Aprendendo a falar sobre os Medos – enquanto pais conscientes!

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“E de novo começa a chover! As bátegas de chuva não batem mais levemente na vidraça da janela, sucedendo-se antes furiosamente num ruído pouco tranquilizador, quando eis que de repente me sinto apertada por umas mãos que, não sendo já minúsculas, buscam ainda a segurança e o conforto de uma mãe super-heroína no limite da idade da fantasia!

– Sim, tenho medo mãe! – enquanto se esconde por baixo dos meus braços!

– É chuva… apenas um aguaceiro forte lá fora. Vai parar não tarda nada! – respondo sorrindo.

– Como podes ter tanta certeza disso? Como consegues garantir-me que a chuva vai parar em breve, se em muitos países acontecem inundações, derrocadas e mortes diariamente?

– Confia em mim! Sou crescida e adulta e, acima de tudo, sou tua mãe e nunca deixei que nada de mal te acontecesse, pois não?

– Pois, mas tu devias saber que, por mais que gostes de mim, não me podes proteger de tudo! Há coisas que simplesmente não dependem de ti! – desespera-se visivelmente agitado.”

 

O que fazer quando nos apercebemos que o medo que os transtorna por vezes se baseia na certeza que todos somos apenas humanos? E que, apesar de os amarmos “daqui até à lua e voltar”, não temos superpoderes que os protejam das realidades mais duras e dramáticas do nosso mundo?

Muitos de nós se questionam face a estes medos! E, mais ainda, muitos de nós receiam estas perguntas para as quais não parece existir em todo o universo uma resposta 100% satisfatória que garanta a pais e filhos o alívio que ambos merecem! Compreendamos, porém, que esta “aparente” perda de inocência que parece toldar o sorriso outrora ingénuo dos nossos filhos, mais não é do que o resultado do seu crescimento e desenvolvimento e da emergência de uma nova consciência de si mesmos e do mundo, onde eles deixam de ser “o mundo” e passam a ser mais uma pessoa no planeta Terra.

É o ponto de não retorno ou, se quiserem, a crise de Rubicão que nos retira a bravura aos mais destemidos super-heróis de lá de casa por volta dos oito ou nove anos!

E apesar de tão crescidos (para nós apenas em tamanho!), torna-se difícil ver quanto lhes dói esta passagem para uma idade que já não é de infância crédula e fantasiosa, mas de uma infância que, não sendo pré-adolescente, os coloca num novo nível de confronto com o mundo que os deixa receosos da morte, da perda e da certeza que as suas decisões têm consequências e impactos que nem sempre serão fáceis ou desejáveis!

Assim, e ao contrário do que nos apetece tantas vezes, a solução não é de todo infantilizá-los, mostrando que para nós serão sempre pequenos, mas sim falar-lhes com calma, explicar-lhes como nos “prevenimos” enquanto adultos para situações mais dramáticas e perigosas; para o incontrolável e de como é essencial avaliar o risco sem medo, pânico ou exageros!

Contudo, também esta hipótese poderá ser demasiado adulta e até um pouco impiedosa, antecipando situações que, em princípio, jamais levarão a situações de tragédia. 

 (…)

Estejamos, pois, atentos aos seus medos e, reconheçamos o direito dos nossos filhos a senti-los, compreendendo-os e crescendo assim enquanto pais, sem excessos ou exageros, para que estando a aprender a voar a solo, possam ter em nós um refúgio sempre seguro!

POR: Isabel Valente _

Mestre em educação e certificada em Parentalidade Consciente

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