Carta aberta ao Sr. Sono

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Caro Sr. Sono,

Escrevo-lhe em nome de todas as mães e pais deste mundo e agradeço desde já o tempo que vai dispensar a ler-me.

Sabe Sr. Sono, quando uma mãe dá à luz acontece muita coisa. Não é só o nascimento de um bebé, é toda uma aventura louca. Sabe, é que o parto é uma coisa complexa. Primeiro porque causa alguma dor. Alguma para as que têm sorte, mas o Sr. Sono vai perceber que sou uma pessoa otimista e pouco alarmista. E depois, Sr. Sono acontece algo muito aborrecido. Há hormonas nas mulheres que ficam descontroladas. Esquisito, não é? Mas ficam mesmo, juro-lhe. Tão descontroladas que as coitadas das mulheres choram e riem sem saber porquê, imagine. Ora nada disto tem aparentemente a ver com o Sr. Sono, mas como o Sr. não deve saber destas coisas também não se lembra que privar estas mulheres da sua companhia, nesta fase, é uma tragédia. Eu disse-lhe que era otimista, mas aqui não há otimismo que nos valha. Então, uma mulher descontrolada já se sabe que não é bom. Agora pense numa mulher descontrolada e com privação de sono. Já percebeu o termo tragédia, não já?

Sabe, quando o bebé nasce precisa de ser alimentado de três em três horas. Isto implica que pelo menos de três em três horas a mãe acorde. Se der de mamar a mãe pode estar uma hora a dar de mamar. É ridículo, eu sei, mas há bebés dos diabos e preguiçosos que só visto. Posto isto a mãe só vai dormir mais duas horas. Quando não dá de mamar pode ter o pai a intercalar os biberons e aí a coisa fica mais leve. Mais leve para a mãe porque o pai vai dormir menos. E repare. O pai teve um filho e não teve dores, mas tem uma mulher descontrolada com quem tem de lidar. E mais, se os dois vivem sem a companhia do Sr. Sono muito tempo temos uma mulher descontrolada e um pai à beira de um ataque de nervos.

( Artigo disponível na integra na edição 11 capa Fevereiro impressa em Banca)

Com estimada consideração me despeço e espero encontrá-lo bem todos os dias à mesma hora.

Grata,

Mãe Sombra