Birras: O que são e o que deve fazer para ajudar o seu filho

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Perante uma birra, é cada vez mais importante que os pais adotem práticas baseadas numa parentalidade consciente, focadas no fortalecimento e na qualidade da relação pais-filho, ajudando-o ao longo do seu desenvolvimento, na gestão das suas emoções, sentimentos e necessidades.

Com estas práticas, estará a trabalhar para que o seu filho se sinta mais confiante, seguro e sobretudo feliz. 

O que é uma birra?  

Uma birra é uma desregulação emocional que ocorre na criança e que faz parte de um adequado desenvolvimento infantil. É através da birra e ainda sem a linguagem bem estabelecida, que a criança manifesta que está zangada, frustrada ou com raiva.

As birras ocorrem frequentemente quando a criança se encontra com alguma necessidade básica por satisfazer, geralmente, com fome, sono, cansaço ou desconfortável com algo, mas também podem ocorrer quando não conseguem algo que pretendem (e.g. ter um brinquedo). Estas ocorrem entre o primeiro ano de vida e os 3 anos. 

O que deve fazer perante uma birra? 

  • Procure regular-se

Perante uma birra, a criança está claramente desregulada, pelo que é fundamental que o adulto se autorregule primeiramente a si próprio, para que consiga ajudá-la a reestabelecer-se a nível emocional novamente.

É importante que não se desregule em conjunto com a criança, pois é consigo que esta irá aprender a autorregular-se. Enquanto pai ou mãe, tem este importante papel. Para que consiga regular-se no calor do momento, é importante que respire adequadamente, que tenha paciência e seja tolerante, que não critique e julgue.

  • Aceite e valide o que a criança está a sentir

Validar e aceitar o que a criança está a sentir é fundamental para uma adequada resolução da situação. Frases como “estou aqui para te ajudar”, “compreendo que estejas a sentir-te zangado”, “eu sei que é muito difícil para ti”, “eu vou ajudar-te” deverão ser usadas, para que a criança se sinta segura e apoiada. Conforte a criança com um abraço.

  • Adote uma postura empática

Não dispute o controlo ou poder da situação acabando numa feia discussão. Entenda que a criança não está a desafiá-lo, ela simplesmente ainda é incapaz de regular e controlar as suas emoções.

Não lhe peça que se acalme, pois nestas idades é impossível ela conseguir fazê-lo, uma vez que o seu cérebro é ainda bastante primitivo. Seja empático com o seu filho e ajude-o a colocar as suas emoções e sentimentos em palavras, à medida que ele desenvolve a linguagem. 

  • Ajude a criança a lidar com aqueles que são os “problemas” da sua idade

Com a criança mais calma e tranquila, mostre que está com ela na resolução daqueles que possam ser os seus problemas. Estamos sempre a resolver problemas no nosso quotidiano e as crianças não são exceção.

Entenda qual é o problema que o seu filho apresenta e explique que, por vezes, podemos deparar-nos com problemas “pequenos”, “médios” ou “grandes”, mas que existem alternativas para os resolver. Explique, por exemplo, que perante um pequeno problema como tentar apanhar um brinquedo que está fora do seu alcance, pode sempre pedir a sua ajuda para o alcançar, ficando assim o problema resolvido.

  • Recorra com frequência ao elogio 

Por forma a replicar os comportamentos adequados e a fornecer um modelo de comportamento, sempre que a criança realizar um comportamento apropriado, elogie-a de imediato.

É importante que sempre que recorre ao elogio o faça de forma autêntica e genuína. Algumas formas de elogiar são por exemplo dizer “que ótimo filho, arrumaste os brinquedos todos na caixa…boa” ou simplesmente, ter um gesto como bater palmas, fazer um sinal de positivo/fixe ou sorrir.

  • Ignore comportamentos que pretende evitar 

Aqueles que são os comportamentos que considera desadequados, deverão ser ignorados para que não seja atribuída qualquer importância pela criança.

Algumas dicas, são desviar o olhar, sair do local onde estão a ocorrer esses comportamentos, recorrer ao silêncio e não comentar o comportamento ou falar com a criança. Tenha uma atitude firme e não recue na sua abordagem.

Por fim, não esqueça que as birras fazem parte de um normal desenvolvimento e que, geralmente, não são motivo de preocupação, desaparecendo ao longo do tempo.

POR: Tânia Daniela Carvalho – Psicóloga Clínica

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