir. A parentalidade é e sempre será um processo de “trial and error”, ou seja, ir experimentando e ver o que resulta, porque cada miúdo é um miúdo.

Dica Número 1 – Deixar Cometer Erros

Esta para mim é a mais difícil. Como pais temos a tendência para os proteger de tudo e mais alguma coisa, mas é necessário que eles cometam erros porque é com esses erros que realmente aprendem. Percebam que, enquanto isto não acontecer, tudo aquilo que falamos não passa de teoria e a melhor forma de aprender é com a prática. Deixar cometer erros é deixar viver. De forma gradual devemos deixar que cometam erros e falar sobre a situação para que possam “entender” a grande lição por trás. Lembrete: é com as lições que aprendemos!

Dica Número 2 – Expor ao Mundo Real

Complicado… muito complicado, mas tem de ser. Não podemos colocar os nossos filhos numa redoma, pois a realidade do mundo é muito diferente daquela que vivemos dentro de casa e eles têm de ser preparados para essa realidade. Perceber o que acontece no mundo real é importante, essencial e obrigatório. Conversas sobre a situação global devem ser mantidas com alguma frequência e obviamente com as palavras bem selecionadas. Mas problemas como fome no mundo, drogas, doenças, abuso na sexualidade… são coisas que acontecem diariamente e que mais cedo ou mais tarde irão ser expostas aos olhos dos nossos filhos. Convém que esta mensagem venha da fonte mais segura que eles conhecem: os pais e quem deles cuida.

Dica Número 3 – Ensinar a Prática do Autoconhecimento

Não há nada melhor na vida do que conhecermos exatamente quem somos. Termos a perfeita noção das nossas qualidades e dos nossos defeitos permite que tomemos decisões com base na nossa personalidade. Permite que possamos trabalhar naquilo que são os pontos menos fortes e enaltecer os pontos mais fortes. Quando sabemos quem somos tomamos melhores decisões. O nosso papel como graúdos é o de sermos honestos com os nossos miúdos e ajudá-los a reconhecer as suas características. 

Dica Número 4 – Perceber os seus Interesses

Temos uma tendência para quase “obrigar” os nossos filhos a fazerem aquilo que nós queríamos ter feito e não tivemos a oportunidade, ou aquilo que nós fazíamos tão bem. Há que entender que os nossos filhos têm a sua própria personalidade e os seus interesses. Percebermos isso e procurarmos exemplos de pessoas que foram bem-sucedidas dentro desses interesses é uma excelente forma de motivar e ajudar no processo de decisão. Exemplos de sucesso dentro das áreas que mexem connosco são a melhor forma de persistirmos.

Dica Número 5 – Conversar com os Miúdos

Sim, conversar. Conversar sem que soe a sermão. Comunicação aberta é vital, mas confesso que das coisas mais complicadas de conseguirmos. O segredo é procurar pontos de interesse em comum e iniciar a comunicação por aí. Ter atenção às palavras e perceber que, apesar de serem nossos filhos, têm mente própria. Aceitar que as opiniões podem divergir é muito importante até para que eles percebam que cada um tem direito a ter a sua opinião e que ninguém pode ser recriminado por isso.

Dica Número 6 – Participar em Atividades

Não há melhor forma de aprender a tomar decisões e de desenvolver aptidões do que participar em atividades extracurriculares. Escuteiros, equipas de desporto… É importante, essencial e obrigatória a participação em atividades de grupo, com outros miúdos com diferentes personalidades, por forma a que eles aprendam a lidar uns com os outros e a ter consciência de decisões que devem ser tomadas em prole do grupo e em grupo.

Dica Número 7 – Elogiar

Vamos elogiar os nossos miúdos com mais frequência? Sim. Sim. Sim. Sei que existe uma tendência para apontarmos os pontos negativos e deixar os positivos de fora, mas quanto mais elogiarmos de forma honesta, mais iremos reforçar a tomada de decisão. E, na altura de tocar nos pontos negativos, devemos iniciar a conversa focando nos pontos positivos primeiro, ou seja, elogiando, e depois acrescentando o que pode ser melhorado. 

Dica Número 8 – Ser o Exemplo

Sim. Dar o Exemplo. Dar o exemplo é importante, essencial e obrigatório. Se não seguirmos os valores e princípios que tentamos incutir como é que esperamos que os nossos miúdos o façam? A melhor forma de ensinar é dando o exemplo. Usar os nossos exemplos, admitir as nossas próprias falhas e deixar claro que não somos perfeitos e que ninguém o é irá permitir uma relação mais próxima. Afinal, somos todos iguais, estamos apenas em estágios diferentes da vida.

Vou terminar este artigo lembrando que os nossos miúdos têm o direito de viver a vida deles. Por mais que este seja o sentimento, eles não nos pertencem. São do mundo. O melhor que podemos fazer é dar-lhes as ferramentas para que possam tirar o melhor partido do mundo e construir a vida que querem. O nosso verdadeiro trabalho é amá-los, estar e caminhar ao seu lado em vez de os colocar no colo e lutarmos as suas lutas. Se é fácil, não, não é. Mas é o caminho para permitirmos que os nossos filhos sejam a melhor versão deles mesmos, principalmente quando nós já por aqui não estivermos.

 

A Igualdade de Género começa no BerçoPOR: Adelaide Miranda _ Life Coach de Alta Performance