Avós e netos, uma parceria de sucesso

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Infelizmente, lembro-me muito bem do dia do falecimento da minha avó materna.

Apanhou-nos de surpresa. Foi uma coisa repentina!

Lembro-me de ver a minha mãe abraçada ao meu pai, a chorar após a notícia.

Na altura, já com os meus 13 anos, fiquei em choque. Pela primeira vez na vida, perdi alguém muito próximo e de forma tão repentina.

A minha avó esteve sempre “na sombra” do meu avô, o chefe de família!

No entanto, não deixava de ter o seu brilho próprio.

Um ser humano extraordinário. Muito carinhosa e preocupada comigo.

Quando estava com ela, todas as atenções eram voltadas para mim e isso sabia-me muito bem. Fazia-me uma ou outra vontade, “às escondidas” da minha mãe.

Nas alturas festivas, lembro-me dela confecionar bolos típicos da terra. Mesmo na confeção dos bolos, havia um toque especial…o de confecionar uns bolinhos mais pequenos, “religiosamente” preparados com amor e carinho que guardava para mim.

Nenhum bolo me sabia tão bem como aqueles. Ainda hoje procuro aquele sabor ao comer bolos iguais.

Deixou muitas saudades. Quando nos reuníamos com a família, faltava ali “Aquela” pessoa que se sentava ao lado do meu avô. Que se fartava de rir com a boa disposição dele.

Para o meu avô também foi muito difícil viver sem a minha avó. Perdeu algum do seu brilho. Sem ela “aguentou-se” por cá apenas mais 4 anos.

No dia do seu falecimento, encontrava-me em Lisboa a realizar as provas finais do secundário enquanto a minha mãe já estava no norte a acompanhar o meu avô.

Há meses que o meu avô enfrentava um grave problema oncológico, para o qual os tratamentos nunca trouxeram melhorias visíveis.

Após ter recebido a notícia do seu falecimento o meu coração ficou mais pequeno. Uma parte encolheu.

Apanhei o primeiro autocarro que pude para Viseu.

Nessa viagem, fui a recordar os bons momentos que vivi quando estive ao pé dele. Daquilo que me ensinou, das gargalhadas que dei e de quão gratificante foi, a oportunidade de o conhecer.

Chorei compulsivamente após o seu funeral. Comecei a sentir a falta dele, logo nessa noite.

Lembro-me da referência que foi para todos os que viveram próximo dele.

Uma pessoa bem-disposta com uma alegria contagiante. Não lhe conheci inimigos. Conciliador, amigo do seu amigo.

O seu ar alegre, as suas piadas, o seu estar bem com a vida, foi uma lufada de ar fresco para a minha vida.

Tinha, como todas as pessoas, as suas imperfeições, mas para mim, a sua forma de estar foi a REFERÊNCIA não só pela alegria, pela boa disposição, mas também como pelo respeito e educação.

Estar perto dos meus avós dava-me uma enorme alegria. Sentia que gostavam de mim!

Faziam-me as vontades (nada de exageros) e disciplinavam quando era necessário.

Nunca foi preciso baterem ou castigarem. Bastava um grito que eu parava.

Sentia respeito pela sua autoridade.

Quando uma criança, com poucos anos de vida começa a aperceber-se desta forma de estar, destas ideias, reconhece nos avós referências na sua vida não só em amor, mas também de educação!

Direta ou indiretamente, os avós podem e devem, ter um papel muito importante na vida das crianças.

Isto porque, uma criança absorve tudo o que a rodeia e, se passar algum tempo com os seus avós certamente irá absorver muito do que têm para dar. Um avô nunca irá roubar o lugar de um pai/mãe.

Não adianta fazermos comparações.

Todos têm um papel fundamental na educação de uma criança. Basta que, única e exclusivamente desempenhe bem o seu papel.

O amor de avô é um complemento ao amor dos pais. Bem desempenhado, quem ganha é a criança que consolida os seus alicerces.

Aquilo que é transmitido pelos avós será sempre um ponto de vista, que nunca conseguirá ser transmitido pelos pais.

Estar com os seus netos permite que os avós renasçam!

Permite que ganhem energias que foram perdendo depois do crescimento dos filhos.

Acredito que o nascimento de um neto, traga um efeito transformador num avô.

Embora se sinta mais velho, porque “já é avô”, por dentro sente-se cheio de energia que pretende gastar ao máximo junto dos netos.

É querer dar tudo o que não conseguiram dar aos seus filhos, seja porque viveram numa altura em que não existiam condições financeiras ou porque as rotinas de vida ativa, não lhe permitiram passar mais tempo juntos.

Ter um neto, é sem dúvida uma segunda oportunidade que a vida dá aos avós!

É a possibilidade de deixarem uma marca na vida de alguém que é considerado como um “segundo” filho!

É por isso que uma larga maioria dos avós, mima os netos quase que desautorizando os pais.

É quem sabe, uma oportunidade de poderem emendar aqueles castigos que hoje já não aplicariam aos seus filhos. Aquela disciplina mais “física” que hoje percebem que poderia ser mais suavizada.

Por isso, também acredito que um neto possa trazer muitos benefícios aos avós.

É muito importante a interação mútua e constante entre avós e netos.

Revigora os avós e pode torna-los em pilares de referência na vida dos netos.

Que avós e netos aproveitem essa maravilhosa oportunidade de crescerem mutuamente, ao partilharem bons momentos juntos, tornando-os inesquecíveis.

Cronica: EHC Terapeuta Paulo Nunes