Arranque da Campanha de Prevenção de Afogamentos de Crianças e Jovens da APSI

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Os afogamentos continuam a ser a segunda causa de morte acidental nas crianças e jovens em Portugal, razão mais que suficiente para a APSI, mesmo sem quaisquer apoios e sem renovar a campanha continuar a lembrá-la logo que começa o verão.

Porque nos últimos 18 anos, morreram 260 menores e mais de 600 foram internados. Só este ano já se perderam 4 vidas de crianças e adolescentes.

As preocupações para as quais a APSI alertou há 1 ano, continuam bem presentes na
sua memória, sobretudo pelo facto de, infelizmente, se terem revelado fundamentadas
(10 afogamentos, 6 deles fatais – informação recolhida na imprensa).

Por essa razão faz sentido relembrar que é expectável que as famílias voltem a preferir
locais com piscina (construídas ou montadas por aquelas, quer sejam maiores ou de
dimensão mais reduzida), para as suas férias, como forma de contornar as restrições de
acesso às praias e maiores aglomerados de pessoas.

Apesar dos dados que a APSI acaba de apurar (em anexo) demonstrarem que, nos
últimos 9 anos, o número médio de mortes e internamentos por ano diminuiu, os
números têm nome e há um novo padrão de comportamento social que tem de ser
levado em consideração.

De acordo com o levantamento feito pela APSI, na imprensa, de 2005 até ao ano
passado, as piscinas são o plano de água onde mais de 30% dos afogamentos
acontecem, seguidas das praias e dos rios, ribeiras e lagoas, com pouco mais de 20%,
cada.

Nestes planos naturais, são as crianças mais velhas as vítimas mais comuns, ao
passo que em ambientes construídos, são sobretudo, as crianças até aos 4 anos. Os
rapazes, de acordo com a informação analisada no mesmo período, afogam-se 3
vezes mais que as raparigas.

O mês mais trágico continua a ser julho (25%), seguido de agosto (20%) e logo depois junho (14%), ainda que valha a pena relembrar que o afogamento é um acidente que pode ocorrer em qualquer altura do ano.

A APSI volta a pedir que o Estado assuma as suas responsabilidades.

Há anos que a Associação apela à criação de um enquadramento legal abrangente
para todas as piscinas e à obrigação de proteção de piscinas domésticas e inseridas em
condomínios, unidades de alojamento local, aldeamentos turísticos, turismo de
habitação e turismo rural.

Em 2019 a Carta Aberta enviada a todos os líderes partidários, que resultou em 3
audiências (PEV, CDS e PS) e em que todos reconheceram a relevância do problema,
não resultou em qualquer medida concreta.

Em 2020, a APSI foi recebida pelo Secretário de Estado do Comércio, Serviços e
Defesa do Consumidor, que assumiu a preocupação com o tema e o compromisso em
envolver outras Secretarias de Estado, mas que, até à data não resultou em nenhuma
medida com efeitos práticos.Infelizmente mais um Verão teve início sem que as piscinas possuam um enquadramento legal.

O slogan da Campanha que a APSI criou há 19 anos – A Morte por Afogamento é
Rápida e Silenciosa – identifica muito bem a forma como este acidente ocorre e pede,
por isso, a todos, em particular aos Órgãos de Comunicação Social e quem tenha uma
voz junto da Opinião Pública, que ajude a difundir a mensagem e as estratégias de
prevenção mais importantes que podem encontrar no site da APSI e nas suas redes
sociais