Alimentação, o revolucionário método BLW

0
326
Baby photo created by freepik - www.freepik.com

Os adeptos deste tipo de introdução alimentar sentam o bebé à mesa com a família nas horas da refeição e colocam ao seu alcance alimentos em porções e formatos que a criança consiga agarrar e levar sozinha à boca

É o bebé que escolhe o que comer e em que quantidade.

São cada vez mais os pais que experimentam o método BLW (Baby Led Weaning) com os seus bebés quando estes deixam de se alimentar apenas com o leite materno. A partir normalmente dos seis meses começam a ser introduzidos outros alimentos na dieta do bebé.

Regra geral, os mesmos são dados em sopas, papas ou purés, todos passados, fazendo com que alguns especialistas começassem a defender que dessa forma a mastigação não era estimulada e que as refeições se tornavam monótonas. 

Hoje existe o chamado modelo BLW em que o bebé recebe os alimentos cortados em pequenos pedaços, na consistência habitual, e deve ser encorajado a agarrá-los com as mãos e a levá-los à boca. O bebé deverá decidir que alimentos quer e que quantidade quer comer em cada refeição. 

Os adeptos deste tipo de introdução alimentar infantil sentam o bebé à mesa com a família nas horas da refeição e colocam ao seu alcance alimentos apropriados (os mesmos que poria na sopa ou na papa), em porções e formatos que a criança consiga agarrar e levar sozinha à boca. 

No início, é natural que o bebé brinque com os alimentos, mas os defensores deste método relatam que com o tempo as crianças começam a comer o que querem, ingerindo quantidades pequenas de comida até aos oito ou nove meses. 

Um dos mandamentos do BLW diz precisamente que a pressa é a grande inimiga do processo. É preciso deixar que o bebé leve o tempo que for preciso para acabar de comer e se sentir satisfeito. Para evitar o stress, escolha uma hora em que não ele esteja irritado ou com muita fome. 

Uma das grandes vantagens apontadas ao BLW é que oferece aos bebés a oportunidade de conhecerem diferentes texturas e sabores. A cada refeição, vivem experiências novas e desenvolvem a capacidade de diferenciar o que gostam do que não gostam, o que é impossível quando comem apenas líquidos, em que as texturas e os sabores se anulam.

Além disso, os adeptos deste método salientam que os bebés estimulam muito mais a sua autonomia, bem como a coordenação motora e as habilidades sociais, ao participar das refeições em família. Claro que os pais também sentem que ficam a ganhar, pois todos comem ao mesmo tempo e um dos adultos não tem de estar de colher em riste a alimentar o bebé. 

Os alimentos, segundo a criadora do método, a médica Gill Rapley, devem incluir os nutrientes certos com uma oferta variada, com itens de cada grupo alimentar – construtores (carnes e outras proteínas), energéticos (arroz, batata e carboidratos em geral) e reguladores (legumes e verduras).

Para a especialista, o excesso de papinhas de frutas, vegetais ou cereais, que são ingeridas com rapidez por conta da consistência, é que resulta num maior risco de desequilíbrio nutricional. 

Não há risco de engasgo? Esta é uma das perguntas mais frequentes. Os apoiantes do BLW defendem que o mais frequente é o chamado gag reflex, um reflexo frequente quando as crianças ainda se estão a habituar aos alimentos sólidos.

A diferença é que, nesse caso, o bebé não fica com a passagem de ar obstruída. Apenas fica atrapalhado. Rapley garante que, se o bebé estiver sentado, direito, e mantenha controle sobre o que entra na sua boca, não existe risco aumentado de se engasgar com este método.

Porém, para evitar essas situações, é importante que os pais não tentem ajudar a criança a comer, segurando por exemplo o alimento e pondo-o na boca do bebé. Se a criança não consegue fazer isso sozinha, provavelmente, não está pronta para lidar com aquele determinado item de forma segura. 

Neste método, também é normal que, de início, a comida caia ao chão, porque a habilidade de levar o alimento ao fundo da boca para engolir se desenvolve depois da capacidade de morder e mastigar.

Assim, os pais devem estar preparados para verem facilitada a parte da preparação e hora das refeições, mas terão trabalho redobrado na limpeza. Mas há truques indicados por algumas mães que já implementaram o BLW.

O primeiro é esquecer o prato, pelo menos no início, pois o primeiro impulso do bebé vai ser virá-lo. Limpe bem a mesa onde vai sentá-lo e coloque os alimentos em cima. A segunda dica é forrar o chão onde vai colocar a cadeira, para que no final seja mais fácil remover o lixo.

As opiniões ainda se dividem quanto às vantagens e riscos deste tipo de introdução alimentar e, por isso, muitos especialistas defendem um equilíbrio. Deixamos as linhas orientadoras recomendadas pela Organização Mundial de Saúde: 

  • O bebé deve ser alimentado de forma lenta e paciente por um adulto. A ele cabe encorajar a criança a comer, mas não forçá-la; se o pequeno recusar os alimentos, experimente diferentes combinações, texturas e formas de encorajamento;

 

  • É importante minimizar as distrações durante as refeições (TV, brincadeiras em excesso, barulhos…). Lembre-se de que o bebé se distrai facilmente; 

 

  • A alimentação deve ser encarada como um momento de aprendizagem e amor. Por isso, fale com a criança durante a refeição, mantenha contacto visual com ela, procure estimulá-la a tocar nos alimentos e levá-los à boca