BULLYING, UM TRAUMA COM CONSEQUÊNCIAS NA VIDA ADULTA

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O bullying está gravado na nossa herança genética. Era através do bullying que os nossos antepassados lideravam os membros do seu grupo. Nos animais, o bullying é algo frequente e normal dentro do seu grupo, uma forma de dominar os seus companheiros e obter aquilo de que necessitam: alimento e sexo.

O bullying partiu de um comportamento primitivo, um meio para satisfazer as necessidades mais básicas.

No entanto, este e outros comportamentos deixam de fazer sentido à medida que caminhamos para uma consciência de união com o Todo, de amor incondicional pelo próximo. E é por isso que vivemos um momento onde este e outros comportamentos primitivos precisam de ser depurados da nossa espécie humana. 

No passado, o Homo Sapiens Sapiens, prevaleceu sobre todas as outras espécies humanas, pois conquistou o domínio da capacidade cognitiva, que lhe permitiu raciocinar e falar. A próxima espécie dominante será aquela que se conseguir unir à consciência coletiva mantendo a sua individualidade. Aquele que amará incondicionalmente o seu próximo, pois sabe que estamos todos ligados, aquele que sentirá a alegria e o sofrimento do próximo como se fizessem parte dos seus próprios sentimentos, aquele que compreende que todos somos provenientes da mesma origem, a Fonte de toda a Criação.

Muitos estudos se têm feito sobre bullying na última década, e as conclusões dizem-nos que uma criança que sofra de bullying pode desenvolver transtornos graves que se podem manifestar até à idade adulta, desde ansiedade, depressão, alterações do ADN ou mesmo alterações a nível da estrutura cerebral.

Um estudo realizado pela Universidade da Califórnia do Sul e o Hospital Pediátrico de Los Angeles em 2014, concluiu que o bullying tem consequências evidentes na estrutura cerebral de adolescentes, alterações essas que diferem entre meninos e meninas.

A amígdala, a parte do lobo temporal do cérebro que lida com medo, ansiedade e resposta emocional, mostrou-se maior, principalmente em adolescentes do sexo masculino.

Por sua vez, as meninas revelaram ter um córtex temporal e pré-frontal mais finos, as partes do cérebro que regulam o nosso comportamento social, linguagem e associação emocional.

Ambas as alterações são responsáveis por distúrbios, os córtex pré-frontal mais finos são associados a um comportamento mais impulsivo e perigoso, enquanto que as grandes amígdalas estão associadas à ansiedade mais tarde na vida.

Isto tudo para dizer que quando nos deparamos com um caso de bullying, os pais devem saber que o trabalho não acaba com o fim desta experiência traumática, é necessário tomarem medidas para que essas memórias gravadas no subconsciente dos seus filhos sejam tratadas.

(…)

(artigo disponível na integra na nossa edição 14  Capa Setembro_ Especial Regresso às Aulas e Bullying. Compre já ou subscreva nossa assinatura anual!)

POR Rita Dias _ Terapeuta EHC