Birras às refeições, Como lidar com elas

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As birras durante as refeições são um verdadeiro pesadelo para muitos pais

Sem dúvida que um momento que deveria de ser de tranquilidade e partilha se pode tornar em algo extremamente stressante, tanto para pais como para os filhos.

Mas como podemos inverter este ciclo vicioso que muitas vezes já acarreta uma certa ansiedade, confusão e até angústia mesmo antes de acontecer?

Segundo estas condições, aliadas ao stress do dia-a-dia, podemos mesmo estar perante uma situação que culminará em birra, sendo esta não mais do que uma forma de expressão por parte da criança, que não está a conseguir lidar com o stressor.

As birras fazem parte do desenvolvimento da criança, no entanto, são situações que todos os pais pretendem evitar.

Neste artigo deixo algumas dicas que podem ajudar os pais na prevenção das birras à mesa (contudo, não existem soluções mágicas e elas acabarão por acontecer se o limiar de controlo por parte da criança for ultrapassado.

Nestes casos, há que “dar a volta à situação” e aqui a nossa imaginação enquanto pais é o nosso maior aliado, isto é, estamos perante um jogo de paciência!):

  1. Seja o exemplo 

Há estudos que revelam que os pais têm uma influência determinante nos hábitos alimentares dos filhos, por isso, adote bons hábitos alimentares e seja o exemplo.

Muitas vezes as birras acontecem pelo facto de a criança se recusar a ingerir determinado alimento (por exemplo sopa, legumes, entre outros).

Se não alcançarem o sucesso no primeiro impacto devem continuar a mostrar que o alimento deve ser ingerido e que eles próprios o fazem, por isso, são o maior exemplo para a criança.

Se não resultar, volte a reintroduzir o mesmo alimento noutra ocasião, associando-o, por exemplo, a sabores de que a criança goste. Por vezes é preciso insistir mais de dez vezes para que a criança aceite.

Nesta (e em todas as situações) os pais devem atuar do mesmo modo e ser coerentes, de forma a evitar confusão e dúvida por parte da criança. A refeição é um verdadeiro momento de partilha e todos devem fazer parte dela. 

  1. Rotinas são rituais a respeitar 

Nós, pais, devemos tentar manter os horários das refeições, estabelecendo rotinas coerentes com as crianças. Desta forma, a criança começa a assimilar que de acordo com determinada rotina a refeição se irá iniciar.

Por exemplo, porque não deixar a criança participar na preparação da refeição?  Ou em colocar a mesa? Vai sentir-se motivada e reconhece que teve importância na preparação daquele momento, do qual também deve usufruir.

Além da vertente pedagógica, isto possibilita que as crianças sugiram as suas preferências na preparação. Por que não fazer uma sopa de couve de Bruxelas em vez de repolho se visualmente eles acham as couves de Bruxelas mais divertidas?

Deixe-os ser criativos e saborear as suas inovações culinárias (claro que sempre com conta, peso e medida).

Ou por que não ter guardanapos mais divertidos com recortes de animais? Fique a supervisionar e seja o conselheiro no caso de dúvidas (eles vão adorar tomar as rédeas da cozinha!)

  1. Tempo da refeição é algo relativo

Dê tempo à criança para comer a sua refeição, permanecendo sentada no seu lugar. Deixe que sinta os alimentos, pois esta estimulação sensorial é bastante positiva no seu desenvolvimento.

Por vezes a casa vai ficar um tanto ao quanto suja, mas estamos a ter um impacto positivo junto da criança. No entanto, não lhe exija que aguente a duração total da demorada refeição dos adultos, pois as crianças têm agendas bastante ocupadas e a brincadeira não tem tempo a perder.

Há que colocar limites, mas não exagerar e compreender que estamos perante uma criança, e não de um pequeno adulto.

  1. Comer com peso e medida, mas a sopa deve ser a primeira 

Evite dar algum snack à criança entre refeições, pois se estiver saciada acabará por não ter apetite à hora da refeição.

Não esquecer que começar pela sopa deve ser uma prática comum a todas as refeições e ajuda a que no futuro seja visto como um costume e entre na sua rotina alimentar.

Também é fundamental oferecer à criança pequenas quantidades de comida para que ela não se sinta assustada, pois ver um prato cheio pode ser assustador.

Tente ser criativo e adicionar ingredientes coloridos, com texturas diferentes, pois são mais apelativos e a refeição não deve ser um momento aborrecido!

  1. Reforço positivo sempre

A criança está a fazer uma birra porque não quer mais ou não quer determinado alimento. Nestes casos evite o suborno através de guloseimas ou brinquedos.

A alimentação é uma necessidade básica, não devendo ser estimulada por este tipo de estratégias, que se mostrarão viciosas no futuro. Há que manter regras. A firmeza é importante, mas a conversa também.

É fundamental conversar com a criança e explicar-lhe que comer corretamente vai ajudá-la a crescer mais saudável, e a melhor forma de incentivar uma criança a manter um comportamento desejado é a estratégia do reforço positivo, elogiando, descrevendo com precisão o que acha que ela fez bem, por exemplo “gosto quando comes a sopa toda!”.

Parece simples, mas é eficaz, porque as crianças adoram que consigamos reparar nas suas vitórias e gostam de agradar aos adultos. Neste caso, muitas vezes o facto de a criança se recusar a ingerir algum alimento deve-se ao facto do seu paladar não estar estimulado.

Daí que o paladar deva ser estimulado, pois é mais provável haver uma aceitação de alimentos (como por exemplo da sopa) por parte daqueles que são estimulados desde cedo, havendo posteriormente menos recusa.

Cabe aos pais educar o paladar, preferindo os alimentos naturais em detrimento dos menos saudáveis. 

Pais, não se esqueçam que, acima de tudo, lidar com birras, sejam elas durante as refeições ou noutro momento, não passa de um jogo de paciência. Há que manter a calma e ser paciente, para não se tornar também por si mais um fator de stress (respirar fundo e contar até 10!). O fundamental quando os pequenos torcem o nariz é mesmo não desistir ao primeiro “não”. 

POR: Ana Catarina Silva, Enfermeira especialista em enfermagem médico-cirúrgica

Deixo uma sugestão de leitura que muito me diz, e que vai muito de encontro a esta temática, ajudando pais e filhos a compreenderem o porquê da importância de ter uma alimentação saudável e equilibrada, o meu livro “Nini e Simão – A Aventura da Alimentação”, da Alfarroba Edições, disponível nas livrarias, podem ainda entrar em contacto comigo através da minha página de autora no Facebook “Ana Catarina Silva – Autora”.